O porco na cultura popular galega
Monumento ao porco Antón em Espasante
,
Ortigueira
A seguir recolhe-se a pegada que deixou o porco na cultura popular galega, na fraseoloxía e na literatura de transmissão oral. Incluem-se também as referências à mata do porco, à sua carne e aos produtos que dele se obtêm.
A mata
A mata do porco, também denominada matança[1], é o conjunto de operações que se realizam para o sacrifício do porco, o faenado da canal e a posterior elaboração dos embutidos e outras peças para conservar a carne obtida. Não se aplica ao sacrifício industrial nem à actividade da indústria cárnica, senão só à mata realizada no domicílio do proprietário e exclusivamente para o consumo familiar.
Representa —sobretudo noutras épocas— a principal fonte de abastecimento de carne da família rural para todo o ano[2], ademais de constituir, junto com o Carnaval, uma das formas mais representativas da cultura popular galega. Ao mesmo tempo, foi durante séculos um dos momentos de nucleación social de maior tradição.
Refraneiro sobre o porco
Abre o porco, verás o teu corpo
- A todo o porco chega-lhe o seu São Martiño.
- Os porcos e os grelos, piores se marelos.
- Pra o porco e a galinha, que passe a Santa Marinha.
- O porco deve-lo manter se tu o hás de comer.
- O porco i o sogro querer mortos.
- O porco que é pró lobo não há são Antón que o guarde.
- Pelo são Martiño, mata o teu porquiño.
Cantigueiro
- Coidache porque era experimente/ que já me tinhas na mão,/ muitas cerdas tem um cocho/ e não sai de marrán.
- Adios terça-feira d'carnaval,/ adios meu pequeniño;/ minha mai não matou porco,/ não comemos o touciño.
Referências
- ↑ Ou matalota por terras de Lugo (Sarria, Palas de Rei ou Ribeira de Piquín).
- ↑ Tenha-se em conta que até há relativamente pouco tempo, o porco era o principal animal de abasto de carne. Outras espécies, como o vacún, criavam-se case exclusivamente como animal de trabalho, sendo a carne e o leite aproveitamentos secundários. Os équidos eram animais para o transporte e trabalho, e o consumo da sua carne foi sempre residual.
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