As Florestas do Eume é um parque natural galego criado o 30 de Julho de 1997 [1] e que abrange 9.126 hectares[2] nas beiras do rio Eume, concretamente nas câmaras municipais de Cabanas, A Capela, Monfero, Pontedeume e As Pontes de García Rodríguez, todos eles da província da Corunha. Na actualidade residem no parque 521 pessoas das cinco câmaras municipais anteriormente nomeados.[3]
Está também declarado como Lugar de importância Comunitária, coincidindo os seus limites com os do parque natural.
A floresta tradicional atlántico conservou na zona em todo o seu esplendor, sendo consideradas as florestas como um dos melhores florestas atlánticos termófilos do continente europeu[4]. Malia ser a flora a alfaia das Florestas, existindo raras espécies de felgos que habitavam a terra há milhões de anos, também destacam algumas espécies animais endémicas e em perigo de extinção, desde pequenos anfibios e réptiles, como a saramaganta, até espécies maiores, como o lobo ou diversas aves de rapina.
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As florestas do rio Eume são um destacado representante da fase clímax[5] da vexetación galega[6]. As florestas de ribeira, dos que o parque é bom exemplo, distinguem-se pelos seus ecosistemas de elevada biodiversidade, particularmente no que respeita à flora. Tradicionalmente foram muito explorados pelo homem pela riqueza e fertilidade dos solos, e por isso são ecosistemas pouco frequentes e conservados unicamente em zonas isoladas como estas florestas.
A árvore com maior presença no parque natural é o carballo. É o medidor da saúde da floresta: os exemplares mais lonxevos existem nas zonas que sofreram uma menor pressão humana (a Floresta do Mosquiteiro ou as florestas que arrodean o rio do Dez), e está sendo objecto de repovoamento em zonas frágeis do parque, onde fora apartado recentemente pelo bidueiro.
Também tem numerosa presença no parque o castiñeiro, dominante em algumas áreas depois de roubar-lhe terreno ao carballo graças a medrar mais rapidamente e prover frutos de consumo humano. O bieiteiro ou bidueiro é a terceira das espécies maioritárias, e ocupa dois tipos de espaços: áreas tradicionais de floresta de ribeira, e zonas marxinais onde os carballos foram perdendo distribuição, e onde medram rapidamente. Nestes espaços estão a ser substituídos por carballos por acção conservacionista.
Nas proximidades dos rios encontramos o amieiro, que suporta bem as situações de asolagamento, já que sujeitam as margens dos canais impedindo o seu arraste pelas cheias, o salgueiro (com muita menor frequência), o freixo e o pradairo. Outras espécies arbóreas das florestas são a abeleira, principalmente nas proximidades dos cursos de água; o cerqueiro, nas zonas altas das florestas de Pena Fesa, Os Cerqueiros (topónimo que reflecte a abundância desta árvore) e A Marola; o érbedo, o loureiro, e o olmo, frequente também nas proximidades dos rios, como perto do mosteiro de Caaveiro. Também se tem assinalado a presença do lamigueiro nas florestas, uma espécie rara na zona próxima à costa. O teixo, encontra no parque a sua localização mais ocidental no país, já que a intensa actividade humana sobre esta árvore acabou-a relegando principalmente às montanhas orientais galegas[7]. Finalmente, existe em abundância o acivro, fundamentalmente como arbusto mas que chega a atingir exemplares de altura e porte, o estripeiro, o abruñeiro, a pereira e a maceira brava, esta última pouco frequente noutros lugares da província da Corunha.
No parque estão presentes umas 20 espécies diferentes de felgos[8], os quais constituem uma das principais características destes florestas. Os mais comuns são o Blechnun spicant, a Dryopteris affinis subsp. Affinis, a Dryopteris dilatata, a Dryopteris aemula, o Polypodium interjectum, o Athyrium filix-femina, o Osmunda regalis (ou fento real), o Polystichum setiferum, o Pteridium aquilinum e a Lastraea limbosperma. Também se podem encontrar espécies de grande valor bem pela sua escassez ou bem por dar-se longe da sua área normal de distribuição, coma a Woodwardia radicans, o Asplenium adiantum-nigrum, a Cystopteris diaphana, a Dryopteris guanchica ou a Culcita macrocarpa[9].
Algumas destas espécies estão relacionadas com uma antiga vexetación subtropical que povoou as margens do mar de Tetis na era terciaria. O calor e a humidade permitiram o desenvolvimento de uma exhuberante flora, similar à que na actualidade encontramos no arquipélago novacelandés ou na Flórida. Porém, há dois milhões de anos, os processos de glaciación nos pelos e a desertificação nos trópicos foram recurtando a distribuição dessa flora que, incapaz de adaptar às mudanças, ficou reduzida a zonas pequenas situadas entre os 25º e 40º de latitude: Ilhas Canárias, Ilhas Açores e Madeira, e em menor extensão nas serras de Alxeciras em Cádiz ou o Parque Natural das Florestas do Eume.
No estrato muscinal está presente case a metade da flora briofítica galega (brións e hepáticas) particularmente importante nas zonas húmidas e sombrizas, com mais de 220 espécies diferentes[10]. Entre elas encontram-se quatro citas únicas para a brioflora espanhola e mais sete consideram-se raras dentro da flora ibérica. Destacam a Cololejeunea microscopica e a Lepidozia cupresana.
A flora liquénica guarda também um notável catálogo de mais de 240 espécies, entre as que figuram três citas novas para a Europa continental e 24 novas para Espanha. São características das florestas maduras outras espécies menos raras mas muito ligadas a estes ecosistemas: a Lobaria scrobiculata, a Pannaria rubiginosa e a Usnea articulata.
Como já se assinalou, as florestas de ribeira são um ecosistema caracterizado por uma amplísima biodiversidade.
As florestas, pelo seu carácter húmido e sombrizo, são um ambiente idóneo para os anfibios. No Eume vivem 13 das 15 espécies existentes na Galiza. A Píntega comum e a sua subespecie galega são muito frequente já que as massas florestais caducifolias são o seu biótopo natural. Também estão presentes outras espécies coma o sapiño comadrón, o sapo comum, a ra patilonga (que vive nos regatos afluente do Eume na bacia baixa, coma o Sesín), e a ra vermelha, que é possível encontrar nos prados da Serra de Sanguiñedo. Nas pozas estacionais encontram-se as três espécies de pintafontes, o comum, o palmeado e o pintafontes verde, mas é especialmente valiosa a saramaganta (Chiglossa lusitanica), endemismo do noroeste ibérico que mantém nas Florestas uma das suas mais nutridas populações.
Sapo comum Bufo bufo |
Lagarta da serra Iberolacerta monticola |
Saramaganta Chioglossa lusitanica |
Entre as aves da floresta destacam as crianças que se alimentam de micromamíferos, adaptadas a caçar no interior da floresta: o azor, o lagarteiro, o gabián, o bufo pequeno, a curuxa , o moucho comum, a avelaiona , o miñato preto, a tartaraña cincenta e o real e o abelleiro. Em espaços mais abertos habita também o falcón peregrino, o miñato comum e o bufo real. Entre as pequenas insectívoras destacam o piquelo azul, o gabeador comum, a avenoiteira , o ferreiriño abelleiro, o ferreiriño bacachís, o bolso real, o bolso verde, a estreliña riscada, a estreliña do norte, o picafollas e a arcea. Nas ribeiras dos cursos de água do parque destaca o merlo rieiro e o picapeixe.
Entre os mamíferos destacam a londra, a martaraña , a garduña , o gato montés, o armiño e a xeneta. Abondan também os corzos, os raposos, os xabarís, os cervos, as donicelas e os teixugos. Também existem nas zonas mais elevadas e apartadas dos núcleos de poboamento humanos populações de lobo.
Entre os invertebrados destacam algumas espécies como o caracol de Quimper (Elona quimperiana), terrestre e endémico das florestas atlánticos, a caramecha de rio (Belgrandiella rolanie) a ma lês (Geomalacus maculosus). No Verão, durante o dia, é frequente observar a borboleta Apatura íris e pela noite a endromis dos salgueiros (Endromis versicolora). Outros coleópteros destacables são o escaravello Carabus galicianus associado aos cursos de água rápidos e limpos, e que é também um endemismo do noroeste peninsular, e o escaravello dourado (Chrysocarabus lateralis), bem distribuído por todo o território das florestas, e a vacaloura ou escornabois (Lucanus cervus), cada vez mais escassa nas florestas galegas. Nos rios do parque destaca a presença do mexilón de rio (Margaritifera margaritifera).
Caracol de Quimper Elona quimperiana |
Aglia tau |
Mexilón de rio Margaritifera margaritifera |
No rio Eume e afluente estão presentes o réu (Salmo trutta trutta) e a troita (Salmo trutta faria), peixes que remontam o rio desde a sua desembocadura na vila de Pontedeume , e que têm nas águas do Eume um dos seus melhores hábitats.[11]
Dentro dos limites do parque encontram-se numerosas pegadas da actividade humana, como os foios para fazer carvão vexetal e grandes troncos cortados a rentes do chão. Também há restos de interesse histórico e de arquitectura tradicional, como cruzeiros, pontes, ermidas.
Mas como amostras da presença humana no parque destacam os mosteiros medievais de Monfero e Caaveiro.
O mosteiro de São Xoán de Caaveiro estabeleceu no ano 934 nas Florestas do Eume para acolher aos numerosos anacoretas que viviam dispersos na zona. Logo importantes doações de São Rosendo e outros nobres engrandecem o seu património recebendo este a maior parte das terras cultivables existentes à direita do rio Eume e também lhe concedem a xurisdición sobre vilas e freguesias isentando da autoridade do arcebispado de Santiago de Compostela. O conjunto foi declarado no ano 1975 Monumento Histórico-Artístico pela sua importância arquitectónica.
Na actualidade é propriedade da Deputação provincial da Corunha, que iniciou em 2003 a restauração para a posta em valor do conjunto.
Destaca como curiosidade a presença na zona do osso pardo, actualmente extinguido da geografia galega, e da águia real case extinta, na época na que se construiu o mosteiro.
As origens do mosteiro de Monfero remontam ao século X, quando se fundou um cenobio ao pé de uma ermida dedicada a São Marcos. Na actualidade excepto a igreja o resto de dependências monacais encontra-se em estado ruinoso, porém estánse levando a cabo medidas para a sua restauração parcial.
A importância social destes mosteiros baseia-se no feito de que durante muitos anos serviram de eixo vertebrador da vida económica, social e religiosa da comarca.
Blechnum spicant |
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