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A Idade Média foi um período intermédio numa divisão esquemática da História da Europa em quatro "eras", a saber: a Idade Antiga, a Idade Média, a Idade Moderna e a Idade Contemporânea. Normalmente considera-se a sua extensão entre o fim do Império Romano do Ocidente, no século V (476 d.C.), até a ascensão das monarquias nacionais e o início da recuperação demográfica e económica depois da Peste preta, as Descobertas Marítimas e o Renacemento da cultura clássica, por volta do século XV, bem como a Reforma Protestante, começando em 1517 . Alguns historiadores consideram a queda de Constantinopla, tomada pelos turcos em 1453 , como o marco do fim desse período.
A Idade Média é subdividida em três períodos:
Certas sociedades, como o Japão, atravessaram períodos históricos "de transição" que chegam a ser denominados também como Idade Média.
O adjectivo relacionado com este período é medieval (ver, por exemplo, música medieval).
Índice |
A Idade Média foi um período de aproximadamente mil anos que se caracterizou pelo predominio do Cristianismo em todas as esferas da vida humana na Europa. Esse período às vezes chama-se-lhe pexorativamente idade das tebras, pois não teria nenhuma criação filosófica ou cientista autónoma. Tal ideia é criticada por muitos da actual geração de estudosos da história da ciência, que tendem a ver o período de desenvolvimento económico e tecnológico que começou por volta do século XII, (permitido por factores como a diminuição das invasões bárbaras, mudanças climáticas, etc.), como um importante requisito para o desenvolvimento científico na era moderna.
Ainda que seja dito que no período desde a caída do Império Romano do Ocidente até a Reforma Protestante a ciência conheceu um período de perto de mil anos de falta de inspiração em comparação com a produção científica clássica. Vale lembrar que, usando o mesmo critério, também se poderia dizer que uma grande "falta de inspiração" teria atingido o período da Roma Imperial, cujas descobertas em termos de ciências naturais ficaram muito longe das dos gregos, (isso apesar do comprido período de prosperidade proporcionado pela "Pax Romana").
Desafortunadamente, as noções preconcebidas sobre o status da ciência na Idade Média foram amplamente propagadas e, ainda hoje, permanecem mitos como a ideia falsa de que os estudiosos medievais consideravam que a terra era chá (conferir O mito da terra plana).
Fazer uma apreciación clara da Idade Média é complexo: este tipo de avaliação pode tornar-se altamente político, passando a depender muito de susceptibilidades religiosas. Os católicos acostumam tendencialmente a ser mais favoráveis à Idade Média, já que se identificam com a tradição histórica da religião cristã desse tempo. Os protestantes, pelo contrário, vêem a Idade Média como um período de tebras e dão mais valor à Reforma Protestante, que modificou profundamente a prática religiosa na Europa (norte) ocidental.
A arte durante a Idade Média esteve fundamentada no Cristianismo em quase todas as suas expressões. Como no período a vasta maioria dos camponeses era iletrada, as artes visuais eram o principal método para comunicar as ideias religiosas, juntamente com os sermóns. A Igreja Católica era uma das poucas instituições ricas bastante para remunerar o trabalho dos artistas, o que faz com que a maior parte das obras sejam de natureza religiosa (arte sacra).
Com a queda do Império romano, muitas das técnicas artísticas da Grécia antiga acabaram perdidas. A pintura medieval passa a ser predominantemente bidimensional: não era usada a noção de perspectiva e as personagens retratadas eram pintadas maiores ou menores de acordo com a sua importância. Ao lado da pintura, a tapizaría foi a mais importante forma de arte medieval. Isso decorre em muito pela sua utilidade ao manter o calor interno dos castelos construídos de pedra no Inverno. A mais famosa tapizaría medieval é o ciclo d' A senhora e o unicornio.
As duas principais manifestações arquitectónicas, principalmente relacionadas com a construção de catedrais, foram o estilo románico e mais tarde o gótico. Destaca também a formação das Gremios de oficios, reunindo artesãos.
Principalmente à partir do século V, os pensadores cristãos viram a necessidade de profundizar numa fé que estava madurecendo, com a tentativa de harmonizala com as exigências do pensamento filosófico. Desse modo a Filosofia , que até então possuía rasgos marcadamente clássicos e helenísticos, passa a receber influências da cultura judaica e cristã. Alguns temas que antes não faziam parte do universo do pensamento grego, tais como: Providência e Revelação Divina e Criação a partir do nada passaram a fazer parte de temáticas filosóficas.
À partir do século IX desenvolvesse a principal linha filosófica do período, que ficou conhecida como escolástica. Essa filosofia ganha acento notadamente cristãos, surgidos da necessidade de responder às exigências de fé, ensinada pela Igreja, considerada então como a guardiã dos valores espirituais e morais de toda a Cristiandade e, por assim dizer, responsável pela unidade da Europa, que comungaba da mesma fé. A Escolástica teve uma constante de natureza neoplatónica, que combinava elementos do pensamento de Platão com valores de ordem espiritual, reinterpretados pelo Ocidente cristão. No século XIII Tomé de Aquino introduz também elementos da filosofia de Aristóteles no pensamento escolástico.A questão chave que vai atravessar todo o pensamento filosófico medieval é a harmonización de duas esferas; a fé e a razão. O pensamento de Agostiño , (século V), reconhecia a importância do conhecimento, mas defendia uma subordinación maior da razão no que diz respeito à fé por achar que esta última restauraria a condição decaída da razão humana. Já a linha de Tomé de Aquino (século XIII) defende uma maior autonomia da razão na obtenção de respostas apesar de não negar tal subordinación da razão à fé.
Como resultado das migracións bárbaras e da implosión do Império Romano do Ocidente, a Europa Ocidental do início da Idade Média era pouco mais que uma colcha de retallos de populações rurais e tribos bárbaras. Perdeu-se o acesso aos tratados cientistas originais da antigüidade clássica (em grego), ficaram quase não versões resumidas e até deturpadas que os romanos traduziram para o latín. A única instituição que não se desintegrou juntamente com o falecido império, a Igreja Católica, mantém o que resta de força intelectual, especialmente através da vida monástica. O homem instruído desses séculos era case sempre um crego para quem o estudo dos conhecimentos naturais era uma pequena parte da sua escolaridade. Esses estudosos viviam numa atmosfera que dava prioridade à fé e tinham a mente mais voltada para a salvação das almas do que para o questionamento de detalhes do universo físico.
Em alguns aspectos, no século IX o retrocesso causado pelas migracións já estava revertido. No século X ocorre a contenção das últimas ondas de invasões estrangeiras. E por volta do 1100 ocorre uma revolução que combinou renacemento urbano e comercial, ampliação de culturas e fronteiras agrícolas, crescimento económico, desenvolvimento intelectual e grandes evoluções tecnológicas. Começam a se abrir novas escolas ao longo de todo o continente, inclusive em cidades e vilas menores. Sobre o 1200 fundam-se as primeiras universidades – Paris, Bologna e Oxford – (em 1500 já seriam mais de 70). Começa um forte movimento de tradução de documentos árabes e gregos, que tornam o conhecimento do mundo antigo novamente disponível aos eruditos europeus. Tudo isso possibilitou um grande progresso em conhecimentos como a Astronomía, a Matemática, a Biologia e a Medicina.
Causavam espanto e admiração inovações como os grandes relógios mecânicos que transformaram a noção de tempo nas cidades. Presenciáronse descobertas como os dos óculos (lentes), em 1285, e do imprensa móvel, em 1448 . Houve também muitas inovações na forma de utilizar os meios de produção, com as técnicas de cerrallaría e incisión de pedras, a fundición de ferro, e os avanços nas técnicas de construção aplicadas ao estilo gótico. No sector agrícola, temos o desenvolvimento de ferramentas, melhorias em carruaxes, arreo para animais de ónus, e a utilização de muíños de água Avanços em instrumentos como o bússola e o astrolabio, na confección de mapas e a as carabelas tornaram possível a expansão marítimo-comercial européia na Idade Moderna.
A tecnologia das grandes navegações permitirá em séculos futuros a descoberta de um número extraordinário de novas espécies de animais e plantas, além de novas formações geológicas e climáticas. Os avanços obtidos na óptica gerariam depois aparelhos como o microscopio e o telescópio, que, juntamente com a imprensa móvel, (outro fruto medieval), são vistos como os equipamentos mais importantes já criados para o avanço do conhecimento humano. Mas a herança mais importante do período talvez tenha sido o nascimento e multiplicação das universidades, juntamente com o xurdimento das primeiras sementes da metodoloxía científica contemporânea.
A Idade Média surge, em termos bélicos, como um período de grandes desenvolvimentos tecnológicos, provido essencialmente de dois grandes laboratórios, o Oriente Meio e a Península Ibérica. As duas zonas, que desde muito cedo se tornaram palcos de violentas batalhas entre árabes e cristãos, fazem com que a prática, a filosofia, a tecnologia e a própria xénese da guerra evoluam. Os termos cruzada e xihad surgem nesta época, e ainda que ambas tenham um significado extremadamente semelhante, são dois paradigmas de uma realidade muito peculiar.
As Cruzadas, entre os séculos XI e XIII, permitiram aos europeus entrar em contacto com produtos do Oriente, logo incorporados na culinaria: trigo sarraceno, açúcar, anís, comiño, canela, xenxibre, noz moscada, azafrán, cebola e ameixa. Esses novos ingredientes possibilitaram o desenvolvimento dos chourizos e das técnicas de preparação de vinagre , mostaza e mollos especiais.
mwl:Eidade Média