| Eiras | |
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| Petróglifos gravados numa rocha da freguesia de Eiras | |
| Câmara municipal: | São Amaro |
| Área: | - km² |
| População: | - hab. |
| Densidade: | - hab./km² |
| Entidades de população: | 6 |
Santa Uxía de Eiras é uma freguesia da câmara municipal ourensão de São Amaro. Situada perto da ribeira do Minho, com uma orografía que Otero Pedrayo denominava como "de bocarribeira", é dizer, nem de montanha nem de ribeira, com suaves e onduladas quedas cara o vale do Minho. As aldeias que compõem a freguesia e o casarío disperso estendem-se pelas abas do monte de São Trocado, a muito moderada altitude. Os núcleos de população que compõem a freguesia, ademais do lugar da Igreja, que também se chama Eiras, são Xinzo, Tralorrío, A Reguenga, A Touza, e Sabariz.
Cruzam a freguesia três regatos, o de Xinzo (Farcixo), o da Lavandeira e o da Reguenga. O primeiro vai dar directamente ao rio Minho. Os segundos juntar-se-ão com outro regato procedente da vizinha freguesia de Vilar de Rei (Cenlle) confluíndo na Fareixa, onde há uma pequena mas formosa queda de água, com restos de antigos muíños. Actualmente, a Fareixa está a ser estragada pelas extracções de uma pedreiro, ainda que este lugar da Fareixa já pertence administrativamente à câmara municipal de Cenlle.
O clima é oceánico suave, com chuvas abundantes, Invernos moderadamente frios e Verões bastante cálidos, que influíram nos seus modos de vida, já que a gandería e o policultivo foram tradicionalmente as suas fontes de riqueza, incluída a elaboração do vinho, com zonas costeiras muito aptas para as vindes, coma as ribeiras da Rega e as quedas do sul de Xinzo. No abandono do vinho são directamente responsáveis as decisões políticas que, incompreensivelmente, eliminaram do mapa da Denominación de Origem Ribeiro à câmara municipal do São Amaro, sem ter em conta os microclimas e as peculiaridades orográficas e edáficas favoráveis ao vinho em muitos lugares da câmara municipal. No que diz respeito à minería, teve explorações de estaño e de volframio ainda em meados do século XX, mas sabemos que já em época romana, eram buscadas as areias de ouro nas imediações do monte de São Trocado. Mesmo é possível que o estaño pudera ser aproveitado em épocas prerromanas.
Actualmente tem uma muito pouca população e notavelmente envelhecida, já que os novos acostumam marchar cara as cidades em busca de melhor futuro, mas nas suas melhores épocas teve uma população entre 100 e 150 habitantes.
Índice |
Em canto os vestígios da sua prehistoria, é possível encontrar restos desde o Paleolítico superior (achados casuais de bifaces), à Idade do Bronze. Desta época podem ser os petróglifos ou gravados de círculos em rochas, ainda que a sua cronologia soe alongar-se inclusive até a época castrexa. Os petróglifos de Eiras estão no monte da Ermida, na parte superior de uma rocha planície e alongada, orientada de norte a sul. Trata-se de um painel de cinco insculturas circulares com coviña central e linhas concéntricas. Duas delas estão orientadas cara o solpor do solsticio de Verão, outras duas cara a colina do castro de São Cibrán de Lás, e, outras duas assinalam o Norte. Baralha-se a possibilidade de que tais insculturas pudessem ter a finalidade de calendário e mapa simultaneamente.
No mesmo monte da Ermida existem restos de mámoas, com lendas de enterramentos de "mouros", lugar cristianizado com a erección de um singelo cruzeiro. Um pouco cara o sul da rocha há labores mineiras, com vetas de estaño e ouro que possivelmente já foram exploradas em épocas anteriores à Idade de Ferro, pois o lugar não está muito alonxado do poboamento mineiro de Lamentas, que existia na ladeira sul do São Trocado.
Os castros, submetidos possivelmente ao castro de Lambrica (castro de São Cibrao de Las, entre Lás e Ourantes), são pequenos e são a possível origem de alguns dos povos da freguesia. São evidentes restos castrexos em Castro Martiño (Xinzo) e no monte do Castro de Eiras, os dois em lamentável estado de abandono, pese à proximidade de Lámbrica, na única onde se realizam actualmente labores de escavación e consolidação.
Nas paredes da igreja de Eiras, próxima ao castro de Eiras, podem-se descobrir alguns perpiaños com tosca decoración e marcas similares aos linteis e às limiar das portas castrexas.
Já da época romana, o resto antigo mais destacável é uma ara dedicada a Bandua Lambricae, que é possivelmente o primeiro testemunho escrito do nome do citado castro de Lambrica. Ainda que há algumas discrepâncias entre os especialistas, o texto da ara pode interpretar-se assim: "A Bandua da Cidade de Lambrica Emilio Reburrino cumpriu o seu voto". A sua transcrición literal é "BANDUA LAMBRICAE AEMILIVS REBURRINVS", segundo pode apreciar na fotografia adjunta.
É preciso sublinhar que não existe acordo entre os investigadores sobre o sexo e a identidade de Bandua, um nome que se repete por grande parte da Hispania prerromana ocidental, nem também não há acordo acerca da sua função ou dos seus atributos, ainda que soe relacionar com a guerra. Sí se sabe que se trata de um deus indígena, que segue a receber culto trás a romanización. No que diz respeito à procedência da ara, existem fontes que afirmam que procede do castro de São Cibrán de Lás (a possível Lambrica), mas não há provas dessa circunstância. Devemos ter em conta que em Eiras existiu um poboamento prerromano e romano e que a peça bem pôde ter a sua origem na própria freguesia de Eiras, ainda que se refira a um deus de Lás. O que parece incuestionable é que os poboamentos romanos e prerromanos de Eiras sim deveram estar vinculados por alguma relação de dependência ou sometemento com a cidade de Lambrica, daí a lógica de que um ara de Eiras leve um nome de um deus de Lás. Cuevillas em Prosas Galegas" relaciona a Bandua com a deidade prerromana a que se lhe deu culto na cimeira do Santrocado, mas também não há provas que demonstrem que a ara procede desse lugar. A afirmação de Cuevillas não deixa de ser amostra evidente das dúvidas que existem acerca da origem da ara. Em resumo, não há constancia das origens da ara de Bandua , mas sim que há provas da sua permanência desde tempo inmemorial num pazo da freguesia de Eiras, possivelmente já desde a época Baixoimperial.
Nas épocas castrexa e romana, a aldeia de Eiras bem pôde pertencer ao castro de Lambrica , vista a sua proximidade ao xacemento e as grandes dimensões do mesmo, pudendo este último ter certo predominio entre as pequenas aldeias circundantes, das que Eiras só seria uma pequena parte.
Em época medieval a freguesia estava dentro do território de Castela , denominado assim pela alta densidade de castelos ou casas fortes. Pertencia à xurisdición de Roucos (actual aldeia da câmara municipal de Cenlle ) onde havia um castelo (que derrubaram os Irmandiños, situado no lugar do Pereiro, em Cenlle) e uma casa forte, da que ainda se conserva parte na citada aldeia de Roucos. Esta xurisdición era do Conde de Ribadavia. Ainda assim, dentro da própria freguesia existiu outra pequena xurisdición, telefonema "Coto de Pazo" no Cadastro de Ensenada, e que ostentaban dois fidalgos da freguesia já no século XVIII, em 1789: Isabel Eraso e Xoan Tizón.
Também não é alheia a relação das terras da freguesia com a preeminencia dos grandes mosteiros, os verdadeiros colonizadoras do agro na época medieval. Um destes mosteiros que possui terras na freguesia de Eiras e as arrenda aos fidalgos é o de São Clodio. Como exemplo destas relações podemos citar um documento de 1259 onde um juiz chamado García Fernández e a sua mulher Urraca vendem ao abade de São Clodio a metade do casal de Savariz (sic). Mas os de São Clodio já deviam ter propriedades em Sabariz, pois no 1257 o abade do dito mosteiro já aforara a dona Marina Arias de Laucía a quarta parte de Savariz a mudança de de os capóns.
O desenvolvimento de aforamentos e subaforamentos levará ao enriquecimento dos intermediários, sendo uma das causas da eclosión e auxe da fidalguía rural nos séculos XVII e XVIII, posteriores o Medievo. Alguns dos foreiros destes mosteiros serão, passadas as gerações, os futuros posuidores das casas fidalgas, gracias aos ganhos obtidos como intermediários entre os camponeses e os mosteiros ou grandes senhores.
No âmbito eclesiástico, é também na Idade Média quando o domínio da Igreja se consolida na freguesia, com a erección de uma primeira parroquial que contribuirá a aglutinar os fregueses ao seu arredor. Ademais, existiram outros templos na freguesia, coma as capelas dos pazos de Eiras e de Sabariz.
Da época barroca, dominada a terra e a economia pelos senhores dos pazos, podemos ainda admirar hoje algumas das casas señoriais surgidas desse processo (O pazo de Sabariz e o pazo de Eiras, entre outras). Do pazo de Eiras, ao lado de uma antiga carballa, consta documentalmente a sua fundação no ano 1600 por Xoán Vázquez de Sabariz, ainda que é possível que já existisse algum tipo de hábitat antigo no mesmo solar, como pode comprovar pelo aparecimento nas suas imediações da ara romana de Bandua. Ademais dos Vázquez, habitaram a casa fidalga de Eiras famílias tão conhecidas coma os Varela, os Temes, os Salgado, os Toubes, os Gayoso ou os Tizón, entre outros. Todos eles recordados pelos escudos que ainda ornan as fachadas e emparentados com muitas casas fidalgas da comarca e da província.
O pazo de Sabariz, alonxado das aldeias, e ao que já nos referimos ao falar dos mosteiros, constitui um exemplo típico de pazo rural galego vinculado a pequena fidalguía rural. O seu nome significa etimologicamente "o suevo rico". Pertenceu aos Vázques, os Temes, os Cárdenas e os Tizón. Entre os elementos típicos que ostentaba estão os brasóns, a grande solaina com escalinata, as balconadas cara o sol do meio-dia, a torre, o pombal, a eira, o lagar, a capela, os hórreos... Muitos destes elementos já estão desaparecidos, situação que se repete nos pazos e casas fidalgas espalhadas pelo rural galego. Na portada do pazo, ademais do escudo cuartelado, existe uma curiosa imagem barroca, difícil de identificar.
A igreja parroquial acolhe no seu interior um monumental retablo (o retablo maior) realizado pelo entallador Francisco Castro Canseco no ano 1704. Castro Canseco trabalhou em diversos lugares da Galiza a princípios do século XVIII, sendo uma das suas obras mais famosas a formosa capela do Santo Cristo de Ourense, na que deveu trabalhar na mesma época em que se fixo o retablo de Eiras. Desta igreja também devemos destacar a "fonte" de pedra existente na sancristía, com desaugue ao exterior. Também na sancristía existe uma caixoneira barroca. Também pertence à parroquial uma formosa cruz procesional de prata fabricada a princípios do século XIX pelo prateiro ourensão Rañoi, com cristo no anverso, acompanhado do sol e da lua, e a imagem da patroa da freguesia (Santa Uxía) no reverso. Ademais, tem imagens dos evanxelistas e de diversos apóstolos, todas elas em prata sobredourada.O retablo maior da igreja, que consta de dois corpos e três canais, tem colunas salomónicas de cinco voltas, ao modo barroco, arrodeadas de vindes e uvas. Destacam especialmente as imagens de São Xosé e de São Xoán, situadas originariamente no canal do Evangelho e na da Epístola, respectivamente. Mas também é destacável a imagem de Santa Uxía, a patroa, que ocupava originariamente a parte superior do conjunto e que recentemente foi modificado na sua disposição, baixando a santa ao corpo inferior do retablo.
No exterior da parroquial existe uma curiosa inscrição, possivelmente do século XVII, que nos diz "Esta capilla hizeron y dotaram Bartolomé Vázquez de Sabariz, familiar dele Santo Oficio de Inquisición, y Catalina Vázquez, su mujer y herederos".
Está escrita em caracteres próprios dos séculos XVI e XVII e acompanhada de um escudo com a cruz da Inquisición, uma palma de martírio e uma espada (estes dois últimos atributos de Santa Uxía). Bartolomé Vázquez de Sabariz finou em 1628 e entre os seus filhos, ademais de Rosendo Vázquez de Sabariz, está dom Xoán Vázquez. Os descendentes de Rosendo Vázquez de Sabariz entroncarán depois com os Cárdenas, também no século XVII. A capela à que faz referência a inscrição é um edículo anexo à parroquial onde existiram enterramentos fidalgos.À porta do pazo de Eiras, ao lado da carballa centenaria, existia um cruzeiro derrubado nos anos setenta e desaparecido, ao igual que a estátua de Santo Antonio que presidia o portalón do pazo, roubado nos anos oitenta. Existem na freguesia outros dois cruzeiros, um deles com nimbo e pousadoiro, não muito longe da igreja. Alguns autores denominam este tipo de cruzeiros nimbados como cruzes celtas.
Nos brasóns das fachadas das casas fidalgas também os pedreiro mostraram toda a sua habelencia. Os apelidos que mais se repetem são os de Temes, Cárdenas, Vázquez, Salgado e Tizón. Há actualmente na freguesia, em vista dos visitantes, umas sete pedras de armas, tendo já desaparecido outras singulares como uma que havia na parede da reitoral e outra que pertenceu à Fonte de Poelle. Os dois pazos da freguesia -e também a casa reitoral- conservam nas suas fincas formosos pombais circulares.
Seguindo com o património etnográfico, há que dizer que a freguesia foi famosa pelas suas eiras ou campos de hórreos -ali chamados cabaceiros-. Também houve muitos muíños no regato da Lavandeira, case todos desaparecidos pelas mesmas razões. Os muíños são todos de rodicio horizontal ou de eixo vertical, muito parecidos na sua estrutura a outros muíños dos arredor. Ademais, muitas casas ainda guardam verdadeiros tesouros etnográficos, imprescindíveis para que as gerações futuras possam conhecer as técnicas e as labouras dos antergos, coma os lagares, as carroças, e os demais apeiros, tanto de labranza coma de oficios que se realizaram nos baixos das habitações.
Também são destacables as fontes, especialmente as da Reguenga e a de Xinzo, que acostumam ter anexo o "tanque de lavar". Hoje quase não são utilizadas e o seu abandono repercute, igualmente, na sua conservação.
As habitações tradicionais acostumam mostrar todas a consabida solaina, orientada sempre cara o sol do meio-dia ou da tarde, e que soem comunicar-se com escadas cara o exterior da habitação. Quando serve para entrar na casa chama-se "patín" e, outras vezes, converte-se num comprido e formoso "corredor", no que se colgaban as espigas de millo a secar trás a colheita. As mais das vezes está coberto e facto de madeira. Nas casas fidalgas e na reitoral, estas solainas soem ser maís monumentais, mostrando as vezes os airosos e decorativos canzorros que as sustentam.
Na entrada do povo há uma monumental carballa, símbolo da freguesia, com uns 4 metros de perímetro, que pode ter uns 400 anos de idade. Foi queimada nos anos quarenta do século XX, por culpa de uma trasnada infantil, e hoje conserva-se muito deteriorada, mas não por isso deixa de renovar cada ano. A sua fotografia figura numa recente publicação das árvores senlleiras da Galiza. À sua sombra ainda segue a celebrar-se a "verbena" do São Bertolameu, onde seguem a chegar as procissões anuais na honra do santo, solar de um antigo cruzeiro derrubado a princípios dos anos setenta. A sua ausência não era impedimento para que, ainda a finais do século XX, muitas pessoas maiores se santiguasen ao passar pelo lugar.
Ainda ficam redutos do que foram as formosas carballeiras. Ademais dos carballos, também foram abundantes as sobreiras ou corticeiras, estas últimas nos lugares mais quentes, ao igual que os érbedos. Nas ribeiras dos rios abundaron os salgueiros, os amieiros e algum freixo. Actualmente, a recuperação das ribeiras dos rios é uma tarefa ardua, devido às canalizacións da rede de sumidoiros que se fizeram nos anos noventa, onde se guiaram cara os regatos todas as águas fecais da freguesia e de outros lugares limítrofes. Estas águas destruíram um formoso ecosistema de ribeira, onde os idosos do lugar ainda recordam uma grande variedade de fauna, especialmente anfibios, invertebrados e peixes. Deles pode-se recordar especialmente os tritóns e os "cabaliños do demónio" ou libélulas. Hoje é case impossível encontrar com esta diversidade.
Em meados do século XX, os montes foram repoboados com pinheiros, de fácil venta e crescimento rápido. Hoje já se respeitam mais as árvores autóctonas mas, ainda assim, a sua recuperação vai muito lenta. Os incêndios florestais e a busca de "boa lenha de carballo" (cortando os exemplares pelo pé em vez de praticar "decotas") são os piores inimigos dos nossos montes.
Os cultivos tradicionais que mais se praticaram são os das patacas, o millo e o vinho, ao que já se aludiu mais arriba. Os regatos e os mananciais contribuíram à existência de pastos abundantes para o seu gando, alguma vez com ovino e caprino, mas maioritariamente vacún, que também era empregue nas faenas agrícolas antes da chegada dos tractores. As vicisitudes económicas actuais não permitem a viabilidade dos cultivos, nem sequer da gandería intensiva, muito abundante até há poucos anos.
O abandono do agro e da gandería também está a repercutir na flora e na fauna. Assim, por exemplo, é difícil encontrar certo tipo de setas, porque já não se estercan os campos ao modo tradicional. Ademais, a inexistência de gando repercute também na limpeza de leiras, lameiros, montes e, mesmo, nas beiras dos caminhos, sendo invadidos por más ervas e silveiras. Este abandono também impede, muitas vezes, a realização de simples passeios pelos arredor. Muitos animais quase desapareceram do entorno, como as pegas ou as lavandeiras, tradicionais colegas das labouras agrícolas que hoje quase não se realizam. À vez, outros animais inzaron nos montes, coma o porco bravo ou xabarín. Recentemente realizaram-se labores de limpeza e repovoamento florestal no monte comunal da Ermida, com plantações de sobreiras, oliveiras e pinheiros.
Não são abundantes, realmente, as referências literárias a Eiras, mas alguma obra há que recreia vivências, costumes ou paisagens da freguesia noutros tempos. Uma primeira cita é a do poeta da freguesia vizinha de Ourantes , Perfeito Sulleiro, que escreve as suas lembranças da infância e que publica com o título da beira da vida, pequenas e ternas lembranças onde se acorda dos arredor da freguesia de Ourantes, descrevendo nas suas poesias case ao detalhe tanto as paisagens como as vivências e as preocupações das gentes das aldeias nos anos da nenez do autor.
Em prosa também encontramos um exemplo em De a vindima à zafra. Crónica de um emigrante galego em Cuba, de Emilio Comas Paret, recentemente publicada em galego. Um romance-relato na que um lavrador de Eiras, descendente de uma conhecida família pacega e obrigado pelas circunstâncias a emigrar a Cuba em 1920, com tão só 15 anos, ainda é quem de relatar de velho uma pequena descrição da sua aldeia nativa, ademais das suas inquietações e anceios pessoais, que teve que completar sempre longe da Galiza. Destapa as armadilhas da sociedade no comércio de imigrantes e as enfermizas e inxustificadas obsesións dos paisanos galegos pela transgresión dos marcos, assim como as penúrias que tiveram que passar os nossos emigrantes pelo mundo adiante, especialmente os das décadas finais do século XIX e primeiras do XX. Como homenagem a este lhe vê emigrante, podemos recordar aqui uma das suas descrições da freguesia: "Em Eiras as ruas eram de terra e alguma laxe. Como em toda a Galiza o verdín cobria as paredes das casas. Quando chovia, o lamazal que se fazia era tremendo. Havia que sair da casa com zapatos de madeira, desses que lhe chamam zocos, para vadear a lama. Nas ruas plantavam-se vindes, que logo se cruzavam por acima e faziam como um teito. Era muito bonito e dava sombra e uvas. Ali a propriedade é muito respeitada e de face a tua casa não havia quem cortasse um cacho."
| Lugares da freguesia de Eiras na câmara municipal de São Amaro | |
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Eiras | A Reguenga | Sabariz | A Touza | Tralorrío | Xinzo |
| Galiza | Província de Ourense | Freguesias de São Amaro | |
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Anllo (Santiago) | O Barón (São Fiz) | Beariz (São Martiño) | Eiras (Santa Ouxea) | Grixoa (Santa María das Neves) | Las (São Cibrao) | Navio (São Fiz) | Salamonde (Santa María) |