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Galego-português

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O galego-português nasceu grosso modo nos conventos lucense e bracarense da província da Gallaecia romana

O galego-português é a língua medieval falada no noroeste da Península Ibérica que deu lugar ao galego e português actuais. Procedente do latín falado na Gallaecia[1] e introduzido pelos colonizadores romanos, é portanto uma língua romance. Teve especial relevo cultural durante vários séculos, e disto dão fé os textos medievais conservados nesta língua.

As recompilacións líricas medievais galego-portuguesas mais importantes que se conservam actualmente são o Cancioneiro de Ajuda, o Cancioneiro da Vaticana e o Cancioneiro Colocci-Brancutti.

O rei Afonso X o Sábio, de Castela , coordenou as Cantigas de Santa María em galego-português, que naquele então era a língua por excelencia para a lírica nos reinos da Galiza, León e Castela (estando o reino de Aragón na zona de influência da literatura occitana). Também compôs algumas cantigas de amor, mas nenhuma de amigo.

Alguns poetas destacáveis são: Bernal de Bonaval, Airas Nunez, Mas da Ponte, Mas Amigo, Xohán de Cangas, Martín Codax, etc.

O galego-português teve a sua máxima importância desde finais do s. XII até mediado o s. XIV.

Índice

Afastamento do galego e do português

A partir da sua independência, o reino de Portugal começou a criar uma norma escrita (uma data importante é a declaração do galego-português -daquela chamado nossa linguage ou vulgar- como língua oficial da sua administração em 1290 ), que na Galiza não se elaborou até bem entrado o século XX. Como assiná-la Azevedo Maia [2], em seguida as formas escritas em Portugal começam a se homoxeneizar baixo a influência da corte enquanto que os escritos galegos vão sendo penetrados de castelanismos. O facto de que a partir de 1480 os tabelións galegos tivessem que mudar os seus formularios pelos castelhanos e tiveram que estudar em Toledo , aprofundou o processo de castelanización desse galego escrito.

As diferenças entre galego e português já provem do galego medieval, onde em textos antigos já se começa a confundir as sibilantes surdas com as sonoras, conservadas em Portugal, asi como outras pequenas variações em morfoloxia (disso face a disse..). Ademais o avanço do galego-português para o Sul e o deslocamento da capital portuguesa introduziram uma série de elementos novos que deram lugar à situação actual:[3]

Características do galego-português

O galego medieval distingue-se do galego actual principalmente em:

O sistema de vogal orais era o actual, ainda que não com a mesma distribuición, principalmente devido à posterior acção da metafonía. Ademais existian vogal nasalizadas pela perda de uma nasal. A fica de consoantes intervocálicas provocava muitos hiatos, que depois se desenvolveriam, principalmente por crase.

Consoantes do galego-português
Bilabiais Labiodentais Dentais Alveolares Pós-alveolares Palatais Velares
Realização surda sonora surda sonora surda sonora surda sonora surda sonora surda sonora
Plosivas p b t d k g
Nasais m n ɲ
Fricativas f v s z ʃ ʒ
Africadas ts dz
Laterais l ʎ
Vibrantes ɾ

Documentos mais antigos em galego-português

Foro do Bom Burgo de Castro Caldelas, privilégio dado pelo rei Afonso VIII. Primeiro documento real em língua galega. Allariz, 1228

A Notícia de fiadores (1175) é o documento em galego-português mais antigo conhecido com data.

Recentemente descoberto, o Pacto dos irmãos Pais reivindica o título de texto mas antigo encontrado em Portugal, no entanto é quase não datábel por conjectura, e é provavelmente anterior a 1173 .

Outro documento, a Notícia de Torto[4], sem data, acredita-se que tenha sido escrito entre 1211 e 1216. O Testamento de Afonso II, é datado de 1214 . Algo anterior é o primeiro documento literário conhecido escrito em galego, Ora faz ost’o senhor de Navarra de Johan Soarez de Pávia.

Recentemente foi achado o documento mas antigo escrito na Galiza, o qual data do ano 1228. Trata do Foro do bõ burgo de Castro Caldelas[5] outorgado por Afonso IX em Abril do dito ano ao município de Allariz. O mas antigo documento latino-galego-português, encontrado em Portugal, é chamado de Doação à Igreja de Sozello, encontra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, e é datado do ano de 870 d.C.[6]

Notas

  1. Ramón Marinho Paz História da língua galega. Sotelo Blanco, 1998, página 104
  2. Ver Bibliografia, capítulo de Conclusões
  3. * Lindley Cintra, Luís F. Nova Proposta de Classificação dos Dialectos Galego-Portugueses (PDF) Boletim de Filologia, Lisboa, Centro de Estudos Filológicos, 1971.
  4. Notícia de Torto, História da Língua Portuguesa.
  5. Foro do bom burgo de Castro Caldelas, consellodacultura.org
  6. O documento mais antigo em latín-galego-português, ano 870.

Veja-se também

Outros artigos

Bibliografía

Listado de étimos e os vocábulos galego-portugueses correspondentes

  • adu ‘imperativo de aduzer’ < ADDŪC
  • aduces < ADDŪCIS
  • adugo ‘aduzo’ < ADDŪCŌ
  • adusse ‘aducíu’ < ADDŪXIT
  • adussera < ADDŪXĚRAT
  • aduxe < ADDŪXĪ
  • anvidos ‘contra vontade’ < AD INVITUS
  • apres < prov. < APRESSU
  • aque ‘eis’ < *ACCU/E > ECCE ‘eis’
  • arço (ardo) < ARDĚŌ
  • assaz < prov. assatz < AD SATIS
  • asteença < ABSTĬNĔNTIA
  • Avijr < ADVENIRE
  • beigo ‘abençoo BĚNĚDICO
  • beito ou bento < BĚNĚDICTU
  • beizer < BĚNĚDĪCĚRE
  • bezes < BĚNĚDICES
  • chus ‘mais’ < PLUS
  • cima < subs. CYMA
  • come < QUOMODO ET
  • comio (como) < COMĚDŌ
  • consiirar < CONSĪDĔRARE
  • coube < CAPŬI(T)
  • creer < CRĒDĚRE
  • creveran ‘acreditaram’ < CRĒDŬĚRANT
  • crive ‘acreditei’ < CRĒDŬĪ
  • de (dê) < DĚM
  • despoēr < DĬSPŌNERE
  • devisar < DIVISARE
  • dicipolo < DISCĬPŬLO
  • dixe < DĪXĪ(T)
  • doer < DOLĚRE
  • dolvera ‘doera’ < DOLŬĚRAT
  • dormio < DORMIŌ
  • dur (a/de dur) ‘firmemnte.’ < AD DURU
  • eire ‘ontem’ < HERI ‘ontem’ ‘há pouco’
  • eixerdar < EXHEREDITARE
  • eixilhar < EXĬLĬĀRRI
  • emproo (a)/ ambroo ou amproo ‘para abaixo’ < IN PRONO ‘inclinado cara o chão’
  • ensembra ‘junto com, em conjunto’ < fr. ensemble
  • enxerdar < EXHEREDITARE
  • ersi ‘ergo’ < *ERSĪ
  • esté (esteja) < STĒM
  • faço < FACIŌ
  • falir < FALLĚRE
  • falredes < FALĚRE + *ĒTIS
  • falría < *FALLĚRE+EAM
  • fegura < FĬGURA
  • feiro(fero) < FĚRRIŌ
  • festiño (a) 'de presa' < FESTINO
  • festo (a)/ enfesto (a): ‘acima’, ‘para arriba < INFESTU ‘hostil’
  • fez < FĒCIT
  • fezeron < FĒCĚRŬNT
  • fiz < FĒCĪ
  • foras < FORAS (em latín EXTRA)
  • hajo=hei < HABEO
  • hestoria < HĬSTORIA
  • houve < HABŬI
  • i < IBI ‘aqui, ali’
  • jasco ‘jazo’ < IACĚŌ
  • jougesemos < IACUISSEMUS
  • jougue ‘jazi’ < IACŬI
  • Juso ‘cara abaixo’ < DEORSUM (adv. ‘cara abaixo’ por influência de suso)
  • madodinho < MATŬTINU
  • maemos ‘ficamos’ < MANEMŬS
  • mão ‘fica, permanece’ < MANET
  • manno ‘fico MÃOĚŌ
  • mar ‘permanecer, ficar MÃOĒRE
  • marrei < *MÃOĒRE+AIO
  • marteiro < MARTYRIU
  • masi ‘permaneceu’ < ME AsĪ
  • meço < MĚTUŌ
  • menço < MĚNTIŌ
  • muu < MŪLU
  • nodrir < NŬTRIRE
  • oucião < OCĔĂNU
  • ouço < AUDIŌ
  • outrossi ‘também’ < outro (ALTERU) + sim (SIC)
  • paação < *PALATIANU
  • peço < PĚTUŌ
  • peēdença < POENITENTIA
  • poer (pôr) < PŌNĚRE
  • possa < *POSSAM
  • prige ‘prendi’ < *PRĒNSĪ
  • priiom < l.v PRENSIONE <PREHENSIONEM
  • pris ‘prendi’ < *PRĒNSĪ
  • punha < PUGNA
  • querrei < QUAERERE *AIO
  • querrei < *QUAERĚRE-AIŌ
  • quige < *QUĒSĪ
  • quis < *QUĒSĪ
  • quisestes < *QUĒSISTIS
  • redro (a) ‘para atrás’ < RETRO
  • reverença < REVERENTIA
  • salremos < SALIRE + *ĒMŬS
  • salría < *SALIRE + EAM
  • see med‘é SĚDET
  • seedes < SĚDĒTIS
  • seemos < SĚDĒNŬS
  • seen < SĚDENT
  • seenço < SĬLĔNTIU
  • sees ‘és SĚDES
  • sēestro < SINISTRU
  • seja < SĚDĚAM
  • sejo ‘são SĚDĚŌ
  • senço < SĚNTIO
  • servio < SĚRVIŌ
  • siia < SĚDĒBAM
  • sive < l.v. SĒDŬĪ
  • suso ‘cara arriba’ < SURSUM (adv ‘ de abaixo para arriba)
  • terrá < TENERE + *AT
  • terrei < *TĚNĒRE-AIŌ
  • teúdo ‘tido TĚNŪTU
  • tive < TĚNŬI
  • toda a via ‘sempre, constantmt.’ < TOTA VIA
  • toste ‘cedo, de presa’ < prov tost < TOSTU
  • tragiã < TRAHIEBANT
  • traides < TRAHITIS
  • trei (traz) < TRAHIT
  • troço (trazido) < TRACTU
  • trouxe < *TRAXŬI
  • valrei < VALERE + *AIO
  • veen < VIDENT
  • vees < VINDES
  • vejo < VIDĚŌ
  • vêem < *VENENT
  • veron < VĒNĚRŬNT
  • verrei < VENIRE + *AIO
  • verrei < VĚNĪRE-AIŌ
  • vês < VĚNĪS
  • vestes < VĒNISTIS
  • enrequentar < Xerm REIKS
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