A lavanda (Lavandula stoechas) é uma planta aromática da família das lamiáceas, que contém uma trintena de espécies.
Outros nomes comuns da lavanda são arzaia, azaia, cantroxo ou cantroxiño[1]. É preciso ter presente que com o nome de cantroxo [2] também se designam outras espécies semelhantes, como Lavandula lanata.
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São matas de até 1 m de altura, algumas escassamente leñosas, pelosas em muitos dos seus órgãos e com glándulas ricas em azeites essenciais que lhe dão o aroma característico. Apresentam folhas de cor verde brancuxa, sésiles, opostas, simples, inteiras (com o bordo revolto para o envés), dentadas ou pinnatífidas.
Floresce em Primavera. Possuem inflorescencias de tipo verticilastro [3], com 6-10 flores de cor morada, dispostas em pisos separados ao longo do eixo florífero ou numa estrutura compacta, axilados por brácteas florais e formando uma espécie de espiga terminal. As flores são pequenas, com um cálice tubular, case actinomorfo [4], com 5 sépalos com cadanseu dente curtos e um apéndice oblongo ou romboidal na parte superior. A corola é bilabiada, com o lábio superior recto, ergueito, formado por dois lóbulos; o lábio inferior é trilobado. Possuem quatro estames, didínamos [5] e o ovario dividido em quatro partes. O fruto apresenta-se em tetranúcula [6].
Está presente aos países da área mediterránea até altitudes de 1.000 metros. Prefere zonas soleadas e é frequente nas costas, onde chega a fazer parte da vexetación dunar.
Em Espanha também estão presentes a L. lanata (própria de Andaluzia e Murcia), a L. spica[7] (em Catalunha, Valencia, Aragón e País Basco), a L. latifolia [8] (em Catalunha, Levante Andaluzia e, mais dispersa, nas duas Castelas) e a L. pedunculata (própria da metade ocidental da península mas também presente noutras áreas, mesmo Galiza ou Portugal).
Na Galiza dão-se duas subespecies, a L. stoechas stoechas, que se reconhece pelo pedúnculo floral de 1-3 cm, o penacho de brácteas sobre a espiga curto e as folhas obtusas; e a subespecie L. stoechas sampaiana, com um comprido pedúnculo de 10-20 cm, penacho comprido (tanto como a própria espiga) e folhas agudas. A primeira é a comum nas zonas costeiras de Pontevedra , Corunha e Lugo, e a segunda pode observar no norte da província de Ourense e sul da de Lugo.
Já os asirios, egípcios, gregos e romanos utilizavam a lavanda para perfumar casas e banhos. Ainda na actualidade se queima a semente nas casas com o mesmo fim. Uma possível etimoloxía faz venir o nome de lavare , destinado ao banho, pelo uso comum nas ter-mas romanas. A água de lavanda é muito comum em perfumería, o que explica a extensão do cultivo agrícola desta planta.
Na terapêutica popular utiliza-se contra a asma, a tosse, e como tónico e calmante nervoso; por via externa como antiséptico e antipútrido. O uso medicinal da lavanda se deve aos efeitos tónicos, dixestivos e espasmolíticos do azeite essencial que possuem. Utilizam-se o tal fim as sumidades florais, é dizer, as espigas de flores ou os gromos florais ou, ocasionalmente, as folhas e os talos novos.
Para as dores de estômago usavam-se unturas de lavanda, ruda e macela fritidas em manteiga de porco.
O álcool de lavanda (as flores maceradas em álcool) usa-se para lavar e desinfectar ferimentos.
Também se usou na veterinária tradicional, em cataplasmas para golpes e escordaduras, ou em infusión para estimular o movimento intestinal (como no caso da inapetencia, meteorismo ou cólicos). Nos ferimentos, a esencia de lavanda acelera a cicatrización e era utilizada pelos ferradores tanto para as feridas e gretas dos capacetes como para as infecções por pregos mal colocados.
Finalmente, Lis Quibén recolhe em Cangas (Pontevedra) a prática que queimar flores de lavanda para esconxurar uma casa e protegê-la do meigallo. Para isso põem numa tella um pouco de romeu, lavanda, loureiro "que mire ao mar" e três dentes de allo, um em cada extremo da tella e o outro no meio. Depois, queimam tudo isso, com as ventáns fechadas, e rematam tocando todas as paredes com uma póla de oliveira, levando a tella na outra mão e recitando um ensalmo.