| Galego | ||
|---|---|---|
| Falado em: | Vale de Xálima Diáspora galega | |
| Total de falantes:. | 2.836.527 (em Espanha , 2007) 4.000.000 aprox. ao todo | |
| Posição: | 160 | |
| Classificação genética: | Indoeuropea Itálica Románica Ítalo-ocidental Ocidental Galo-ibérica Ibero-románica Galaico-português Galego | |
| Estatuto oficial | ||
| Língua oficial de: | Galiza | |
| Regulado por: | Real Academia Galega | |
| Códigos de língua | ||
| ISSO 639-1: | gl | |
| ISSO 639-2: | glg | |
| ISSO 639-3: | glg | |
| SIL: | GLG | |
O galego é uma língua románica, própria da Galiza, onde é oficial junto com o castelhano.[1] A parte da Galiza, a língua fala-se também em territórios limítrofes com esta comunidade, ainda que sem estatuto de oficialidade. Está estreitamente emparentada com o português, com a que formou unidade linguística, o galaico-português, língua desenvolvida durante a Idade Média na província romana da Gallaecia.
Índice |
O galego fala-se na Galiza, onde é a língua oficial junto com o castelhano. Também se fala e permite-se o seu ensino reglado no ocidente da comarca do Bierzo (província de León) e numa zona da província de Zamora, chamada As Portelas, que compreende as câmaras municipais de Porto, Pías, Lubián e Hermisende, sendo parcialmente galegofalante Pedralba de la Pradería, onde só é falado na pedanía de Calabor .
Também é falado em 19 câmaras municipais limítrofes do Principado das Astúrias, pertencentes à Terra Eo-Navia onde se chama eonaviego ou galego-asturiano (no sentido de galego falado no território das Astúrias), ainda que este é um ponto sobre o que há grande controvérsia nas Astúrias. Por uma banda encontra-se a romanística internacional e a filoloxía galega, cujos estudos afirmam que a língua natural desta comarca asturiana pertence formalmente ao conjunto linguístico galaico-português como parte da língua galega; no ponto contrário situam-se o governo do Principado, e a Academia de la Llingua Asturiana, que consideradan às falas situadas entre o Navia e o Eo como uma transição entre o tronco galaico-português e o asturleonés.
Em três câmaras municipais estremeños, na frontera com Portugal, do Vale de Xálima (São Martín de Trebello, As Ellas e Valverde do Fresno), na província de Cáceres, fala-se a Fala de Estremadura, modalidade galaico-portuguesa sobre a que ainda não há unanimidade acerca de se pode considerar-se uma variedade de galego, procedente dos galegos participantes na Reconquista que se assentaram nessa zona, uma língua diferenciada dentro do subgrupo Galego-português.
Um inquérito linguístico realizada em 2003 em Catalunha pelo sua autarquia revelava falantes de galego na região. A extrapolación populacional situava em 61.400 os habitantes catalães que consideravam ao galego como primeira língua, 21.000 os que a consideravam língua própria e 11.300 os que a consideravam língua habitual.[2]
Nas diferentes comunidades galegas da diáspora: as comunidades de galegos em Hispanoamérica , especialmente em Bons Ares (Argentina), Caracas (Venezuela), Montevideu (Uruguai), Havana (Cuba), Cidade de México (México), e também na Europa, conservam-no com bastante precariedade[É preciso referência], sendo aproximadamente 500.000 os falantes do galego dessas comunidades. No Brasil também conservam o galego com giros e adaptações do português brasileiro[É preciso referência].
A língua galega é uma língua romance ou neolatina, com influência léxica pré-celta, celta, éuscara, germânica, provenzal, castelhana (arabismos, prestamos linguísticos, ortografía moderna e certos rasgos fonéticos) e amerindia.
O galego moderno desce do galego-português, língua medieval que evoluiu e deu lugar aos actuais galego e português. A língua galega fala-se na Galiza, nas câmaras municipais limítrofes dos territórios das Astúrias, León, Zamora, em três câmaras municipais estremeños e nas comunidades de galegos emigrantes na Argentina e Uruguai (mais de três milhões de emigrantes galegos vivendo naqueles países).
A língua galega é um romance autónomo para as autoridades linguísticas oficiais na Galiza, emparentado com o português, enquanto para outros lingüistas ainda hoje é uma variante com o-dialectal do diasistema linguístico galego-português.
A língua considera-se formada arredor do s. IX no que se refere à oralidade, como resultado da asimilación do latín vulgar falado pelos conquistadores romanos no s. II dC.
No seu momento foi língua culta fora dos reinos da Galiza e Portugal nos reinos vizinhos de León e Castela. Escreveu em galego, por exemplo, o rei Afonso X o Sábio, as "Cantigas de Santa María". A sua importância foi tal que se considera a segunda literatura durante a Idade Média, só depois do Occitano.
Recentemente foi achado o documento mais antigo escrito em galego no território actual galego que se conserva, o qual data do ano 1228, trata do Foro do burgo de Castro Caldelas outorgado por Afonso IX em Abril do dito ano à câmara municipal de Allariz (Ourense).
O galego-português teve case 700 anos de existência oficial e plena, mas as derrotas que a nobreza galega sofreu ao tomar partido pelos bandos perdedores nas guerras de poder de finais do s. XIV e primeiros do s. XV provoca a asimilación da nobreza galega e a dominación castelhana, o que leva consigo uma opresión e um desaparecimento público, oficial, literária e religiosa da língua galega até finais do s. XIX. São os chamados Séculos Escuros. O português, por sua parte, desfrutou durante este período de uma protecção e desenvolvimento livre graças a que Portugal foi o único território peninsular que permaneceu alheio ao domínio linguístico do castelhano.
Na actualidade o galego falam-no case três milhões de pessoas; é a língua minorizada com maior compreensão e uso percentual dentro do Estado Espanhol. É idioma oficial na Nacionalidade Histórica da Galiza (onde o castelhano é com o-oficial), e também se fala na Terra Eo-Navia (Astúrias), no Baixo Bierzo (León), nas Portelas (Zamora) e na Serra de Xálima (Cáceres). Assim mesmo é a língua da importante comunidade galega no exterior, espalhada por todo mundo.
Desde o ponto de vista reintegracionista, Galiza fala uma língua que tem 210 milhões de falantes no mundo, conhecida como português. Ainda, no chamado galego do continente europeu, deveríamos incluir as falas do norte de Portugal , que conformam um conjunto relativamente unitário de falares no quadro da actual euro-região Galiza-Norte de Portugal.
Cada 17 de Maio celebra-se o "Dia das Letras Galegas" dedicado a um escritor nesta língua (elegido pela Real Academia Galega). O dia escolhido utilizam-no os organismos oficiais para potenciarem o uso e o conhecimento da língua galega.
A posição sustida pela administração galega e pela consciência metalingüística da meirande parte da população do país é que hoje galego e português constituem línguas separadas cada uma delas com cadanseu respectivo estándar elaborado por cadansúa instituição mas conservando algumas ligazóns. As normas ortográficas e morfolóxico do idioma galego são elaboradas pela Real Academia Galega em base aos seguintes critérios de estandarización.
O idioma português está estandarizado seguindo uns critérios diferentes:
| Uso real da língua galega (2001)[3] | |||||||
| Total | Sempre | Às vezes | Nunca | ||||
| Total | 2.587.407 | 1.470.836 | 56’84% | 783.780 | 30’29% | 332.791 | 12’86% |
| De 5 a 9 anos | 101.840 | 38.329 | 37’63% | 48.651 | 47’77% | 14.860 | 14’50% |
| De 10 a 14 anos | 122.747 | 50.891 | 41’46% | 60.430 | 49’23% | 11.426 | 9’30% |
| De 15 a 19 anos | 156.950 | 69.760 | 44’44% | 66.343 | 42’27% | 20.847 | 13’28% |
| De 20 a 24 anos | 207.341 | 95.008 | 45’82% | 77.044 | 37’15% | 35.289 | 17’01% |
| De 25 a 29 anos | 213.402 | 96.059 | 45’01% | 79.586 | 37’29% | 37.757 | 17’69% |
| De 30 a 34 anos | 201.392 | 94.785 | 47’06% | 72.506 | 36’00% | 34.101 | 16’93% |
| De 35 a 39 anos | 193.342 | 96.992 | 50’16% | 65.641 | 33’95% | 30.709 | 15’88% |
| De 40 a 44 anos | 191.180 | 104.074 | 54’43% | 60.615 | 31’70% | 26.491 | 13’85% |
| De 45 a 49 anos | 174.056 | 100.166 | 57’54% | 51.965 | 29’85% | 21.925 | 12’59% |
| De 50 a 54 anos | 168.473 | 102.227 | 60’67% | 46.607 | 27’66% | 19.639 | 11’65% |
| De 55 a 59 anos | 163.029 | 106.103 | 65’08% | 39.920 | 24’48% | 17.006 | 10’43% |
| De 60 a 64 anos | 135.040 | 94.459 | 69’94% | 27.844 | 20’61% | 12.737 | 9’43% |
| Mais de 65 anos | 558.615 | 421.983 | 75’54% | 86.628 | 15’50% | 50.004 | 8’95% |
| Competência linguística em galego (evolução)[4] | ||||
| Data | Percebem | Falam | Lêem | Escrevem |
| Censo 1991 | 96’96% | 91’39% | 49’30% | 34’85% |
| Censo 2001 | 99’16% | 91’04% | 68’65% | 57’64% |
Segundo a separação dialectolóxica da Galiza empregada por organismos como a Real Academia Galega (RAG) e o Instituto da Língua Galega (ILG) existem três blocos linguísticos reconhecidos, cada um com as suas particularidades:
Estes blocos estão caracterizados pela forma de construir o plural das palavras acabadas em n, sendo as isoglosas que os delimitam cães/cas (blocos ocidental e central, respectivamente) e cas/cais (blocos central e oriental, também respectivamente).
O filólogo português Cintra, que estudou os dialectos galegos como pertencentes ao diasistema galego-português e cujos trabalhos são considerados de referência em Portugal , preferiu separar o território galego em duas áreas: a ocidental, que apresenta gheada (aspiração da fonema /g/ convertendo-se numa /h/ aspirada similar à do inglês) e a oriental, que não apresenta este fenômeno.
O galego, pelo seu carácter periférico, distingue do resto dos romances pelo seu carácter à vez conservador e original. Entre os últimos fenômenos estão a fica de n- e -l- intervocálicos (acontecida nos séculos IX e X) e a evolução de cl- pl- e fl- iniciais latinos e entre os conservadores a sintaxe e a conservação de expressões e fenômenos latinos (como o futuro de conxuntivo, ainda que com outro uso) que desapareceram na maioria dos romances.
| Fonema (IPA) | Grafema | Exemplo |
|---|---|---|
| /a/ | a | nada |
| /e/ | e | tres |
| /ɛ/ | e | ferro |
| /i/ | i | min |
| /o/ | o | bonito |
| /ɔ/ | o | home |
| /u/ | u | rúa |
Este é o sistema comum a todos os falares galegos excepto a fala de Estremadura, que apresenta 5 vogal como o castelhano.
Os ditongos decrecentes do galego são os seguintes:
Os ditongos crescentes são:
As consoantes existentes no galego som: b, c, d, f, g, h, l, m, n, ñ, p, q, r, s, t, v, x, z.
Apesar de que nos dicionários podem-se encontrar também as letras j, k, w, y; estas não são próprias do idioma e só se utilizam em extranxerismos aceitados pela normativa.
Existem ademais estes dígrafos: rr, ch, ll, nh, qu, gu; com sons diferentes a cada uma das letras por separado.
Existe também o dígrafo gh que se corresponde com o fonema farínxeo fricativo surdo, mas o seu uso é exclusivo da língua oral das variantes ocidentais e só aparece na língua escrita para transcribir uma mensagem em forma oral. Assim, em várias zonas da Galiza aparecem fenômenos chamados gheada e seseo, que em sim não são erros, senão que a RAG permite-os alegando assim uma maior riqueza na fala galega.
| Bilabiais | Labiodentais | Dentais | Alveolares | Pós-alveolares | Palatais | Velares | ||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Realização | surda | sonora | surda | surda | sonora | surda | sonora | surda | sonora | surda | sonora | |||
| Oclusivas | p | b | t | d | k | g | ||||||||
| Nasais | m | n | ɲ | ɳ | ||||||||||
| Fricativas | f | θ † | s | ʃ | ||||||||||
| Africadas | tʃ | |||||||||||||
| Laterais | l | ʎ | ||||||||||||
| Tepes | ɾ | |||||||||||||
| Vibrante | r | |||||||||||||
† Este fonema esta presente só nos dialectos galegos não seseantes, aqueles que pronunciam pazo de forma bem diferente de passagem .
Assim e tudo existe uma postura que mantém que o galego não é uma língua nem separada nem afastada do português, senão um outro dialecto do sistema galego-português. Trata-se do reintegracionismo, e ainda existe também uma outra postura, o lusismo, que afirma que o galego e o português são a mesma língua.
Manifestação "Queremos galego" (xameiro de 2010) |
|||
| ||||||||
| |||||||||