Visita Encydia-Wikilingue.com

História da língua galega

história da língua galega - Wikilingue - Encydia

Mapa cronolóxico que mostra a evolução territorial das línguas romances do Sudoeste da Europa; em azul o galego

A história da língua galega (ou história social ou história externa) pode-se resumir como sete séculos de normalidade, desde as suas origens quando se separa do latín galaico, ali pelo século IX, até a introdução do castelhano no século XV, e cinco séculos de conflitos, do S. XVI até os nossos dias.

Índice

Substratos do galego

Estela dedicada a uma defunta aristócrata galaico-romano telefonema Apana, Celtica Supertamárica e do povoado de "Miobre". II d.C.

Os primeiros habitantes da Galiza eram de origem preindoeuropea e ao igual que os indoeuropeos deixaram a sua pegada na língua galega. As informações de xeógrafos e historiadores grecolatinos, os restos arqueológicos e as similitudes linguísticas com outras zonas indicam que no noroeste peninsular coexistiron diferentes etnias desde o paleolítico até o século V a. C. Desta maneira, podemos falar de dois tipos de substratos [1]:

Substratos preindoeuropeos

Cronologicamente, estão situados na idade de pedra, e formam-nos diferentes etnias convivendo no noroeste da Península Ibérica. Consideranto a distribuição geográfica entre vozes próprias da Galiza e de outros lugares, podem-se diferenciar três grupos:

Substratos indoeuropeos

A partir do primeiro milénio antes de Cristo, deslocam até a península povos indoeuropeos que se superpoñen às etnias anteriores. Considerando as peculiaridades linguísticas, adopta-se falar de dois grupos:

As palavras tomaram-se às vezes directamente do celta, como foram lábio, laxe,lousa, lama, boroa, croio / coio, beijo, berro, bosta, billa, berço, bugallo, centola, seara, colmo (=palha), gancho, braña, virar, alpendre, touciño, tona... Noutras ocasiões, devido ao duradoiro contacto entre celtas e romanos, incorporaram-se ao latín: camisa, cuequinha, cavalo, carroça, cerveja... E também foi na toponimia onde temos herança léxica deixada pelos celtas: a terminação -obre ou -robe (Landrove, Lestrove, O Grove, Barallobre, Illobre, Anzobre, Callobre, Canzobre, Montrobe, Tiobre, Pantiñobre...), o sufixo -brica ou -briga, que significa fortaleza (Brigantium, Bergantiños, Coimbra...). Assim mesmo, há numerosos hidrónimos de origem celta, como Deva (=água), Limia (=fluir), Sar (=fluir torrencialmente), Sarela...[2]

O estrato latino

Retrato de uma mulher romana -possivelmente patricia- que mostra alto refinamento cultural atingido pelas letras latinas.

O Império romano alcança anexionar os povos galaicos a inícios praticamente do século I, case 200 anos depois da primeira colónia romana em Hispania . Esta tardia romanización do território da Gallaecia permitiu uma menor asimilación cultural e linguística, em comparasanza com o acontecido na maior parte parte da península ibérica. O latín será desde então o idioma reservado para as relações da aristocracia galaica com os funcionários do Império, motivando uma paseniña situação de bilingüismo que conduziria à adoptación do latín por parte das elites, especialmente trás a oficialización do cristianismo (ano 391) e o espallamento da liturxia romana (oficiada em latín ) entre a população. Contudo, a forte ruralización da Gallaecia e a escassa implantação de grandes urbes permitiu-lhes -como noutras zonas do Império- aos estamentos mais humildes (que supunham o groso da população) conservar grande parte dos seus costumes e língua, até uma data indeterminada da Idade Média.

Uma das características mais interessantes do latín adoptado na Gallaecia, vai ser o seu carácter altamente conservador, de modo que se consagrem muitas das formas mais antigas do latín, enquanto surgem novas inovações noutros lugares como na Galia ou Itália, motivando isto, que o galego mantenha mas for como; "páxaro" (passer), "medo" (metus), "comer" (comedere) ou "manhã" (maneana) no quanto de formas latinas mais recentes como avicellus, pavura, manducare, matutinu que sim se consagrariam em idiomas como o francês ou o italiano. As causas deste grande conservadurismo devem-se não só à situação geográfica da Gallaecia, senão também a que maior parte do funcionários públicos do Império romano que se instalaram nela, proviam da Baetica, zona temperamente romanizada (século II a.C) onde se falava um latín purista e muito clássico.

O latín é a base linguística mais importante do idioma galego, já que arredor de um 70 % das vozes patrimoniais galegas provem basicamente do latín coloquial. A seguir indicamos algumas palavras procedentes do latín que são exclusivas do galego e não aparecem noutras línguas [3]: cacho, lágrima, ânsia, garabullo, planície, intre, silva, pexego, relâmpago, lévedo, aloumiño, vasoira, com (rocha no mar)...

O processo de romanización também se deu noutros lugares, o que explica que da língua utilizada daquela, o latín vulgar, derivassem já na Idade Média os telefonemas línguas románicas (o occitano, arpetano, castelhano, o catalão, o astur-leonés, o romanés, o francês, o italiano etc.).

Superestratos post-latinos

Superestratos germânicos e britónicos

Assentamentos britanos arredor do s. VI d.C.

Das ondas celtas procedentes de Bretaña , estabelecidas na diocese de Britonia, conservam-se poucas palavras: os topónimos Bretoña (A Pastoriza), Bretoña (Barro), Bertonía, Bertoña... e o nome Mailoc. No ano 409 ou 410 estabeleceram no noroeste da península Ibérica os suevos, que não impuseram a sua língua, senão que assumiram a falada pelos galaico-romanos. Isto pôde dever-se a que era uma língua menos culta (não se conservam textos escritos em língua sueva), e a que a maioria dos chegados eram homens guerreiros que casaram com as mulheres galaicas, pelo que a língua materna seguiu sendo o latín vulgar. Os suevos (xermanos ocidentais) fundaram um reino no noroeste peninsular que durou case dois séculos, até o 585, ano no que se incorporam à monarquia visigoda.

Durante o reinado visigodo também não houve imposición da sua língua, pois desde a corte de Toledo mantiveram os costumes e línguas da zona. Os dois povos germânicos -suevos e visigodos- realizaram os seguintes contributos léxicos, denominados como superestrato, que se superpuxeron ao latín galaico:

Presta-mos mozárabes e árabes

Página do manuscrito do Corán num tipo de escrita desenvolto em al-Andalus, século XII.

O estabelecimento de um importante estado islâmico no centro e sul da península ibérica -conhecido como Emirato de Córdoba- já a começos do século VIII, vai propiciar um novo foco cultural e científico de prestígio no mundo ocidental durante a Idade Média. Se bem é certo que neste novo estado, a maior parte da população vai continuar a usar diferentes línguas latinas (mozárabes), o árabe, língua de poder político, religioso e cultural, vai-se impor paseniñamente incrementando enormemente o número de arabófonos.

Esta situação político-cultural, vai ter enorme trascendencia em todo o sudoeste da Europa, motivando a absorción de novas palavras previamente inexistentes nas línguas ocidentais como o galego, tais como as relacionadas com as matemáticas e a ciência; álxebra, álcool, algoritmo, alquimia, zero ou cifra, aquelas referidas às plantas ou alimentos de origem mediaterránea ou oriental; azeite, azafrán, cenoria, arroz, azucena, açúcar, limón, laranja, xarope ou algodón. O facto de que na Idade média existisse uma zona de contacto directo entre falantes de galego e árabe arredor da zona de Coimbra explica a entrada no galego de numerosos mos presta arábigos tais como: presidente da Câmara, alguacil, alférez, alfaiate, albane, albarda, alferga, alfoz, tapete ou alicate entre muitas outras.

É destacable ao mesmo tempo, a entrada indirecta no galego de léxico árabe, através de outras línguas que tiveram uma convivência mais estreita e duradoura com o árabe como foram o castelhano (com mais de 4000 arabismos) e os vocábulos propriamente portugueses (com uns 1000 arabismos aproximadamente), devido em grande parte às conquistas realizadas no sul da península ibérica mas também em zonas norte-africanas.

Do latín ao romance galego-português

Foro do Bom Burgo de Castro Caldelas, privilégio rodado do rei Afonso VIII. Primeiro documento real em língua galega. Allariz, 1228.

A evolução do latín coloquial falado na Gallaecia ocidental até o que hoje conhecimentos como língua galega, produziu-se de maneira progressiva, paseniña e portanto imperceptible. Esta constante evolução não permite marcar pois, um limite cronolóxico exacto no que este latín coloquial se convir-te em galego, mas no século VIII a língua da igreja e da administração era tão distante da falada que sim se podem reconhecer já dois sistemas diferentes: o latín e o galego. Nesta altura a nova língua, continuação de um latín coloquial próprio, cheio de rasgos linguísticos celtas e germânicos (entre outros), desempenhará o papel de ser própria dos registros informais, uma língua falada mas não escrita. Já desde o século IX aparecem documentos em latín com numerosos vozes romances (bem por descoñecento do latín, bem pela pressão da língua falada): ovelia, conelium, estrata, celleiro, auterio...

Não obstante, não aparecerão textos escritos em galego até finais do século XII, já que o latín continuava a ser a língua da cultura, dos documentos legais, da liturxia e do ensino, não só na Gallaecia romana, senão em toda a Europa medieval. Estamos ante uma evidente exodiglosia (diglosia entre duas línguas): uma língua para os usos formais, o latín, e outra para os usos não formais, o galego[5].

A finais do século XII e começos do XIII é quando o galego, igual que o resto das línguas romances, começa a usar na escrita. O documento mais antigo datado é a Notícia de Fiadores, de 1175 [6]. O documento literário mais antigo dos conhecidos hoje é a cantiga satírica Ora faz ost'o senhor de Navarra de Johan Soarez de Pávia, escrita arredor do ano 1200. Dos começos do século XIII datam os primeiros documentos não literários em galego, Notícia de Torto[7] (1211) e o Testamento de Afonso II de Portugal (1214). Recentemente foi achado o documento mais antigo escrito no actual território da Galiza, o qual data do ano 1228. Trata do Foro do bõ burgo de Castro Caldelas outorgado por Afonso IX em Abril do dito ano ao município de Allariz [8]. O mas antigo documento latino-galego-português, encontrado em Portugal, é chamado de Doação à Igreja de Sozello, encontra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, e é datado no ano 870[9].

Esplendor medieval do galego-português

Miniatura do Cancioneiro de Ajuda
Artigo principal: Galego-português.

Galiza constitui já desde o século VIII uma unidade política com os reinos das Astúrias e León; malia esta situação, chega a atingir uma certa autonomia que lhe permitiu conformar-se como reino independente em determinados momentos dos séculos X, XI e XII. Neste contexto o galego é a língua exclusiva no uso oral, com uma competência minguante do latín na escrita. Haver ser a pressão deste monolingüísmo oral o que leve no século XIII a uma situação de cooficialidade entre o galego e o latín:

As Cantigas de Santa María, composições feitas em louvor da Virxe, são a amostra da vertente religiosa desta lírica galego-portuguesa e constituem o corpus de poesia mariana medieval mais relevante de toda a Península. Foram compostas na corte de Afonso X o Sábio, quem se encarregou da direcção e, em ocasião, da própria elaboração. Exemplifican o prestígio atingido pelo idioma galego como língua literária a finais do século XIII.

Em comparação com a lírica, a prosa literária medieval em galego é escassa e tardia. É preciso ter em conta que os centros culturais da época eram os mosteiros e escolas monacais, nos que imperaba o uso do latín eclesiástico. Ainda assim, a partir de fins do XIII, e mais significativamente nos séculos XIV-XV, os temas de maior difusão na Europa medieval recolhem-se em língua galega. Amostra são os relatos do ciclo bretón arredor da figura do rei Artur, os textos referentes à história e destruição de Troia, como a História Troiana e a Crónica Troiana; e os Miragres de Santiago, conjunto de relatos que contam desde a destruição de Jerusalém até a milagrosa intervenção do Apóstolo em diferentes situações. Incluem-se alguns textos dentro da prosa, que são traduções ou translacións de outras línguas com elaboração própria: Crónica Geral Galega, General Estoria, Crónica Galega de 1404 e Crónica de Santa María de Iria.

De todas as maneiras, o rei Sábio criou a Escola de Tradutores de Toledo e o seu neto Dom Dinís funda em Portugal os Estudos Gerais, dois centros que tanto normalizarão a prosa castelhana e portuguesa como conseguirão a afixação de uma norma escrita, enquanto na Galiza continua certa anarquía gráfica e um fomento decrecente das obras em galego (sobretudo a partir da segunda metade do século XIV).

Divergências no galego-português

Página do Cancioneiro de Belém. Enquanto no Renacemento a língua adquiriu grande esplendor num Portugal independente, na Galiza a Coroa de Castela restrinxia severamente o seu uso.

Apesar de que em meados do século XII, o galego era a língua comum de um reino, Galiza (vulgaris Gallecie linguae), com a separação de Portugal e a sua conversión como reino independente, o galego vai passar a ser a língua de ambos os dois diferentes reinos, motivando este feito com que os lingüistas se refiram a esse galego medieval com o nome de "galego-português". Durante os séculos seguintes, XIII e XIV, o diferente devir histórico-político destes, vai ter grandes repercussões linguísticas e culturais que acabarão por estandarizar e normalizar o galego-português falado ao sul do rio Minho, enquanto que no norte não corre tanta sorte. Assim enquanto o reino de Portugal se mantinha independente e era governado por reis que lhe conferiron ao galego-português -daquela chamado nossa linguage ou vulgar- o estatus de língua oficial da sua administração (1290), a coroa galega era usurpada pelo rei castelhano Fernando III.

Como assinala Azevedo Maia [10], em seguida as formas escritas em Portugal começam a se homoxeneizar baixo a influência da corte enquanto que os escritos galegos vão sendo penetrados de castelanismos. O facto de que a partir de 1480 -durante o reinado dos Reis Católicos- os notários galegos tivessem que mudar os seus formularios galegos pelos castelhanos e tiveram que estudar obrigatoriamente em Castela , contribuiu ao processo de castelanización do galego escrito na Galiza.

Por outra parte, num território tão amplo (desde o Cantábrico até o Algarve) começam a aparecer dentro do galego-português pequenas divergências como a confusão das sibilantes surdas com as sonoras, variações em morfóxicas (disso face a disse..) ademais da introdução de uma série de elementos novos derivados da expansão do galego-português para o sul assim como do deslocamento da capital portuguesa a terras mais medirionais. Isto vai supor inovações linguísticas (especialmente no centro-sul de Portugal) que não afectarão a Galiza, e que sim se consolidam na corte portuguesa, fixada finalmente no sul (Lisboa).[11]

Já na Idade Moderna, a história da língua transcorreu de modo diferente ao sul e ao norte do rio Minho, o que justifica um estudo histórico particular para o caso propriamente galego.

O seguinte quadro mostra um anaco da cantiga de amor, Pois ante vós estou aqui, escrita pelo rei Dinís de Portugal (1261-1325) e recopilada no Cancioneiro da Biblioteca Vaticana. À sua direita e de modo comparativo, uma tradução correlativa em português e galego respectivamente:

Trás arrebatar a coroa à sua sobrinha Xoana, Sabê-la I de Castela perseguiu e desterrou a grande parte da nobreza galega, substituindoa por nobres chegados de Castela , iniciando assim o férreo processo de castelanización do reino da Galiza.
Galego-Português Português Galego
Pois ante vós estou aqui,

senhor deste meu coraçom,
por Deus, teede por razom,
por quanto mal por vós sofri,
de vos querer de mim doer
ou de me leixardes morrer.

Pois ante vós estou aqui,

senhor deste meu coração,
por Deus, teede por razão,
por qu anto mal por vós sofrim,
de vos querer de mim doer
ou de me deixardes morrer.

Pois ante vós estou aquí,

señor deste meu corazón,
por Deus, tende por razón,
por que nto mal por vós sufrín,
de vos querer de min doer
ou de me deixardes morrer.

Os Séculos escuros

Veja-se o artigo A literatura dos Séculos Escuros

Século XV

A finais da Idade Média (séculos XIV e XV), a língua e a literatura galegas entram num período de decadência, motivado pela perda do poder político do Reino da Galiza em favor de Castela . Diversos foram os factores que provocaram este progressivo decaemento, entre os que cabe sublinhar quatro:

Antonio de Nebrija redigiu a para os Reis Católicos a obra de "Gramática" castellana, presentandoo como instrumento dele império com o objecto -entre outros- de castelanizar aos reinos com língua própria como Galiza. Pintura de Juan de Zúñiga, que. 1517.
Em tiempo de los Reyes Católicos se incorporaram los Maestrazgos de las Ordenes Militares em la Corona. Sucedió la reforma de los monjes Pretos, y la de los monjes blancos havia precedido ele anho de 1440. Com esta ocasião se inundó Galiza de hombres no gallegos y castellanos: merinos, jueces, escribanos, curas de almas, etc. Eram provisiones de castellanos y quase não se dava algum empleo a gallegos naturales. Claro que ninguno de esos empleos podría actuar nele idioma gallego, ni perceber tampoco lo actuado. Hermanos, sobrinos, primos, parientes, paisanos y criados de los presenteros carregavam com todos los empleos y casi al mismo tiempo se introdujo la Audiência de la Corunha y com eso se aumentó ele número de los que na Galiza, ni hablaban, ni percebiam gallego y assim se introdujo ele abuso de escrever y actuar em castellano
—Extracto de Discurso apologético por ele arte de rastrear las más oportunas etimologías de las vozes vulgares, por Martiño Sarmiento, ano 1770.

Estes quatro factos afianzan gravemente o processo desgaleguizador nas classes altas da sociedade e impedem a consolidação do galego como língua literária. Neste sistema centralizador aparece, junto ao conceito de estado nacional", a necessidade de uniformización linguística como factor de coesão da nova estrutura política. Os Reis Católicos começam uma fase de uniformizacion linguística e, trás a execução de Pardo de Cela (1483) e a morte Pedro Madruga (1486) e sem oposição de senhores feudais, começam uma evidente centralización e castelanización da administração: dissolvem os exércitos dos nobres e acreditem a Santa Hermandad (uma espécie de polícia da coroa) e a Real Audiência (tribunal de justiça e órgão de governo), designam um gobernador para a Galiza e um Justiça Maior, colocam pessoas não galegas nos altos cargos eclesiásticos, etc.

É destacábel o ano 1480, durante o reinado dos Reis Católicos, porque se dita uma norma pela qual para exercer de escribán há que examinar-se em Toledo no Real Consejo (Real y Supremo Consejo de Castilla) para receber a licença (com formularios em castelhano), motivo pelo qual a documentação privada vai mudar de língua: nos séculos XIV e XV empregara-se case exclusivamente o galego em compras vendas, foros, testamentos, doações... mas a nova norma trará como consequência que no século XVI a língua notarial será exclusivamente a castelhana. Da mesma maneira, os documentos públicos das câmaras municipais, gremios e confrarias abandonarão a língua galega na primeira metade do século XVI [12]

A imprenta deu um importante pulo à difusão das línguas nacionais, pois a partir de agora a difusão da cultura incrementou-se notavelmente. Aparecem a finais do século XV obradoiros de imprenta em Mondoñedo e Monterrei[13] (o primeiro livro impresso na Galiza é o Missale auriense, em Monterrei, 1491[14]), mas a língua empregada será o latín ou o castelhano, de maneira que não aparecerá um livro impresso em galego até meados do século XIX. Não ocorreu o mesmo nos países de fala catalã, onde se imprimiron livros na língua própria durante toda a Idade Moderna (o primeiro em Valencia, Lês trobes em llaor de la Verge Maria)[15]

Séculos XVI e XVII

Diego Sarmiento de Acuña, conde de Gondomar foi um dos grandes aristócratas galegos dos séculos XVI e XVII, na sua correspondência privada encontram-se numerosas cartas em galego .

A língua galega, durante o comprido período de três séculos -XVI, XVII e XVIII denominados Séculos escuros- esteve praticamente ausente dos usos escritos, face ao castelhano e o português que entram num processo de afixação e codificación, o qual lhes confire a categoria de línguas de cultura. Assim, surgem as primeiras gramáticas das línguas vulgares: em 1492 Antonio de Nebrija acaba a sua Gramática castellana, em 1525 Pietro Bembo publica na Itália a Prose della volgar língua e Fernao de Oliveira fará o mesmo com a sua Gramatica da lingoagem portuguesa; mas o galego não terá gramática até o século XIX.

Assim mesmo, a Igreja galega começa a ser dirigida nos cargos mais importantes por dignidades alheias ao país, assim entre 1530 e 1830, dos 152 bispos que exerceram na Galiza, só 15 deles foram galegos, o resto maiormente castelhanos ou em calquer caso castelanfalantes. Desta maneira, começou substituição linguística: nos séculos XV e XVI, trás fases com as duas línguas (galego e castelhano) nos documentos eclesiásticos, a língua castelhana vai aumentando progressivamente quanto ao seu uso. Em 1562 no Concilio de Trento acorda-se o uso das línguas vernáculas no labor pastoral para perceber melhor a mensagem cristã, mas a Igreja galega optou pelo castelhano tanto para língua interna como para o contacto com os fiéis.

O processo centralizador e castelanizador perfeccionarase no reinado dos Habsburgo (séculos XVI e XVII) -e ainda aumentará mais no século seguinte com os monarcas da Casa de Borbón-. A língua galega será desprezada pelos âmbitos sócias elevados e afastará dos usos escritos, da cultura, da administração e da igreja. Apesar de que a nobreza e o clero se desgaleguizan, ao igual que todo o funcionarado real, a administração da justiça, o ensino e a literatura, a língua própria do noroeste segue a ser a via normal de comunicação de quase a totalidade da população -por exemplo, em 1532 enviouselle um parecer a Carlos V afirmando que os documentos vinham em castelhano e esta língua conhecia-se com dificuldade-.

Assim e tudo, devemos deixar constancia de que o exclusivo uso oral do galego levou-a à dialectalización e a fragmentação e, portanto, à sua consideração geral como língua aliteraria, incapacitada para a ciência e a cultura. A nossa literatura fica assim à margem do Renacemento e do Barroco, coincidindo paradoxalmente o século mais escuro para o galego, com o Século de Ouro da literatura castelhana. Possuímos algumas cartas (como algumas dirigidas a Diego Sarmiento de Acuña, conde de Gondomar), algum documento e escassas amostras literárias em galego que nos deixam ver a língua da época. Parelelamente a este esvazio de literatura erudita, pervive a veia da lírica popular em forma de cantigas de berço, de cego, carnavais, adivinhas, lendas, romances, contos, farsas etc. Muitos deles chegaram até hoje por transmissão oral.

Século XVIII

O ilustrado bercián Martiño Sarmiento é o primeiro em reivindicar o ensino em galego.

A partir de 1707 , os monarcas da Casa de Borbón potenciam um forte centralización do estado. Desta maneira, Filipe V pretendeu uniformar as sáus coroas hispânicas com o Decreto de Nueva Planta (pois Países Catalães e Aragón ainda possuíam algumas liberdades políticas). E seguindo nesta tese uniformizadora, Carlos III sentencia em 1768 na Real Cédula de Aranjuez que:

la enseñanza de primeras letras, Latinidad y Retórica se haga em lengua castellana, generalmente, donde quiera que se pratique, cuidando de su cumplimiento las audiências e justicias respectivas, recomendando-se también por ele mi consejo a los Diocesanos, Universidade y superiores regulares para su exacta observancia, y diligencia em extender ele idioma general de la nação para su mayor harmonia y enlace recíproco.

No século XVIII surgem as vozes de denúncia dos chamados "ilustrados", que demonstram a sua inquietação pelo subdesenvolvemento do reino da Galiza e oferecem propostas renovadoras da vida económica, social e cultural. Entre este minoritário grupo de intelectuais despunta com força a figura do Padre Frei Martín Sarmiento, personagem polifacético -naturista, lingüista e bibliófilo- que defendeu o uso do galego no ensino, na administração e na Igreja, isto é, a sua normalização como língua própria dos galegos. Sarmiento explicava nos seus escritos:

Y siendo ele latín lengua antiquada para los gallegos, és me as necessário que ya que na que no la amam, la estudien. Y és bárbara crueldad y necedad excusada que unos forasteros enseñen a los ninhos gallegos mediante la lengua castellana que no sabem, la lengua antiquada que no devem saber, y castigándoles sim se lês escapa alguna voz o frase gallega de las que hão mamado. Todo maestro de Gramática que no fuera gallego y erudito em su lengua pátria, se deve excluir de ser maestro de ninhos gallegos, aunque sea um Cicerón o um Quintiliano.

Participou especialmente também nesta defesa da língua o Padre Feixoo, o primeiro em rejeitar a condição de dialecto" para o galego e reivindicar o seu status de língua, e o Padre Sobreira, continuador do labor lexicográfico de Sarmiento. A obra dos ilustrados mencionados constituiu o primeiro telefonema de atenção de uma problemática linguística que se haver manifestar em toda a sua extensão na segunda metade do século XIX.

O galego do séc. XIX e o Rexurdimento

Divisão territorial de Espanha em 1833 por regiões. Desaparece a denominación Reino da Galiza

Ao longo do século XIX, Espanha foi abandonando as estruturas do Antigo Regime e introduzindo paulatinamente o capitalismo e liberalismo político. No primeiro terço de século houve alternancia de períodos liberais com outros absolutistas, e trás a guerra carlista (1839) assenta-se o liberalismo, começando assim um processo de centralización e uniformización territorial. Galiza passou de ser um reino com sete províncias estruturadas em freguesias a uma região com quatro províncias e trezentas câmaras municipais dirigidas por um gobernador e um presidente da Câmara, os quais eram colocados pelo poder central.

Por causa da invasão francesa (1809) e dos confrontos entre absolutistas e liberais, surgem os primeiros textos escritos em galego, impressos em folhas soltas ou em jornais, com fins propagandísticos. Uns chamam ao campesiñado à defesa do país, e outros defendem as ideias liberais. As Cortes de Cádiz instauraram a começos do século XIX o serviço militar obrigatório, como resposta às tropas napoleónicas. Até aquela altura a militancia no exército era voluntária e retribuída, mas o conflito com os franceses, assim como depois com as insurreccións na América do Norte e as guerras carlistas, fizeram com que o serviço durasse, segundo a época, entre 3 e 8 anos. Começava com 20 ou 21 anos, e dado que a língua das esquadras era o castelhano, trouxe a Galiza muito léxico desta língua, tanto técnico coma de jargão popular, incluídas palavras malsoantes e blasfemias.

Ao longo do século, trás o fim do absolutismo e o início da monarquia constitucional, nascem diversos movimentos galeguistas baseados na defesa da singularidade e da personalidade diferenciada da Galiza. O primeiro deles, aparecido para os anos 40, foi o "Provincialismo", integrado principalmente por jovens universitários procedentes da fidalguía. Este movimento progressista e galeguista denunciava a marxinación social do país e procurava a valoração social da sua arte, dos costumes e da história. A imprensa foi o método principal de propagación do Provincialismo: Ele Centinela da Galiza, Ele Emancipador Gallego, La Situação da Galiza... Mas esta primeira promoção de galeguistas viram-se apartados da política depois do seu apoio ao fracassado levantamento militar de Solís -fusilamento dos Mártires de Carral- e refugiaram no mundo da cultura e da literatura.

A lei Moyano (1857) obriga à alfabetización em castelhano

O Estado criou um sistema tributário (1845) e legislativo (1851) comum, e a Ley de Instrucción Pública de 1857 (chamada lei Moyano, e que estará em vigor até 1970) declara obrigatório o ensino primário e a alfabetización em castelhano. A sociedade galega era de base agrária, pois 90% das pessoas eram camponeses e marinheiros, sobre a qual estava assentada uma fidalguía rural perceptora das rendas agrárias e uma burguesía comercial forânea (catalão, bascos, castelhanos, maragatos...). Finalmente, as classes dirigentes pertenciam à administração, ao clero e ao exército e seguiam empregando o castelhano.

A segunda geração galeguista surge a partir de 1855-1865, quando um grupo de intelectuais (Vicetto, Manuel Murguía, A. Aguirre, Eduardo Pondal...) participam no federalismo da primeira República. Mais tarde conformarão o movimento denominado Rexionalismo, no qual compaxinan cultura e política, fazendo da língua a sua preocupação primordial. Este movimento rexionalista organizará numa força política própria denominada Associação Regionalista Gallega (1891), a primeira do galeguismo, que terá as suas bases teóricas nele regionalismo (1889) de Alfredo Brañas (e nele regionalismo gallego de Manuel Murguía). Nas Bases Generales dele Regionalismo, Brañas defende uma convivência equilibrada entre as duas línguas:

Ele Regionalismo, que profesa ele dogma de las dos pátrias, és decir, de la pátria comum espanhola y de la regional, admite como necessários, armónicos y mutuamente complementares dos lenguajes: ele comum y ele regional Ele lenguaje regional gallego será de uso potestativo entre los naturales de nuestra región, tanto em la esfera oficial y pública como em la privada y obligatorio em la escuelas primárias em concurrencia com ele castellano
Rosalía de Castro, uma das principais figuras do Rexurdimento

No caminho do afianzamento linguístico e literário, celebram na Corunha os primeiros Jogos Florais em 1861 . As composições premiadas, junto com amostras da poesia contemporânea, recolhem-se um ano mais tarde no Álbum de la Caridad (primeira antologia do Rexurdimento galego). Rexurdimento é o nome com o que se conhece o século XIX na história da nossa literatura, e expressa nidiamente o que foi uma trajectória de recuperação não só literária, senão também cultural, política e histórica. O primeiro livro em galego publicado no S. XIX é A gaita gallega, de Xoán Manuel Pintos no 1852 mas é a publicação em 1863 de Cantares Gallegos, da mão da excelsa poeta Rosalía de Castro, a que inaugura o Rexurdimento pleno.

Ano frutífero em publicações foi 1880, pois nele saem à luz composições dos autores demais são desta etapa: Folhas Novas, de Rosalía de Castro, Ares da minha terra de Curros Enríquez, e Saudades gallegas de Lamas Carvajal. Seis anos depois aparece Queixumes dos pinos, de Eduardo Pondal. Rosalía de Castro transcende com a qualidade da sua obra as nossas fronteiras para se incorporar à história da literatura universal, ao que se lhe suma o mérito de que o seu Cantares Gallegos em seguida se fizeram muito populares.

Curros Enríquez foi um dos escritores preferidos pelos leitores do seu tempo. Sem dúvida porque com a sua poesia denunciou as injustiças (foros, opresión, emigración...) e defendeu as ideias de progresso. Assentou uma tradição de poesia combativa comprometida que continuarão numerosos autores (Ramón Cabanillas, Celso Emilio Ferreiro...). Pondal, autor do Hino galego, buscou as raízes prehistóricas do seu povo, salientando o elemento culto, para engrandecê-lo a partir da sua individualidade. Tentou afianzar o galego como língua literária e culta. Os lindes da nossa literatura vão-se alargando de vagar desde a lírica até a narrativa, o ensaio e a prosa didáctica.

Lamas potenciou o galego com imprensa monolingüe

A consolidação da prosa galega não se produz até o século XX, mas a fins do XIX há já precedentes destacáveis: Maxina ou a filha espúrea, (1880) de Marcial Valladares, primeiro romance galego contemporânea. Obra de grande são-na entre as classes populares foi O catecismo do lavrador de Lamas Carvajal. Os romances A tecedeira de Bonaval, O Castelo de Pambre e O ninho de Pombas convertem a Antonio López Ferreiro no melhor prosista da época. O género teatral foi o menos cultivado, pois desde a publicação da Casamenteira em 1812 até a década dos oitenta não houve actividade editorial relacionada com o teatro.

Nas últimas décadas do XIX nascem as primeiras gramáticas e dicionários da língua galega, essenciais para a sua normalização: Compendio de gramática gallega-castellana de Francisco Mirás (1864), Diccionario gallego-castellano (1865) de Francisco Xavier Rodríguez, Gramática Gallega (1868) de Saco y Arce (um estudo sério do idioma)...

A presença da língua galega nos jornais contribui grandemente a prestixiar o idioma. No ano 1876 edita-se, promovido por Valentín Lamas Carvajal, o pioneiro dos jornais integramente em galego, O Tio Marcos da Portela. O sucesso deste jornal, com marcado carácter anticaciquil, resultou espectacular, de maneira que chegou a ter uma tiraxe de 4000 exemplares (quando o habitual era não passar de 2000)[16]. Entre os anos 1886 e 1888 vai-se consolidando o jornalismo na Galiza, com o aparecimento de novas iniciativas monolingües: O Galiciano e A Tia Catuxa, em Pontevedra ; A Monteira e O Lavrador em Lugo; As Burgas, em Ourense ; e O Fungueiro, na Corunha.

Para acabar, vejamos as principais características sociolingüísticas do século XIX [17]:

O galego do século XX

Início do século XX

Real Academia Galega

A começos do século XX constata-se uma recuperação do galego como idioma literário, cultural e histórico; ao mesmo tempo patentízase um descenso no nível de uso oral. A língua galega não vive ainda uma situação normalizada e isso provoca um retrocesso em meios sociais -classes altas e médias- e em âmbitos geográficos -urbanos- concretos. Porém, paseniñamente, o galego consegue aceder a novos âmbitos de uso, que até o de então lhe estavam vedados: ensaio, narrativa, discursos políticos, actos públicos etcétera.

Antón Vilar Põe-te foi um importante membro das Irmandades da Fala

De especial relevo para a língua galega no começo de século foi a fundação, em 1906 , da Real Academia Galega, por iniciativa de Fontenla Leal e Curros Enríquez (trás várias tentativas fallidos a finais do século XIX). Esta instituição começou a publicar um Boletim e a elaborar um dicionário (ainda que não se passou da letra C), mas o seu trabalho científico foi praticamente nulo.

O contexto sócio-político contrasta com a prolífica actividade cultural. A sociedade galega dos começos do XX seguia a caracterizar pela concentração do poder económico em sectores minoritários, por um sistema agrícola ainda feudal e por uma crescente emigración que ia esvaziando o país. Agroman associações agrárias que canalizam os protestos sociais e atingem grande resonancia no campesiñado, como foi o caso de Acção Gallega. A tomada de consciência dos camponeses, fomentada pelo seu acesso à propriedade da terra, unida à evolução do galeguismo para o nacionalismo, provoca um salto cualitativo na utilização da língua.

“A nossa língua é o caminho de ouro da nossa redenção e do nosso progresso: sem a língua morreremos como povo, e nada significarmeos endexamais na cultura universal. [...] Eu penso que as únicas setas que vão sempre rectas a furar o branco do futuro são aquelas que se atiram valendo do arco da nossa língua, já que só então nos mostramos originais. Esses que vivem de costas às origens dificilmente poderão redimirse da servidão do mimetismo. Que coisa mais original que a língua de um povo, gerada por acções e reacções seculares entre o homem e a Natureza, para fazê-lo diverso no universo?”
Nacionalismo gallego. Nuestra afirmação regional (1916), por Antón Vilar Põe-te)[18].

O nacionalismo está tão vencellado ao idioma como esencia de identidade colectiva, que as suas primeiras manifestações constituem-nas as Irmandades da Fala. Criadas para a defesa, dignificación e cultivo do idioma, a primeira Irmandade da Fala funda na Corunha em 1916 . Seguem-na outras repartidas pelas principais cidades e vilas da Galiza (Ferrol, Ourense, Betanzos, Santiago...). Para o espallamento do seu ideário criaram um jornal de expressão totalmente em galego: A nossa Terra. Os seus membros mais destacáveis foram os irmãos Vilar Põe-te, Losada Diéguez, Vicente Risco, Ramón Cabanillas etc.

A nossa Terra foi o porta-voz de Solidaridad Gallega (1907-1908), das Irmandades da Fala (1916-1932) e do Partido Galeguista (1932-1936)

Em 1918 celebram a "I Asamblea Nazonalista Galega", que teve como conclusões a reivindicação da autonomia integral, da oficialización da língua e da inclusão da Galiza na Sociedade de Nações de Genebra . As Irmandades promoveram a elaboração de dicionários e gramáticas, estudos linguísticos e reivindicaram a presença do galego na Administração e no ensino. Deram-lhe pulo à actividade editorial nas principais cidades galegas: Céltiga em Ferrol, Lar na Corunha, Alborada em Pontevedra, e muitas outras, ademais de frequentes secções em galego na imprensa em castelhano. Neste contexto aparece a Revista Nós, da mão de Vicente Risco, Otero Pedrayo e Florentino Cuevillas, que conformam o conhecido "Grupo Nós". A eles liga-se a figura de Alfonso Daniel Rodríguez Castelao.

Anos 20 e 30

Os membros de "Nós", com uma ampla formação intelectual, marcam como finalidade a eliminação do lastre do folclorismo da cultura galega, mediante a sua actualização, normalização e universalización[19]. A revista Nós contava com a colaboração de autores estrangeiros (portugueses, irlandeses, catalães, franceses...), que a punham em contacto com as correntes européias, ademais de traduções variadas e artigos tanto de carácter científico -arqueologia, etnografía, antropologia, sociologia...- coma literários. Na editorial Lar, dirigida por Leandro Carré Alvarellos e administrada por Ánxel Casal, publicaronnse romances de diversos autores galegos.

Lugrís Freire publica uma gramática galega em 1922.

Do ano 1922 é a primeira gramática escrita totalmente em língua galega, a Gramática do idioma galego, obra de Manuel Lugrís Freire[20]. Anteriormente já se realizaram alguns estudos linguísticos destacáveis coma o Elementos de gramática histórica gallega (1909), obra de Vicente García de Diego ou o Diccionario galego castelhano da RAG, de 1913, que ficou inacabado. Posterior à gramática de Lugrís Freire é o Diccionario galego-castelhano de Leandro Carré Alvarellos, publicado no ano 1928.

O Seminário de Estudos Galegos tinha por objectivo o estudo da cultura galega

O emprego do galego em estudos científicos potenciou com a criação do Seminário de Estudos Galegos (1923), dedicado a investigações sobre a realidade galega e ao estudo de todas as suas manifestações. Foi fundado por um grupo de jovens universitários, como Fermín Bouza Brey, Xosé Filgueira Valverde, Lois Tobío... e em seguida se somaram outros como Ricardo Carvalho Calero, Antón Fraguas ou Xaquín Lorenzo. O Seminário realizou e publicou trabalhos científicos, entre os que podemos mencionar estudos lexicográficos e fonéticos, elaboração de umas normas ortográficas, tradução de clássicos literários ao galego, obras sobre pedagogia e o ensino, etc.

A obra literária destes intelectuais, que recuperam campos como o ensaio abrindo novos horizontes, outorga à prosa galega um grau de desenvolvimento pleno e integra a nossa cultura no contexto europeu: Arredor de sim, Devalar ou Os caminhos da vida, de Ramón Otero Pedrayo e Os europeus em Abrantes e O porco de pé, de Vicente Risco, são títulos que forneceram à nossa literatura -ao lhe incorporar temáticas universalistas, lendarias e exóticas, urbanas e pensamentos filosóficos- de novas técnicas de criação que se estavam a desenvolver na literatura européia.

Castelao foi um dos artífices do primeiro Estatuto da Galiza

A fraca tradição do género dramático recebeu um pulo com a criação desde as Irmandades do Conservatorio Nacional de Arte Galega, em 1919 , que logo passa a ser Escola Dramática Galega. Os movimentos europeus de vanguarda não lhe resultam alheios à lírica galega. Os autores do telefonema "Geração do 25" -Manuel Antonio, Luis Amado Carballo, Bouza Brey- demonstraram uma grande vontade de orixinalidade criativa que passa pelo confronto aberto com as formas tradicionais de poesia.

Merece menção à parte a figura polifacética de Castelao . É um clássico da literatura galega em todas as áreas nas que se manifesta a sua arte: romance, teatro, narrativa breve e ensaio político —Sempre na Galiza obra mestre do nacionalismo galego— e outras obras que reflectem conjuntamente a sua capacidade como debuxante e literato. Castelao entranha uma grande significação política plasmada na sua obra ensaística e na sua participação activa e directa na política do país (Deputado da República nas filas do Partido Galeguista).

A guerra civil espanhola impediu que o Estatuto Galego se aplicasse

Em 1931 acredite-se o Partido Galeguista, que promove a aprovação em referendo do Estatuto de Autonomia da Galiza em 1936 , no que a língua galega adquire por vez primeira o reconhecimento de idioma oficial da Galiza". Este logro importantísimo não chegou a ter aplicação prática na realidade por causa do estoupido da Guerra Civil (1936), que supôs o princípio da mais crua etapa para as línguas não oficiais do Estado espanhol.

Quanto aos médios de comunicação, o uso do galego não passava de anecdótico, a não ser nas publicações galeguistas. Tanto os jornais galegos como a rádio, a qual se assenta entre os anos 1932 e 1935 na Galiza, empregam quase exclusivamente o castelhano. O médio radiofónico ajudou a incrementar a presença do espanhol, já que a imprensa tinha a pexa do elevado analfabetismo ainda existente nesta altura, barreira facilmente superábel pela rádio.

Por sua parte, a Igreja empregava como língua de culto o castelhano alternando com o latín, excepto em alguns foros minoritários galeguistas que acreditem alguns textos religiosos -a revista Logos (1931), as Orações da mañán (1933)- ou o colectivo Deus Fratesque Gallaetiae (1935).

Em resumo, observamos uma recuperação funcional do galego no primeiro terço do século XX na cultura, na literatura, na ciência e na política (o único partido monolingüe em galego foi o Partido Galeguista). Assim e tudo, o castelhano segue sendo a língua de prestígio e é a única empregado no sistema escolar, a habitual dos jornais, a única da rádio -na Galiza começam emissões radiofónicas em 1932-, a da Igreja e a das classes dirigentes; por tudo isto, o número de galego-falantes continuou diminuindo paseniñamente.

Do 36 aos anos 50

A ditadura franquista defendeu um único idioma: o espanhol
Panfleto de 1942 , A Corunha

O remate da Guerra Civil espanhola e o início do franquismo provocou o desaparecimento da língua galega da cena pública, do ensino e das actividades sócio-económicas, pois na prática ficou proibida qualquer manifestação linguística nos idiomas vernáculos que não fossem o espanhol[21]. As organizações políticas e inclusive as que eram exclusivamente de âmbito cultural, como o Seminário de Estudos Galegos, foram dissolvidas e os seus fundos requisados. Aqueles que tiveram como única via o exílio -Castelao, Eduardo Blanco Amor, Luis Seoane, Rafael Dieste...- foram quem de manter viva a chama da cultura, do idioma e da identidade da Galiza. O desenvolvimento cultural galego tem agora o seu palco na Argentina, Venezuela, México, Cuba... Nestes países surgiram iniciativas culturais em língua galega (editoriais, revistas, programas de rádio -como Galiza Emigrante-, etcétera).

Nestes anos, a situação social do galego viu-se agravada com a obrigatoriedade da escolaridade no nível básico em todo o Estado e, posteriormente, com a popularización dos médios de comunicação (imprensa escrita e rádio), que tinham o castelhano como único veículo de expressão, ademais de estarem sujeitos a uma censura prévia.

“Tem a Galiza um idioma proprio?
Estamos fartos de saber que o povo galego fala um idioma de seu, filho do latín, irmão do castelhano e pai do português. Idioma apto e ajeitado para ser veículo de uma cultura moderna e com o que ainda podemos comunicar-nos com mais de sessenta milhões de almas.”
Castelao Sempre na Galiza (1944)

O contexto adverso não alcançou apagar o espírito do galeguismo, que, timidamente, começa a se manifestar no âmbito cultural. Em 1946 -47 publicam-se quatro obras de poesia. Passos decisivos foram a colecção de poesia Benito Soto, a editora Bibliófilos Galegos e o suplemento semanal bilingue do jornal santiagués “La Noche”.

A peça chave na que se assenta esta recuperação dos usos escritos é a criação da Editora Galaxia em 1950 . Os seus principais promotores, Otero Pedrayo, Francisco Fernández dele Riego, Xaime Isola Couto, Ramón Pinheiro e outros, evidenciaron de novo a validade do idioma galego para qualquer género ou temática. Galaxia converte no eixo de diversas publicações periódicas:Revista de Economia da Galiza, a revista de cultura e arte Atlántida e a de pensamento Grial —proibida ao ano seguinte do seu nascimento-. Outras empresas literárias destacables são a colecção de poesia Benito Soto (dirigida por Celso Emilio Ferreiro), a colecção Xistral, a editora Monterrey, a editora Bibliófilos Gallegos e o suplemento semanal literário do diário compostelán La Noche.

A década dos 60

A partir de 1960 vai-se produzir um conjunto de mudanças no âmbito económico e social que se acompanham de uma leve atenuación da censura. Exemplos deste aperturismo foram a possibilidade de publicações antes proibidas como Grial a instauración da celebração por parte da Real Academia Galega do Dia das Letras Galegas, a ampliação do mundo editorial com Ediciós do Castro, as novas associações culturais em defesa do galego: O Tocha, O Galo, Abrente, a Associação Cultural de Vigo... A Universidade galega não fica à margem das inquietações e tomada parte activa em 1965 , pois nos planos de estudo da Faculdade de Filosofia e Letras de Santiago de Compostela acredite-se a Cátedra de Língua e Literatura Galegas, a cargo de Ricardo Carvalho Calero. Seis anos depois nasce o Instituto da Língua Galega (1971), com uma obra investigadora desenvolvida até os nossos dias.

O galego entra na Universidade em 1965.

Nos anos cinquenta a produção literária na península inicia de novo o seu caminho de forma mais sólida. Mais uma vez foi a lírica a encarregado de iniciar o renacer literário. Comprida noite de pedra, de Celso Emilio Ferreiro, em 1962 representa a linha social e cívico caracterizadora da poesia dos anos sessenta. Lueiro Rey, Bernardino Graña e Manuel María, são alguns dos autores desta lírica que tenta conjugar o discurso político com o literário. Em 1963, com o gallo do centenário da publicação de Cantares gallegos de Rosalía de Castro, a Real Academia Galega institui a efeméride das Letras Galegas cada 17 de Maio.

A narrativa galega sofre um vazio desde 1936 até 1951, quando Carvalho Calero publica o seu primeiro romance, A gente da Barreira. Entre os anos cinquenta e sessenta três grandes autores, Álvaro Cunqueiro, Blanco Amor e Ánxel Fole, desde as suas peculiares formas de narrar, acreditem uma obra de reconhecida altura universal. Na década dos sessenta Gonzalo Rodríguez Mourullo, Xosé Luís Méndez Ferrín, entre outros, fazem-se eco das inovações da narrativa européia, constituindo o que se deu em chamar "Nova Narrativa", movimento renovador e revitalizador da nossa prosa.

Pelo que respeita à Igreja galega, as altas dignidades eclesiásticas e a maioria dos sacerdotes seguem negando o uso do galego na liturxia, ainda que existiram alguns sectores muito minoritários que trabalhavam pela galeguización (como Xosé Alvilares Moure). Surgiu uma polémica no ano 1963 porque o Concilio Vaticano II aprovava a introdução das línguas vernáculas nas celebrações religiosas, mas o Boletim Oficial do Arcebispado (1964) não teve em conta o galego. Só se conseguirá a permissão da utilização do galego no ano 1969. Assim e tudo, cabe salientar dois fitos do galeguismo religioso: a criação da Sociedade de Estudios, Publicações e Trabalhos (SEPT) com o objectivo de difundir publicações religiosas em galego, e a fundação do colectivo Os Irmandiños (1966).

Nos 60 a televisão emitia exclusivamente em castelhano

Os meios de comunicação de massas incrementam de maneira espectacular a sua influência na sociedade galega, generalizando-se a rádio e aparecendo a televisão nos anos sessenta. De novo, o espanhol segue incrementando a sua presença:

Anos 70 e 80

Literatura

A instauración da democracia permitiu a consolidação dos géneros anteriores e a abertura de novos horizontes nos diferentes campos literários em resposta às exigências de uma sociedade livre. Galiza passou de ser um país produtor de poesia maioritariamente a interessar e implicar a muita mais gente nos livros que produz, que vão desde diversos tipos de ensaio (sociolingüístico e literário- Basilio Losada, Francisco Pilhado...- teolóxico e religioso - Torres Queiruga, Xosé Chao Rego..., filosófico - Felipe Martínez Marzoa...- histórico - Ramón Villares, Felipe Senén, Xosé Ramón Barreiro...) a livros de crónica política, revistas, ...

A literatura galega é um dos sectores mais normalizados

Em narrativa as tendências são muito variadas e os autores que se deram a conhecer antes do 75 (como María Xosé Queizán, Alfredo Conde, Paco Martín etc.) unem-se numa muito heterogénea nómina de narradores (Víctor Freixanes, Xavier Alcalá, Carlos Reigosa, Suso de Toro, Manuel Rivas, Agustín Fernández Paz...) que alargam as modalidades narrativas (romance histórico, policial, erótica, realista etc). A edição de livros destinados aos leitores mais novos em colecções infantis (Merlín, Sotelo Blanco Infantil etc) e juvenis (Xabarín, Doce por vintedous, Fora de jogo, Gaivota, Árvore etc.) é uma dos grandes contributos à normalização da nossa literatura.

A poesia também se renova. Xosé Luís Méndez Ferrín e Arcadio López Casanova marcam com o aparecimento dos seus poemarios no 1976 a direcção para mais uma poesia rica e aberta a múltiplas influências. Darío Xohán Cabana, Xulio López Valcárcel, Claudio Rodríguez Fer, Manuel Rivas e muitíssimos autores estão contribuindo a continuar engrandecendo um género assentado desde os inícios da nossa literatura na Idade Média.

O género dramático experimentou fundas transformações na segunda metade do XX. A obra de autores da imediata posguerra, como Álvaro Cunqueiro ou Ricardo Carvalho Calero, convive com a obra dos novos -Manuel María, Roberto Vidal Bolaño, Manuel Lourenzo...-, que buscam a ruptura formal. Todos eles abrem o mundo teatral às mais novidosas tendências. É destacável a aparecimento a finais dos anos 60 e princípios dos 70 do fenômeno dos Grupos de Teatro Independente (O Tocha, Teatro Circo...). Nestes anos proliferan associações que tratam de potenciar o teatro, especialmente mediante o achegamento a um público juvenil.

Legislação

No ano 1978, Galiza, igual que o resto do Estado, volta a contar com uma Constituição democrática que no seu articulado proclama a "vontade de proteger todos os espanhóis e povos de Espanha no exercício dos direitos humanos, as suas culturas e tradições, línguas e instituições", ao tempo que senta as bases de uma nova configuração jurídico-política: o Estado das Autonomias. Vejamos o artigo terceiro da Constituição espanhola:

art. 3-1. O castelhano é a língua espanhola oficial do estado. Todos os espanhóis têm o dever de conhecê-la e o direito de usá-la

art. 3-2 As demais línguas espanholas serão também oficiais nas respectivas Comunidades Autónomas de acordo com os seus Estatutos

art. 3-3. A riqueza das diferentes modalidades linguísticas de Espanha é um património cultural que será objecto de especial respeito e protecção
No curso 79-80 começa o ensino do galego na escola

Com o regime democrático Galiza converte-se em Comunidade Autónoma, tendo como línguas oficiais o galego e o castelhano, ainda que a Constituição marca o direito e o dever de conhecer o castelhano mas só o direito de conhecer o galego para os cidadãos galegos, o que provoca uma cooficialidade asimétrica. Durante os primeiros anos da preautonomía e da autonomia as medidas de fomento do galego centraram no ensino[22], assim o decreto de 20 de Julho de 1979 permitiu a incorporação do galego ao ensino como matéria. Então, estabeleceu no sistema educativo um polémico Decreto do Bilingüismo, que estabelecia o ensino do galego, e permitia o ensino em galego, mas neste último caso tinha que ter como condicionante a aprovação dos pais ou titores (cuja opinião era manipulábel e estava carregada com prejuízos negativos com a língua que acostumavam falar), o que produziu estudantado e professorado represaliado por vários institutos e colégios da comunidade galega.

No ano 1980, trás um comprido processo de debate, aprovou-se o Estatuto de Autonomia da Galiza. No Título Preliminar estabelece no artigo 5 o seguinte:

art. 5-1. A língua própria da Galiza é o galego.

art. 5-2. Os idiomas galego e castelhano são oficiais da Galiza e todos têm o direito dos conhecer e dos usar.

art. 5-3. Os poderes públicos da Galiza garantirão o uso normal e oficial dos dois idiomas e potenciarão o emprego do galego em todos os planos da vida pública, cultural e informativa, e disporão os meios necessários para facilitar o seu conhecimento.

art. 5-4. Ninguém poderá ser discriminado por causa de língua
O mundo da justiça usa o castelhano maioritariamente, sobretudo nos usos formais

Pela primeira vez na história legal do país reconhece-se o galego como a própria da Galiza, mas também há que mencionar que só há o direito de conhecer galego e castelhano, enquanto que na Constituição sim havia o dever de conhecer o espanhol e não as outras línguas ibéricas. Portanto, fica claramente manifesto o desequilíbrio legal a favor da língua estatal e em contra das demais.

Posteriormente o Parlamento galego aprova por unanimidade a Lei de Normalização Linguística (1983), o instrumento mais importante de planeamento linguística, que incluía no artigo primeiro o dever de conhecer o galego, mas este ponto foi suprimido por sentença do Tribunal Constitucional ante um recurso apresentado por Domingo García-Sabell, delegado do Governo central na Galiza e à vez presidente da RAG. Em virtude da LNL o galego entra como matéria e língua, canda o castelhano, vehicular do ensino. Vejamos alguns dos artigos mais relevantes:

art. 2. Os poderes públicos da Galiza garantirão o uso normal do galego e do castelhano, línguas oficiais da Comunidade Autónoma.

art. 4-1. O galego, como língua própria da Galiza, é língua oficial da Comunidade Autónoma, da sua Administração, da Administração Local e das Entidades Públicas dependentes da Comunidade Autónoma.

art. 6-4. A Junta ditará as disposições necessárias para a normalização progressiva do uso do galego. As Corporação Locais deverão fazê-lo de acordo com as normas recolhidas nesta lei.

art. 10-1. Os topónimos da Galiza terão como única forma oficial a galega.

art. 12-1. O galego, como língua própria da Galiza, é também língua oficial no ensino em todos os níveis educativos.

art. 18. O galego será a língua usual da rádio e da televisão e nos demais meios de comunicação social submetidos a gestão ou competência das instituições da Comunidade Autónoma.

Paralelamente a uma legislação reguladora dos usos do idioma, cumpria a elaboração de uma língua estándar. O Instituto da Língua Galega (criado em 1971 ) e a Real Academia Galega propõem em 1982 as Normas ortográficas e morfolóxico do idioma galego, que atingem o carácter de oficiais com a promulgação da Lei de Normalização Linguística. A revisão mais recente destas Normas, que integra em parte algumas posturas reintegracionistas, é de 2003 .

Igreja

A Igreja mostra um claro exemplo diglósico

Pelo que respeita ao uso da língua na Igreja galega, um estudo coordenado por Daniel López Muñoz[23] (1989) mostrava que 86% dos párrocos usam só o castelhano na liturxia, 4% usa só o galego nas missas e um 10% fã uso das duas línguas. A diglosia é evidente, pois já fora da igreja e em contextos informais, 73% dos párrocos manifestam falar em galego como língua habitual, 24% empregam ambas as línguas e só 3% usa o espanhol em exclusiva. Portanto a Igreja tem-se considerado como um dos agentes mais castelanizadores.

Assim e tudo, há persoeiros destacados na introdução ou defesa do galego no mundo eclesiástico, como são Xosé Chao Rego, Victorino Pérez Prieto e Andrés Torres Queiruga, vencellados à revista Encrucillada, aparecida em 1977 . Em 1979 surge a Associação de Crentes Galegos Irimia e a sua revista homónima Irimia. Porém, não foi até o ano 1989 quando se publicou a primeira edição autorizada e completa da Biblia.

Meios de comunicação

A Galega rompeu tópicos e realiza um importante papel normalizador

Pelo que se refere à televisão, o uso da língua galega é superior à dos médios radiofónicos ou escritos. Desde 1974 até 1985 o galego só se empregou no programa territorial de TVE chamado Panorama da Galiza. É importante o ano 1985 porque nele surgem a Televisão da Galiza e a Rádio Galega. O primeiro foi, e ainda é, um canal fundamental para manter presente a língua galega nos médios de comunicação audiovisuais e contribuir à normalização da língua neste âmbito até este então bastante desasistida (só TVE na Galiza tinha o programa mencionado, e alguma iniciativa privada de curta-metragens ou longa-metragens). Quanto à Rádio Galega, também teve e tem o mérito de manter um canal monolingüe de qualidade e com interesse pela cultura própria. Ambos os dois meios são referentes quanto à qualidade no mundo dos médios de comunicação actuais, e apresentam taxas de audiência aceitáveis e em alguns programas altos. Foi especialmente a Televisão da Galiza a que rompeu mais tópicos e prejuízos ao pôr a falar em galego pessoas das mais variadas nacionalidades e tempos.

Quanto à imprensa escrita, existe um único jornal diário de carácter informativo em galego, chamado a Galiza Hoje (1994); mas todos os demais diários galegos (La Voz da Galiza, Faro de Vigo, Ele Progrido, La Región, Ele Correio Gallego, Diário de Pontevedra...), os de maior tiraxe, usam como língua vehicular o castelhano, e neles o galego não acostuma passar de 5% de uso (e desta percentagem, uma grande parte são artigos de opinião e publicidade). Em 1977 aparece novamente a cabeceira histórica A nossa Terra, de carácter semanal, que se converteu numa referência do jornalismo em galego. Têm saído outras cabeceiras em galego de maior periodicidade, como A Peneira (1984) -comarcal, zona sul de Pontevedra-, Grial, A Trave de Ouro, Luzes da Galiza, Teima, Natureza Galega, Encrucillada (1977), Revista de Literatura, Tempos Novos etc.

Associações

Em Abril de 1986 [24], nasce a Mesa pela Normalização Linguística, plataforma que pretende a promoção do galego para atingir todas as funções do idioma nos diferentes âmbitos da sociedade e a denúncia das agressões e discriminações por razões de língua.

O galego do século XXI

Às portas do século XXI a língua galega segue viva, protegida pela legislação vigente e com um número de falantes importante. Assim e tudo, a sua situação social é incerta e no último meio século reduziu à metade o número de falantes iniciais. Hoje, o groso dos galegofalantes assenta-se sobre uma faixa de idade superior aos 55 anos, namentres que as novas gerações (principalmente as urbanas) têm como língua inicial o castelhano.

Meios de comunicação

A maioria da imprensa galega emprega o castelhano[25]

Quanto aos médios de comunicação de massas, podemos assinalar a seguinte situação neste século XXI:

Estudos e inquéritos sociolingüísticos

Língua inicial segundo a idade (Mapa Sociolingüístico da Galiza 2004[30])
A partir dos estudos actuais da Sociolingüística galega[31], observamos que há uma melhora quanto a atitudes e melhoras importantes na capacidade leitora; mas a nível de língua vehicular ou habitual -e também como língua materna-, o idioma galego perde falantes actualmente, de maneira que nas novas gerações já há mais castelhano-falantes que galego-falantes. Estes dados podemo-los constatar por exemplo, entre outras fontes, num relatório do Conselho Escolar da Galiza que assinala que só 30% do estudantado de Educação primária usa a língua galega (dados dos cursos 2002-2003, 2003-2004 e 2004-2005).

Outra amostra da perda de galegofalantes iniciais, isto é, com o galego como língua materna, é um relatório do Seminário de Sociolingüística da Real Academia Galega publicado em Outubro de 2007[32]. Segundo o mesmo só 20,6% das crianças têm como idioma inicial o do país. Como contraste, devemos assinalar que em 1992 o mesmo seminário cifraba estes dados em 60,3%. Nas cidades os resultados são piores: estima-se que só o 1,6 das crianças ferroláns e 4,3% dos vigueses têm o galego como língua inicial, na Corunha 6,3%, em Ourense 9,1%, em Pontevedra 9,4%, em Lugo 17,9% e em Santiago 18,4%.

O 15 de Abril de 2010 o IGE publicou um inquérito sobre o uso do galego, realizada em 2008[33]. Nela constata-se uma perda de falantes respeito aos dados de 2003, onde o descenso mais notável se dá entre os que falam sempre galego, que baixam 13 pontos (do 43 a 30 por cento)[34]. Em termos globais, 56,4% das pessoas afirmam falar só galego ou mais galego que castelhano e 42,6% falam só castelhano ou mais em castelhano (no 2003 eram de 61,2% para o galego e 38,3 para o castelhano). Pontevedra é a província más desgaleguizada sendo a única, e por vez primeira na História, onde se fala mais castelhano que galego. Ademais detecta-se nidiamente a mingua acelerada de galegofalantes entre as crianças novas, pois na idade dos 5 aos 14 anos 29,6% emprega só castelhano e 15,3% usa só o galego (os bilingues que usam mais o castelhano chegam a 34,3% e os bilingues que usam mais o galego a 20,9%). No que diz respeito à língua da escrita, o galego é claramente a língua minoritária, já que 82,9% fazem-no em castelhano e 15,0% em galego (contudo, supõe um aumento de 0,5% a respeito do 2003). Também se comprova que há mais neofalantes em língua castelhana (68.000 galegofalantes passaram a falar mais castelhano ou unicamente castelhano) que neofalantes em língua galega (47.000 castelánfalantes passaram a falar mais galego ou unicamente galego). O ensino produziu uma maior troca de língua do galego para o castelhano que vice-versa. A percentagem de galegos que não percebem muito a língua galega falada incrementou-se salientablemente entre o 2003 e o 2008, assim só 66% o percebem muito, face ao 81,1 de 2003. Também medrou a percentagem de galegos que não percebem nada o galego, 5,2%, face a 2,8% de 2003. Na província pontevedresa case a metade dos habitantes não percebem muito o galego. Do mesmo modo, a percentagem de habitantes que sabem falar muito o galego desceu mais de 13 pontos, sendo especialmente preocupante o caso das crianças dentre 5 e 14 anos, dos que menos da metade (45%) sabe falar galego correctamente. Por cidades Ferrol é o lugar menos galegofalante, seguido por Vigo e A Corunha. Santiago de Compostela é a cidade mais galegofalante, assim como onde mais se percebe e sabe falar o galego.

O Atlas das línguas em perigo de desaparecimento (2001) realizado pela Unesco incluía o galego como língua em perigo. A Unesco considerava naquele então que os alarmes devem saltar desde o momento em que nas primeiras gerações descem os utentes reais de uma língua embaixo de 30%. Mas na última actualização do Atlas (2009), elaborado pelo filólogo finlandês Tapani Salminen, tirou-se o galego da lista[35].

Legislação

O 21 de Setembro de 2004 o Parlamento da Galiza aprovou por unanimidade o Plano geral de normalização da língua galega[36], que entrou em vigor o 24 de Janeiro de 2005 , e que apresenta objectivos e medidas em diferentes campos de actuação (administração, educação, meios de comunicação, economia, sociedade, sanidade e proxeccion exterior).

O 13 de Junho de 2005 , a União Européia chegou à proposta (de próxima aprovação como ponto de tipo A, sem debate, pelos ministros de Assuntos Exteriores da União) da inclusão do gaélico irlandês como nova língua oficial e de trabalho da União (a 21ª) e do galego (junto com o catalão e euskera em Espanha) como língua não-oficial mas oficiosa (de uso para comunicações oficiais e de trabalho) da União Européia, sempre que o Estado correspondente assuma os gastos e emita um preaviso aos demais membros assistentes à reunião. Este é um passo muito importante para a pervivencia do galego no século XXI.

Em 2007 o Parlamento Galego aprovou um decreto que garantia chegar ao mínimo de 50% de ensino em galego (escola infantil, educação primária, E.S.O., Bacharelato, Formação profissional e EPA); ademais também surgiu a necessidade de criar Galescolas, isto é, escolas infantis onde se empregue a língua do país como vehicular.

Com a mudança de governo em 2009, o PPdeG rachou o consenso arredor da língua[37] e da necessidade de promoção do galego[38][39], e a finais desse mesmo ano apresentou um rascunho chamado do plurilingüismo no que rebaixaba a quota de galego de um mínimo de 50% a 33% teórico, sendo os outros dois terços a partes iguais para castelhano e inglês[40]. Por este motivo, apareceram diversas associações cidadãs em defesa da língua própria da Galiza[41], por exemplo ProLingua ou Convers-ando assim como também se organizaram várias manifestações[42] convocadas pela plataforma Queremos Galego!, secundadas por uma maioria de sindicatos, professorado, mães e pais, estudantado, pela própria Mesa pela Normalização Linguística e por representantes dos partidos da oposição, entre outras muitas organizações[43]. Em definitiva, a rejeição pública das bases do decreto correspondeu à prática totalidade dos agentes educativos (coma o Conselho Escolar[44]), sindicatos e pelas duas máximas autoridades em questão de língua: a RAG[45] e o CCG[46].

Notas

  1. ROCAMONDE Et alii, Língua galega (COU), Bruño, 1993, páx. 267
  2. ESPIÑO, M. e SÁNCHEZ H., Aprender palavras e significados, Via láctea, 1990, páx. 27
  3. ESPIÑO AMIL e SANCHEZ, H., Aprender palavras e significados, Via láctea, 1990, A Corunha, páx. 35
  4. Ele gallego-português sus relaciones de substrato com la Aquitania, Kurt Baldinger, pp. 2-3 (em castelhano).
  5. PORTAS, M., Língua e sociedade na Galiza, 2ªed., Baía, 1993, páx. 50
  6. http://cvc.instituto-camoes.pt/tempolingua/07.html
  7. Notícia de Torto, História da Língua Portuguesa. Instituto Camoes.
  8. Foro do bom burgo de Castro Caldelas, consellodacultura.org
  9. O documento mais antigo em latín-galego-português, ano 870.
  10. Ver Bibliografía, capítulo de Conclusões
  11. Lindley Cintra, Luís F. Nova Proposta de Classificação dos Dialectos Galego-Portugueses (PDF) Boletim de Filologia, Lisboa, Centro de Estudos Filológicos, 1971.
  12. PORTAS, M., Língua e sociedade na Galiza, Baía, 2ª ed., 1993, páx. 59
  13. http://www.arrakis.es/alfius/monterey_c.htm A imprenta de Monterrei começou ao menos em 1491
  14. http://www.galiciae.com/nova/4625.html Em 1491 estampan o Missale auriense
  15. PÉREZ PASCUAL e REBOLOIRO GONZÁLEZ, História da língua, Via láctea, 1987, páx. 23
  16. QUEIXAS ZÁS, M., Breve história da literatura galega, Promoções culturais galegas, 1999, páx. 40
  17. PORTAS, M., Língua e sociedade na Galiza, Baía, 2ª ed., 1993, pp. 89-90
  18. Vilar Põe-te, Antón, Nacionalismo gallego, nuestra afirmação regional, A Corunha, Voz da Galiza, 1916; o texto tirou-se de VV.AA., Língua e literatura II, Rodeira, 2003, A Corunha, páx. 142
  19. Galiza, célula de universalidade. Europa e a geração Nós.
  20. Esta gramática está disponível para a sua leitura.
  21. Lenguas silenciadas a golpe de proibição, Público (em castelhano).
  22. Gabriel Rei-Doval História e actualidade da sociolingüística galega: das atitudes do professorado ao MSG na língua galega, história e actualidade: actas do I Congresso Internacional, 16-20 de Setembro de 1996, Santiago de Compostela, Volume 1, página 373
  23. LÓPEZ MUÑOZ, D., O idioma da igreja na Galiza, Conselho da Cultura Galega, 1989, Santiago
  24. Encontro "Estado actual da normalização linguística.
  25. Vejam-se os dados de Túñez López e López García (2009), CCG, descargábel na língua das novas.
  26. AMNL pede recuperar as emissões de Rádio 4 em galego Nova em Jornal da Galiza em Agosto de 2005
  27. http://www.internetworldstats.com/stats7.htm
  28. GÓMEZ GUINOVART, X. (2003), A língua galega em internet, em Ana Bringas e Belém Martín (eds.), Nacionalismo e globalização: língua, cultura e identidade. Vigo, Serviço de Publicações da Universidade de Vigo, pp. 71-88; descargábel
  29. O galego, a primeira língua sem estado no twitter Nova aparecida na Galiza Confindencial
  30. http://www.linguadeamor.eu/notícia.php?idnoticia=629 Nesta ligazón pode-se descargar o Mapa Sociolingüístico da Galiza 2004
  31. VV.AA., A sociedade galega e o idioma. A evolução sociolingüística da Galiza (1992-2003), Conselho da Cultura Galega, 2005, descargábel em [1].
  32. Nova em Vieiros sobre o relatório 2007 da RAG
  33. Inquérito de Condições de Vida das Famílias, IGE.
  34. Observação: O número de falantes habituais de galego baixou 13 pontos em 5 anos, culturagalega.org.
  35. http://www.farodevigo.es/secciones/notícia.jsp?pRef=2009022000_8_298797__Sociedad-y-Cultura-galego-deixa-uma-língua-perigo-extincion-para-Unesco
  36. Plano geral de normalização da língua galega (2004).
  37. Não vamos romper os consensos por vingança. Entrevista com Alfonso Rueda (PPdeG) na nossa Terra.
  38. O PP rompe um consenso histórico, nova aparecida no diário Galiza-Hoje.
  39. Notas sobre o argumentario do Partido Popular
  40. Bases do decreto tirada da página web da Xunta de Galicia.
  41. Outra plataforma em defesa do galego aparecida em Outubro de 2009 em GaliciaConfidencial.
  42. A mobilização pretende que não se dê "um passo atrás" no decreto do galego, no diário La Opinião
  43. Dezenas de milhares de pessoas berran contra o decreto em Compostela, nova em Galiciaé o 21 de Janeiro de 2010.
  44. Ele Conselho Escolar tumba ele decreto dele gallego por amplia mayoría, El País (em castelhano).
  45. Análise académica das Bases para o decreto do plurilingüismo no ensino não universitário da Galiza, tirado da página da RAG.
  46. O Conselho Consultivo, contra o decreto do galego no ensino

Veja-se também

Bibliografía

Outros artigos

Galifontes
A Galifontes possui escritos originais acerca de:
Estatuto de Autonomia da Galiza de 1981
Galifontes
A Galifontes possui escritos originais acerca de:
Lei de Normalização Linguística de 1983

Ligazóns externas

Your Ad Here