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Yeísmo

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O yeísmo é uma mudança fonético que consiste em pronunciar de maneira idêntica "e", em suas diferentes variedades regionais e alofónicas ([ʝ][ɟʝ]/[dʒ], [j][ʝ], [ʒ]/[ʃ][dʒ]), que o dígrafo "ll" ([ʎ]). Isto é, trata-se de um processo fonológico de confusão de dois fonemas originalmente diferentes, por deslateralización de um deles.

Em castelhano antigo os sons de "e" e "ll" representavam fonemas diferentes, mas na maioria de variedades de espanhol moderno deu-se uma mudança linguística e actualmente não se diferenciam na pronunciación (salvo por algumas áreas em Espanha, Paraguai, os Andes e sul de Chile). É um fenómeno linguístico muito difundido na maioria dos países de fala castelhana.

Conteúdo

Pronunciación

A pronunciación yeísta é a mais habitual na maioria de dialectos modernos do espanhol. Consiste na fusão dos dois fonemas aproximantes palatales: a aproximante /ʝ/, representada por e < > e o lateral /ʎ/, representada por ll < >. Este fonema unificado pronuncia-se de diferentes maneiras, normalmente como uma aproximante ou como uma africada.

Em alguns dialectos pronuncia-se o fonema palatal como [ʝ] (aproximante palatal, a pronunciación tradicional de e ). Na maioria, no entanto em alguns dialectos como o rioplatense, este fonema aparece como uma fricativa sonora, [ʝ] (palatal) ou [ʒ] (postalveolar). Em outros casos, a realização fonética é surda ([ʃ], como o som de sh em inglês), ou se faz suavemente africada (comummente [dʒ], como o som do j em inglês).

O yeísmo não se aplica aos diptongos fonéticos com /i-/ inicial, tais como os que aparecem nas palavras gelo ou erva.

Origem

A existência desta característica em numerosas regiões da América de fala hispana vem dada a que o fenómeno tem sua origem na mesma Espanha. Há muitas hipóteses a respeito do nascimento do mesmo. No artigo de Rosario González Galiza, "Minha querida elle" [1], esboçam-se algumas das causas que puderam o ter originado.

Um é a comodidade na fala, tão presente não só no castelhano senão em muitos outros idiomas, em onde os hablantes procuram naturalmente diferenciar unicamente os elementos imprescindibles para o entendimento das palavras.

Adicional a esta actividade tão natural dentro da dinâmica das línguas, encontra-se o facto de que são muito poucas as palavras no castelhano que se distingam umas de outras tão só pela presença da e em lugar da ll. Alguns exemplos comuns desta distinção seriam arrollo (empurro, atropello) e ribeiro (corrente de água), valla (anúncio publicitário), baya (de cor bayo) e (dirija-se para), calou (fez silêncio) e caiu (deixou-se cair), acha (do verbo achar), aya (institutriz) e tenha (do verbo ter, e a árvore).

Outro aspecto, mais de carácter sociológico, encontra-se na mobilização das massas rurais para as cidades em Espanha. O que em um princípio foi um rasgo de distinção —entre uma "má pronunciación" (própria da gente do campo) e uma "correcta" (dos cidadãos)— com as ondas de emigración rural para as urbes foi se generalizando, bem como tem sido o caso de muitas outras características e fenómenos.

O yeísmo, segundo aponta González Galiza, apresenta depoimentos escritos desde muito temporã data que se remontam a tempos prévios e inícios da conquista da América onde nos textos escritos e cartas se presença confusões na escritura entre o uso (e, portanto, pronunciación) entre a ll e a e, favorecendo a esta última. Vê-se então como se plasman palavras como cabayo, yorar, yamar, ayá, e, pelo outro, e no uso das mesmas pessoas, sullos (por seus) ou vallan (por vão).

O yeísmo na fala da América resulta bastante complexo, existindo até diferentes tipos de yeísmo. Está o yeísmo confundidor, como é o caso de toda Espanha, no que ll e e se confundem, sendo o fenómeno mais generalizado.

Não obstante, também existe o yeísmo diferenciador no interior de Equador e partes da Argentina, que ainda que a ll tem perdido sua articulação característica lateral, não se confundiu com e senão que tem adquirido uma pronunciación claramente diferente. Isto é, tem perdido seu rasgo originario de pronunciación, mas adquire-se outro que segue sendo distintivo e que o diferencia da e.

Expansão do yeísmo nas zonas não yeístas

Cabe, por último, destacar os lugares onde do fonema lateral palatal de frango é ainda diferente de poyo .

Os países que melhor conservam a distinção são Bolívia e Paraguai, onde o yeísmo é ainda minoritário. Antanho a distinção estava muito estendida pelo interior de Colômbia e Peru, ainda que hoje só ficam restos, notavelmente em Santander e Nariño (Colômbia) e nas zonas rurais do interior de Peru, mas com grande arraigo na segunda cidade mais importante deste país, Arequipa. Em Equador ll resiste como palatal lateral na zona de Loja, na Argentina nas zonas rurais da metade norte afastadas da região porteña, especialmente na zona guaranítica vizinha de Paraguai.

Em Espanha distinguiam tradicionalmente quase todas as zonas não urbanas da metade norte do país e boa parte das do sul a excepção de Andaluzia, onde o yeísmo está mais arraigado, ainda que ficam restos de ll nas cercanias de Sevilla, em zonas de Huelva (no norte e em Lepe) e a serranía de Málaga; em Extremadura há focos de distinção importante em Cáceres; a Huerta de Múrcia e o Campo de Cartagena têm sido tradicionalmente distinguidores, ainda que as capitais são yeístas. Nestes lugares de Espanha assinalados, o yeísmo é relativamente recente, mas bem possa se dizer que em um par de gerações a indistinción de "caiu" e "calou" ter-se-á generalizado também, como tem sucedido praticamente em todos os núcleos urbanos. Actualmente a distinção segue ouvindo-se de vez em quando nos meios de comunicação, mas, com alguma excepção, os distinguidores costumam ser originarios de comunidades bilingües: Cataluña, País Basco, Navarra.

O yeísmo da língua espanhola em Espanha é tão forte que inclusive se estendeu às outras línguas do país, que em um princípio distinguiam ambos fonemas, e hoje em dia é já maioritário em galego e se estende com força entre hablantes jovens do catalão em Valencia e nas zonas urbanas de Cataluña.

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