Cantares Gallegos é uma obra poética de Rosalía de Castro publicada no ano 1863.
Foi o marido de Rosalía, Manuel Murguía quem geriu, sem a permissão da sua mulher, a saída do prelo de um poemario que fixa o começo de um novo turno para a poesia galega.
No limiar, Rosalía confessa a sua ideia de desenvolver as cantigas populares galegas emulando o Livro de los cantares de Antonio Trueba, pois o seu quefazer poético está constituído por glosas de cantares ou ditos populares. Assim pois, todos os poemas, excepto dois, são glosas de cantares, procedimento este que também aparecerá, ainda que com pouca relevo, em Folhas Novas. Algumas glosas estão escritas em metros populares ("Minha casiña"; "Viver para ver"; "Padrón...!, Padrón!"...) e outras não ("Cada coisa no seu tempo"; "Eu por vos"...).
Todos os críticos consideram que Cantares Gallegos supera os riscos da paráfrase, mantendo o encanto da copla glosada sem se converter num texto inexpresivo.
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Os textos de Cantares Gallegos são clasificables consonte às seguintes temáticas:
O primeiro poemario de Rosalía, La Flor (1857), escrito em castelhano, está inscrito na atmosfera romântica esproncediana achegando uma poética que parte, predominantemente, do pesimismo próprio do "eu" romântico, rodeado de um ambiente tétrico caracterizado com o léxico, os recursos estilísticos (acumulación de adjectivos e particípios; abundância de exclamativos e frases cortadas por "ay",...) e as formas estróficas (tercetos encadeados; oitava real; sextilla de pé quebrado) próprias da época
Em 1863 escreve Rosalía Folhas Marchitas", poema que, ainda que com influxo romântico, aproxima o que será posteriormente Cantares Gallegos. É um texto breve, de vocabulario reduzido, de doce versos divididos em duas estrofas e de composição simétrica.
Nessa época, à par de composições esproncedianas, toparemos com uma poesia lapidaria que se caracteriza por:
Esta mutación estilística (o cantar, a seguidilla, o terceto octosilábico, o romance com versos de cinco a oito sílabas e a muiñeira), com origem na poesia popular, produz que as formas e técnicas de Cantares Gallegos sejam exitosas e muito diferentes das presentes em La Flor. Só permanecem comuns aos dois textos a quintilla e a redondilla.
Com o passo do tempo, Rosalía primará um ritmo e uma expressão mais flexível, afastada da rixidez e grandilocuencia esproncediana.
Em Cantares aparecem dois sistemas métricos diferenciados:
Uma excepção é o caso da "Alborada", composição polimétrica por exigência da melodia à que se adapta.
Dois dos procedimentos mais importantes utilizados por Rosalía nesta sua obra, amais da antítese, são a repetição e o paralelismo, os quais são de carácter muito variado:
ou substituição:
Não está confirmada a data exacta da publicação de Cantares Gallegos, mas toma-se como tal a data expressa por Rosalía na dedicatoria do poemario a Fernán Caballero, assinada o 17 de Maio de 1863.
A princípios dos anos sessenta, Francisco Fernández dele Riego propôs a instituição de uma celebração anual que potenciasse a língua galega, ao modo do Dia dele Livro que se celebrava em Espanha com o gallo do aniversário da morte de Cervantes , o 23 de Abril. Imediatamente pensou situar na data da publicação de Cantares Gallegos, pelo seu significado no rexurdimento da literatura galega. Trás a sua proposta, a Real Academia Galega aprovou em 1963 convocar o Dia das Letras Galegas o 17 de Maio de cada ano, celebrando-se esse mesmo ano em honra de Rosalía.