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Castro (povoado)

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Um castro é um tipo de povoado fortificado que se espalhou principalmente por Europa entre a Idade do Bronze e a do Ferro, que subsistiu até a Idade Média. Concretamente na Península Ibérica destaca este tipo de assentamento no noroeste, onde pela sua concentração é um elemento definitorio da cultura prerromana conhecendo com o nome de Cultura castrexa, ainda que os castros seguiram a ser habitados até bem entrada a Idade Média.

Citania e cividade são sinónimos de castro, se bem em Portugal designam especialmente castros de maiores dimensões e com um grau de desenvolvimento urbanístico maior, em grande parte pelo influxo da romanización.

Não se sabe ao certo o número de castros que houve na Galiza mas pode estimar-se num mínimo de 3.000, ainda que não todos estavam ocupados à vez e talvez houve arredor de 1.500 na época de maior vitalidade, mas tão só há uns 50 castros escavados arqueologicamente.

Castro de São Cibrán de Las (Lansbricae) (São Amaro-Punxín) (Ourense).

Índice

Tipoloxía dos castros

Segundo a sua localização podem-se dividir em:

Constituem o tipo mais frequente e característico. Estão situados em colinas ou elevações prominentes, mas raras vezes em cimeiras altos. Têm planta circular ou ovalada e contam com uma ou várias muralhas. Dois exemplos são o castro de Coaña e o de Viladonga .

Situados em zonas montanhosas altas. Localizam-se nas ladeiras e têm forma oval, com foxos artificiais pelo lado superior e muralhas ou terrapleno para o vale. Datam de época romana e estão vencellados a explorações mineiras. Dois exemplos são os de Vilar no Caurel e Xegunde na Fonsagrada.

São de planta variada, adaptando ao terreno. As defesas naturais do lado do mar vêem-se complementadas com muralhas e foxos para o interior. São muito abundantes e dois exemplos são os de Baroña na Barbanza e Fazouro na Marinha.

O urbanismo dos castros

Resto de um castro em Póvoa do Varzim (Portugal).

Os povoados castrexos acostumam acerguerse em colinas despexados, promontórios rochosos ou penínsulas que se adentran no mar, o que facilita a visibilidade, a defesa e o domínio do contorno. O lugar do assentamento vem dado também em função dos recursos naturais explorados pelos moradores. Os castros contam com um recinto superior, a "croa", e uma série de socalcos cara abaixo onde se situam as construções. Cada uma destas secções pode estar limitada por muralhas, parapetos ou foxos. Às vezes há uma espécie de acrescentados, os antecastros, que também se arrodean de muralhas mas não albergam habitações, pelo que se supõe que estavam destinados a animais ou hortos.

Dimensões

No actual território da Galiza os castros predominantes são os de tamanho pequeno e mediano, porém há um aumento no tamanho médio entre o norte, onde os castros não adoptam superar as 2 hectares: com exemplos como o Castro de Baroña de 2,26 Haver ou as mais de 3 Haver do Castro de Elviña[1], e o sul, onde mesmo existem castros de 20 haver, como o de Santa Tegra[2] já pertencente no ponto final da cultura castrexa, ou o Castro de São Cibrao de Las de 9,5 Haver[3]. No norte de Portugal encontram-se os castros ou citanías de maiores dimensões e de um processo de romanización mais avançado: a Citania de Briteiros, a de Sanfíns[4], ou Mozinho. Outros como o Castro do Vieito[5], são no entanto de tamanho meio.

Todos estes dados devem ser valorados tendo em conta que a grande maioria dos castros do noroeste peninsular não foram objecto de estudo, e aqueles que o foram foi de modo parcial, o que logicamente da resultados também parciais.

Sistemas defensivos

Habitações de Castromao, em Celanova.

Os castros adoptam ter uma única entrada que também tem a função de impedir o passo. Em alguns casos é um simples engrosamento nos remates da muralha; noutros, um entrepano da muralha sobrepasa ao outro formando um corredor estreito. Supõem-se que se fechavam com portas de madeira. As defesas dos castros não parecem responder a necessidades bélicas senão de prestígio e de demarcação simbólica do espaço habitado. De facto, são poucas as armas que se têm encontrado. Ademais das defesas naturais, encontram-se estruturadas de diversos tipos:

  • Terraplenos: desniveis no terreno formados por terra e pedra, que podem ser naturais. São a base das defesas e habitualmente provem dos entullos das obras fundacionais no interior.
  • Parapetos: elevações artificiais do terreno nos pontos mais desprotexidos (entradas e zonas chás).
  • Foxos: gabias alongadas e profundas, geralmente associadas aos parapetos, que podem estar escavadas em terra ou rocha viva.
  • Muralhas: defesas de cachotería de tipoloxía variada, como por exemplo dois muros paralelos de pedras com um recheado de pedra. Desde o interior subia-se a eles mediante escadas de madeira, laxas encastradas, rampas ou pedras. Podem existir torres defensivas nos acessos às portas. São elementos tardios.

O mais habitual é a ausência de organização urbanística. No século I d.C. aparecem agrupamentos de edificacións ("bairros"), formados por várias construções arrodeadas por um muro com uma só abertura para a rua. Pode-se tratar de unidades familiares nas que uma construção seria a habitação e as outras silos, cortes ou alpendres. As casas não partilham paredes medianeiras, senão que estão separadas das demais, não se sabe se como reflexo da idiosincrasa desta cultura ou devido às dificuldades para o fazer nas construções circulares. Também não contam com janelas.

O piso das habitações era de barro pisado. Com anterioridade aos séculos II-III a.C. os muros construíam-se maiormente de pallabarro, com um pões-te de madeira central; posteriormente usou-se cachotería em fiadas mais ou menos horizontais (ou poligonais, em algum caso). As cobertas faziam-se de colmo reforçado com barro e sujeito por pesos ou posteriormente de tellas (tégula e ímbrice). A partir do século I d.C., sob a influência romana, fazem-se mais abundantes as plantas quadradas ou rectangulares. O elemento essencial de uma habitação é a lareira, que na mudança de Era situava no centro e estava feita com laxes ou barro e a finais do século I d.C. desloca para um lateral e faz-se, em alguns casos, com tégulas.

Suspeita-se que alguns edifícios grandes nos que um banco de pedra percorre o muro e nos que não se encontram restos de habitación puderam ter sido recintos de reunião. Têm-se localizados também for-nos de cerâmica e alfares, preferentemente próximos às saídas ou no exterior.

Candidatura a património mundial

Os castros do Noroeste de Portugal e Galiza serão conjuntamente avaliados pela UNESCO para serem candidatos a património mundial.

Notas

  1. Carballo Arceo, Xulio, Arqueologia da Galiza - itinerarios pelo passado
  2. Carballo Arceo, Xulio, Os castros galegos.Páx 52
  3. C.Rodríguez Cao; Justo Rodríguez, M. e Farinha busto, F. A Cidade. São Cibrán de Lás. Páx 19
  4. Seguindo a Xulio Carballo Arceo e a Francisco Calo Lourido
  5. SILVA, A. J . M.: Vivre au delá du fleuve de l'Oubli. Portrait de la communauté villageoise du Castro do Vieito, au moment de l'intégration du NO de la péninsule ibérique dans l'orbis romanum (estuaire du Rri-o Lima, NO du Portugal), tese de doutoramento apresentada na FLUC em Março de 2009 (em francês)

Veja-se também

Bibliografía

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