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Entre os grandes carnívoros destacam duas espécies desaparecidas de boa parte da Europa ocidental, o osso pardo, outrora espalhado pelos principais montes das quatro províncias galaicas e hoje visitante ocasional dos Ancares lucenses, e o lobo ibérico, subespecie endémica da Península que conta com uma população de 600 exemplares (30% da população peninsular[1]), o que faz da Galiza a comunidade onde se encontra a maior densidade desta espécie.[2] Outros carnívoros destacados são o gato montés, escasso na Galiza (distribui pelas zonas rochosas e as florestas caducifolios mais afastadas do homem),[3] o raposo e os mustélidos; teixugo, furón bravo, donicela, londra, visón americano (introduzido pelas granjas peleteiras nos anos 60, hoxendía constitui uma ameaça para as aves),[4] martaraña e garduña. Os Vivérridos estão representados com a presença da algaria.
Os herbívoros estão representados por espécies bastante espalhadas como alguns cérvidos: cervo comum, gamo, (introduzidos como espécies cinexéticas) e corzo. Populações de cabra montesa (reintroducida em 1997 ), carneiro bravo (introduzido como espécie cinexética) e redutos de rebezo . Com o paseniño abandono do rural galego, destaca o incremento das populações de xabaril e corzo.[5] Segundo a Associação dele Corzo Espanhol, Galiza é a comunidade espanhola com a maior densidade desta espécie, destacando em particular a província de Lugo onde se cifrou uma população de uns 22.000 corzos (2007).[6] No tocante ao xabaril, a sua população estimou-se nuns 40.000 animais, cifra que sem a incidencia das batidas poderia chegar até os 100 mil, consituíndo uma autêntica praga no monte galego.[7]
Tem uma boa representação várias espécies de insectívoros: ourizo cacho, furaño comum e de jardim, murgaño patibranco e de cabrera, furafollas ibérico, grande e pequeno, toupa, o aguaneiro; roedores: esquío, rato mouro, rilón, leirón careto; lagomorfos (destacam endemismos como a lepus granatensis e a lepus castroviejoi), quirópteros; registou-se a presença de 19 das 40 espécies de morcegos que vivem na Europa o que faz da Galiza um paraíso para os quirópteros europeus,[8] pinnípedos e cetáceos; Nas costas galegas encontram-se 6 espécies diferentes de pinnípedos,[9] no tocante aos cetáceos, registou-se a presença de até 22 espécies de cetáceos, das cales as mais comuns são o caldeirón, o golfiño riscado, o arroaz (com uns 500 exemplares), a toniña (com 300)[10] e o golfiño comum.[11]
Os séculos XIX e XX viram minguar as populações de alguns dos principais mamíferos galegos até o ponto de extinguir no território galaico. As causas principais foram a caça indiscriminada e a alteração do hábitat. Isto levou à extinção a espécies tão senlleiras da fauna galega como o osso pardo, a cabra montesa lusitánica (endémica da Galiza e do norte de Portugal), o rebezo e outras que naquele tempo já eram escassas na Galiza coma o lince ibérico (também conhecido como lobo cerval ou rabaz).[12] Tem-se constancia da presença do osso pardo na Galiza já desde a Idade Média. A distribuição do osso pardo na Galiza chegou a abranger as quatro províncias galegas, ainda que de modo irregular. O osso deveu chegar inclusive até a costa como denota a toponimia ; como por exemplo a freguesia costeira de Oseiro na câmara municipal de Arteixo cujo topónimo faz referência à abondosidade de osso.[13] Os derradeios osso galegos foram abatidos nos anos 20 do século XX. Segundo Ortuño y De la Peña (1977) os derradeiros ossos da Galiza foram uma osso e a sua criação caçados nos Ancares em 1920. Porém L. Iglesias (1932) citou a sua presença em 1927 e Cunqueiro e Castroviejo (1977) falam de um osso caçado na câmara municipal de Cervantes sem citar data.[13] A Capra pyrenaica lusitanica, autóctona do noroeste ibérico extinguiu-se a finais do século XIX. Na actualidade a Xunta de Galicia está a reintroducir uma subespecie muito semelhante à cabra montesa galega, a Capra pyrenaica victoriae, com exemplates procedentes da Serra de Gredos. O programa está a ter grande sucesso nos parques naturais da Baixa Limia-Serra do Xurés e Montes da Estufa.[12] No ano 2006 censáronse 400 exemplares námbolos dois parques.[14] No caso do lobo cerval na Galiza considera-se extinguido desde os anos 1980-85, datas nas que ainda se caçava em zonas do lês-te e sul da província de Ourense.[15] Sarmiento escrevia já no século XVIII que não é animal muito frequente, nem também não muito raro na Galiza.
Os córvidos encontram-se bem representados: pega rabilonga, marza e azul, gralla cereixeira, corvo viaraz e carnazal, e a choia biquivermella. O abelleiro e a carraca revelam a influência das espécies mediterráneas no sul da Galiza. Outros páxaro paseriformes de grande população no país são o pardal ou o merlo.
Os álcidos junto com os carráns, gaivotas, paíños, mascatos e corvos marinhos são os principais explotadores dos recursos marinhos das costas galaicas.
A comunidade de aves marinhas da Galiza participa de duas características fundamentais: As costas da Galiza devido à sua posição geográfica, encauzan os passos migratorios de várias espécies de aves marinhas com importantes populações aniñantes nas costas do Atlántico Norte, circunstância à que se somariam as rotas de dispersão postnupcial de alguns procellariformes; pardelas cincenta, curricacho, xoubeira, furabuchos e balear.
Em segundo lugar, um volume mais ou menos importante de aves marinhas do Atlántico Norte tem esquadras de invernada nas águas da Galiza tal e como sucede com o corvo marinho grande, as gaivotas escura e chorona, o arao dos cons, romeiro, e papagaio, o mascato, o paíño gallado e os carráns cristado, ártico e comum.
As costas galegas destacam também pelas suas colónias de criação de aves marinhas. Na Galiza há 7 espécies aniñantes: o paíño do mal tempo, o corvo marinho cristado, as gaivotas escura, chorona, patiamarela, tridáctila, e o arao dos cons. O paíño do mal tempo foi descoberto como aniñante no ano 1989 no illote de Agoeira, nas Ilhas Cíes. Desde então descobriram-se ninhos nas furnas de illotes aillados ao longo de toda a costa galega.[16] Arcos & Gil (2001) estimaram uma população de mais de 240 casais.[17] O corvo marinho cristado aniña ao longo de toda a costa, encontrando-se o groso da população no Parque nacional das Ilhas Atlánticas onde se encontra a maior colónia européia.[18] O primeiro censo galego da espécie data de 1976 , quando se citou uma população de 539-555 casais, a população seguiu medrando até chegar a um máximo de 2.500 pp entre os anos 2000-03.[19] A partir dessa data, mentras o resto das populações galegas medravam notavelmente, as colónias principais sofreram um descenso maior a 40%, passando-se a uma população total de 1.266 em 2007 (um 33 % menos)[20].
e o arao dos cons. Junto a estas 7 espécies que aniñan ao longo da costa galaica provavelmente acrescentar-se-ão nos próximos anos a 2 mais: o gaivotón, a meirande das gaivotas que habitam na Europa, que foi localizada nos últimos anos aniñando em senllo localidades da costa lucense (2005) e na ilha de Sálvora (2008),[25] e possivelmente a pardela cincenta, que foi encontrada em época de aniñamento numa furna do parque nacional das Ilhas Atlánticas.[25]
Na Galiza habitam cinco géneros de aves de rapina: os géneros accipitrae, falconidae e o pandionidae (rapinas diurnas) e os géneros tytonidae e strigidae (rapinas nocturnas). Na sua maioria estas aves distribuem-se ao longo de todo o território galaico, mas são as províncias de Lugo e Ourense onde se encontra uma maior diversidade destas aves.[26]
Segundo aponta o biólogo Li-o Fontán, as principais ameaças que afectam às rapinas são os incêndios florestais, a urbanização descontrolada, os trabalhos florestais inaxeitados, a proliferación de pistas, a destruição das tradicionais zonas abertas com arboledo, a caça, e os pesticidas e praguicidas que matam ou reduzem a variedade de plantas e insectos onde vivem estas aves.[26]
As principais rapinas do género accipitridae são o miñato comum (3.000-4.000 pp.),[27] o gabián comum (2.000-3.000 pp.),[28] o azor comum (800-1.400 pp.),[29] o miñato queimado (560 pp.),[30] e o miñato abelleiro (100-130 pp.).[31] Destacam também outras aves coma a tartaraña cincenta (não chega a comum[32]), o miñato real,[33] a águia albela (30-80 pp.),[34] a tartaraña arpella, a gatafornela (38-57),[35] a águia real (>5 pp; em perigo de extinção[36]), a águia caudal, e o voitre branco (1 p. 2007),[37] todas elas nidificantes e escassas.[38] Outras aves do género que habitam na Galiza malia não aniñar nela são o voitre comum (em aumento[39]) a águia perdiceira, e o peneireiro cincento (em aumento, descobriram-se indícios de aniñamento). Do género pandionidae encontra-se tão só a águia peixeira, que fica em terras galegas durante a época de invernación. Do género falconidae as aves mais abundantes são o lagarteiro peneireiro (mim. 1.500 pp.)[40] e o falcón peregrino (<50 pp.),[41] outro falcónido que aniña localmente no país é o falcón pequeno (>30 pp.),[42] entre os que não aniñan destacam o lagarteiro das torres e o esmerillón comum.
Entre as rapinas nocturnas, a curuxa comum (<1.500 pp.)[43] representa ao género tytonidae, o género strigidae está representado pela avelaiona comum (<1.400 pp.),[44] o moucho comum, e de orelhas, o bufo real, e pequeno e a curuxa das xunqueiras (ave invernante que acreditava de modo local).
Ao mesmo tempo, a perda de Antela supôs o desaparecimento do derradeiro lugar de criação do ganso bravo na península ibérica, assim como o desaparecimento da principal área de reprodução do abetouro comum, a avefría , a becacina cabra e do carrán comum na península. Durante as décadas dos 80 e 90, a desidia e a falta de compromisso do governo autonómico e das autoridades competentes levaram à extinção ao arao dos cons e a galinha do monte.[46] Na actualidade existem várias espécies que correm a mesma sorte e que se encontram em grave risco de desaparecimento. Estas são o corvo marinho cristado, o mazarico real,[47] o sisón, a águia real, a perdiz charrela, o alcaraván e a avefría, entre outras aves.[46]
No caso do corvo marinho cristado, estão-se repetindo as mesmas causas que levaram a uma população de 3.000 casais de arao nos anos 60,[48] à completa extinção a começos do século XXI. Entre estas causas encontram-se a mortandade directa produzida por causa das marés pretas (veja-se afundimento do Prestige), as capturas acidentais produzidas pelos trasmallos e a sobreexplotación dos bancos pesqueiros. No tocante ao resto das aves, está-se produzindo exactamente o que levou à galinha de monte à extinção. A falta de protecção das espécies e dos seus hábitats está fazendo com que as suas populações encontrem-se cada vez mais fragmentadas até níveis que, sem um plano urgente de recuperação, fã inevitável a sua extinção.
Dentre os urodelos na Galiza só há uma única família, Salamandridae que compreende 15 géneros com mais de 40 espécies. Destas espécies 5 habitam na Galiza, repartidas em 3 géneros: Salamandra, Triturus e Chioglossa.