| Noceda | |
|---|---|
| Câmara municipal: | Lalín |
| Área: | 5,2 km² |
| População: | 302 (2007) hab. |
| Densidade: | 58 hab./km² |
| Entidades de população: | 7 |
Santa María de Noceda é uma freguesia da câmara municipal pontevedrés de Lalín , na comarca do Deza. Linda com as freguesias de Madriñán , Prado, Santiso e com a câmara municipal de Silleda . No ano 2007 tinha 302 habitantes (o que supõe uma redução de 24 habitantes respeito ao padrón autárquico do 2004), com uma densidade de 58,08 habitantes por km². Isto representa 1,43% da população da câmara municipal.
Localiza-se sobre um lugar com terras húmidas (está bañada pelas águas do rio Deza, o regueiro da Santa Luzia, e o de Faquintas), com agros, carballeiras, e terras de cultivo. A sua altura máxima é de 440 metros.
O topónimo Noceda é um fitotopónimo, alusivo à flora, com o sufixo colectivo –eda. Corresponde ao latín Noceta, terra de nogueiras.
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Na freguesia as mulheres são 51,33% da população, frente a 48,67% de homens. O grupo entre 0 e 14 anos ocupa 10,26% da população (31 pessoas), entre 15 e 64 60,28% (203 pessoas) e maiores de 65 anos são 22,52% (68 pessoas).
O castro conhece-se popularmente como o Coto da Beira. Situa-se a 300 metros ao nordeste-lês da igreja. As suas coordenadas geográficas são 42º 42' 42" norte e 8º 11' 14" oeste. Está a 440 metros de altitude. Possivelmente estivesse habitado entre os séculos II a.C e o I.
Possui um único recinto de forma ovalada que mede de norte a sul 70 metros e de lês-te a oeste 82, protegido por uma muralha de uns dois metros de alto na sua cara interior. As defesas reforçam no sector meridional com um foxo. O aceso antigo está orientado ao nordeste, facto por interrupção da muralha.
No sector ocidental existem terras de cultivo junto com carballeiras, piñeiral, e eucaliptos. A lenda diz que vai uma mina de alcatrán e outra de ouro desde o centro do castro até a porta da igreja, mas ao tentar explorar uma, arde a outra.
Há uns sessenta anos um vizinho proprietário de uma leira onda o castro fixo um buraco para depositar ali os restos dos animais que matava na carnicería e encontrou moedas, muíños, olas de barro, bolas de cores, etc. Também se diz que encontrou ósos humanos. De ser verdade, não seriam restos de há 2000 anos, pois não se conservam restos humanos da cultura castrexa, em boa parte pelas características climáticas da Galiza, que favorecem a sua descomposição.
A primeira menção da freguesia com o nome actual consta no ano 959, numa doação feita por dona Elvira Alvítez ao mosteiro de Sobrado. Num documento de 1019 Adosinda Gudestéiz doa ao mosteiro de São Martiño de Lalín a villa [1] de Noceda. Também aparece numa famosa concordia assinada entre o bispo de Lugo e os cavaleiros templarios o 12 de Setembro do 1254.
A igreja parroquial conserva alguns elementos románicos, como a janela da ábsida. No Resumem dele diário de excursión de Enrique Campo, (páx.167) diz «...Nesta iglesia no pudimos entrar por em o estar ele cura, mas por fuera he visto que está completamente reconstruida, únicamente conserva la ventana dele ábside románico, cuyos capiteles são unas aves; sobre una puerta de um corral, cerca dele atrio he visto una hermosa cruz de piedra com ele cordero debajo, que sin duda fue de la iglesia, (la dibujé)» Posteriormente, no 1973, Isidro González Vango Torviso, visitou a igreja e não encontrou rasto da cruz, mas deixou descrita a janela: de arco semicircular, arquivolta baquetoneada, na média caña entre os dois baquetóns decoración de botões; chambrana de quatro filas de tacos. Capiteis e bases adosadas, simulando ser entregas, fustes monolíticos; cimacios de uma peça, impostados vinte centímetros. O capitel esquerdo, de aves apicada; o direito com uma ave frontal na aresta e o resto indescritible. O chafrán recto de ábaco decorado com triángulos invertidos. As bases de perfil ático, muito desgastadas. No centro da seteira tapiada, sobre ela um arco refundido com botões.
A cronologia isolada para uma só janela é problemática mas pela identidade de formas com as de Pescoso e Goiás, pode-se situar em torno do 1170.
No 1670 construiu-se uma capela lateral, de estilo gótico, com nervos, onde estão as sepulturas da casa de Golmar, que preside o sepulcro de dom Gonzalo Taboada Ulloa, com escudos com as suas armas, que também aparecem no exterior da capela.
No 1923 teve lugar um roubo na igreja, desaparecendo uma cruz de prata antiga, um porta viático também de prata, a cruz de um pendón a coroa da virxe e 25 pesetas que havia nos cepillos.
Sobre o 1925 produziu-se uma tormenta muito grande e um relâmpago tirou por completo a torre da igreja, que se arranjou com a ajuda dos vizinhos.
Noceda é um lugar que se caracteriza pela abundância de pazos e casas grandes.
O Casarío de Golmar ou Pardiñas, com portão de pedra ameado, grande escada e solaina, foi fundado nos começos do século XVII por Gonzalo Taboada Ulloa. Na fachada da construção encontram-se os escudos de feitura espanhola com escotaduras na parte alta e rematados em ponta. Ambos escudos são partidos, com diferentes armas em cada um deles. O da esquerda apresenta a primeira esquadra três tabelas horizontais superadas de três oblicuas e surmontadas de três flores de lis. Na segunda esquadra treze roelos, duas cambas e três caldeiros. Todas é-las armas dos Taboada.
O da direita mostra na primeiro esquadra uma torre sobre ondas duas trouçitas nadando entre as águas, e a ambos lados da torre duas conchas de vieira, como armas dos Churruchaos. Na segunda esquadra uma árvore arrancada que mostra as raízes, tronco recto com duas ramas primárias cortadas e taça redonda com um leão pasante. Esta esquadra é semelhante às armas do Pazo de Soutolongo, de onde provia a mãe do fundador da casa, pelo que podem corresponder aos apelidos dos Boado ou Ventosa, pela similitude com o escudo que existia na casa de São Martiño dos Varelas, em Melide , relacionado por casal com o citado Pazo de Soutolongo. Na parte superior um comprido epígrafe reza: ARMAS DE LOS TVOADAS I CHURUCHAOS.
A Casa do Ferreiro, em Noceda de Abaixo, tem os escudos dos Castro, Arias e López de Lê-mos. Segundo informação dos vizinhos, este escudo não era desta casa senão de uma que está próxima à igreja em estado ruinoso.
A Casa dos Quiroga é uma casa fidalga situada perto da igreja com um singelo escudo de quatro esquadras. No primeiro tem três flores de lis, no segundo uma roda, no terceiro umas tabelas em horizontal e no quarto umas tabelas em diagonal. Pela parte direita tem como uma espécie de cálice com o corpo de Cristo.
Entre 1932 e 1934 existiu uma sociedade denominada Sociedad Cultura y Pátria. Pró construcciones escolares y protecção mútua de Noceda, com o objectivo de construir uma escola. Este objectivo não chegou a cumprir-se de todo já que se esgotaram os fundos e fez-se o edifício de uma única planta. O seu secretário era Manuel Pérez.
O 24 de Julho de 1932 celebrou-se em Noceda um mitin galeguista às onze da manhã, com presencia de persoeiros ilustres como Otero Pedrayo, Suárez Picallo, Alexandre Abóbada, Valentín Paz Andrade, Álvarez Gallego e Antón Alonso Rios (não se pode confirmar a presença de todos).
Nos tempos da guerra Noceda sofreu as suas consequências. Uma placa dos caidos lembra a oito mortos falecidos pelo bando nacional. A placa foi a primeira instalada na comarca, o 31 de Dezembro de 1939 . O acto contou com a presença do chefe local da Falanxe de Lalín, Mario Fernández Crespo, e o secretário de organização, Xesús Goyanes. Depois de uma missa procedeu à descoberta da placa com a leitura da Oração dos Caidos e concluiu-se o acto com berros de Presentes", habituais nos encontros falanxistas.
Esta festa celebrasse sempre no primeiro domingo depois de 3 de Maio. Esta já é uma tradição muito antiga que começou quando uma missão construiu uma cruz em 1905, a cem metros da igreja. Desde então vai-se até ela em procissão, e ali as crianças novas recitan orações a Virxe e a Xesús. Logo regressam a igreja para receber a bênção, e logo há um concerto para a gente que assiste à festa[2].
É uma festa campestre que se celebra na aldeia de Lamas cinquenta dias depois de Pascua. Honrasse à Virxe dos Remédios numa capela que leva o seu nome, rehabilitada a princípios do século XIX.
Normalmente celebram-se missas durante toda a manhã, e à uma é a missa solene acompanhada de uma procissão arredor da capela. Depois da missa há um concerto a cargo de uma banda, e a seguir a gente come ali e está-se toda a tarde aguardando a festa da noite.
Uma tradição que se perdeu em Noceda era a da bênção dos frutos que se realizava todos os anos o dia de São Marcos (25 de Abril), onde iam os vizinhos ao redor de um cruzeiro para abençoar os produtos do campo e pedir pelas colheitas.
| Lugares da freguesia de Noceda na câmara municipal de Lalín (Pontevedra) | |
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Eirixe | Golmar | Lamas | Noceda de Abaixo | A Toxiña | Vilar do Xestal | Xonxil |
Artigos em publicações periódicas: