O Pazo de Raxoi é um edifício civil de Santiago de Compostela de estilo neoclásico, sede da corporação autárquica da cidade, ainda que ao longo da história tem acolhido outros organismos. O seu nome honra ao arcebispo Bartolomé de Raxoi, que foi impulsor principal da edificación, ainda que não o único.
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Está localizado na parte ocidental do largo do Obradoiro, que fecha por essa banda, face à fachada principal da catedral de Santiago. À sua direita situa-se o Colégio de São Xerome, que hoje serve de sede do Reitorado da Universidade de Santiago; à esquerda do pazo érguese o Hospital Real dos Reis Católicos, na actualidade Hostal.
O solar sobre o qual se levanta o Pazo de Raxoi, estava ocupado anteriormente pelos cárceres civil e o eclesiástico da cidade e mais um trecho da muralha, que defendia a urbe pela parte de poente. A dupla propriedade sobre o prédio originou discordâncias entre o Bispado e a Câmara municipal. Este apresentou um projecto em 1764 , da autoria de Lucas Ferro Caaveiro, com a ideia de consistir a Casa da Câmara municipal entre ambos cárceres. Pelo sua banda, o arcebispo, Bartolomé de Raxoi, tinha em mente colocar aí o Seminário denominado de Confesores e a residência para as crianças do coro catedralicio, para o que apresentava um projecto diferente, encarregado a Andrés García de Quiñones. Porém, ademais da controvérsia entre os copropietarios, surgiu uma terceira parte interessada, o Hospital Real, alegando que se atentava contra a sua propriedade. O litixio consegui-te levou à intervenção da Capitanía General da Galiza e da Real Câmara, resolvendo-se, finalmente, de modo salomónico, em 13 de Maio de 1767 , que o e futuro edifício albergasse o Consistorio compostelán, o Seminário de Confesores e mais os cárceres, consonte ao projecto do engenheiro Carlos Lemaur, segundo se propusera pela supracitada Capitanía General.
De acordo com a anterior resolução, o edifício foi construído segundo as traças de Lemaur, sendo dirigidas as obras por frei Manuel de los Mártires, e como executores reais pelos mestres Juan López Freire e Alberte Ricoy, e, segundo a inscrição que figura no friso do mesmo pazo, as obras tiveram lugar entre 1766 e 1772.
O pazo contribuiu a realzar a largo do Obradoiro, que carecia de um edifício digno nesse lado, máxime quando fazia poucos anos que se rematara a nova fachada ocidental da sé compostelá.
O edifício corresponde-se a um tipo palacial francês desenvolvido por François Mansart, em último extremo assentado sobre modelos italianos: comprida loggia porticada, com perpiaños almofadillados, sobre o que se alçam os corpos correspondentes, e abraçados por uma ordem colosal. A este patrão ajustou-se a fábrica compostelá. Sobre um plano rectangular, predomina a horizontalidade, com os quase 90 m de comprimento da fachada, quase não rompida pelas acróteras e frontóns do coroamento, que contrasta com a verticalidade da fachada catedralicia. No corpo inferior destaca o asoportalamento com vinte arquerías de médio ponto nos lados e cinco alinteladas no centro. Sobre desta loggia desenvolvem-se dois corpos superiores, ambos abrangidos por colunas adosadas de ordem gigante xónica, que arrancam, sobre pedestal apoiado no remate do pórtico. Entre essas colunas colosais abrem-se cinquenta ocos, de tipo porta em ambos casos, pois por elas acede-se ao balcón corrido que percorre toda a fachada no primeiro andar, e à uma varanda no segundo. Estes vãos asseguram a luminosidade das estâncias internas.
Coroa a construção um ático adornado de balaustrada poderosa. Nos laterais colocou o arquitecto senllo frontóns curvos, e no meio um frontón triangular, sustido por columnata pareada. Deste modo reálzase essa parte central, que ademais avança ligeiramente para o largo, e para que se reclama a atenção, pois nela se situa a entrada principal. Enquanto nos frontóns laterais se colocaram senllo escudos de Rajoy, no central situa-se um tímpano que desenvolve, em relevo, a batalha de Clavijo, na que segundo a lenda interveio o mesmo Santiago apóstolo, epónimo da cidade, em auxílio dos cristãos. Foi desenhado pelo pintor galego Gregorio Ferro, e executado, em mármore, pelos escultores Xosé Gambino e Xosé Ferreiro, ambos também galegos. Este último foi ademais o autor do Santiago ecuestre que remata a cimeira do frontón.
A parte posterior da edificación é diferente, pois um abrupto corte de terreno e a proximidade da igreja de São Frutuoso, impunha soluções diferentes. O corpo inferior, até a altura do largo do Obradoiro, destinou-se a albergar os cárceres. Colocou-se um amplo pátio central, e projectaram-se dois corpos laterais prismáticos, seguindo as pautas da fachada, mas com total ausência de elementos que rompessem a estereotomía da obra, a não ser os ocos e balaustrada superior.
A singeleza dos elementos arquitectónicos e a pureza de linhas, fã deste edifício um dos mais importantes de Espanha, em estilo neoclásico.
O francês J. Sermet, foi o primeiro em assinalar, em 1950, que o pazo de Raxoi, podia estar inspirado no Capitole de Toulouse (1750-1760), obra de Cammás, e, mais tarde, o historiador da arte, o ferrolán Alfredo Vigo Trasancos, assinalou outras edificacións similares levantadas na França por essa mesma época, como a Mairie (Casa autárquica) de Nancy , da autoria de M. Heré.
Desde a sua fundação foi casa consistorial e albergue dos confesores (linguaxeiros) que administravam penitência ao peregrinos, e cárcere autárquico (nos baixos da parte posterior). Até bem entrado o século XX seguiu a servir como residência de cóengos. Desde a transição democrática alberga a Presidência da Xunta da Galiza provisoriamente. Desde 1991 é sede também do Conselho da Cultura Galega.
O escritor Manuel Rivas n' O lapis do carpinteiro evoca a estadia dos represaliados, durante a sublevación militar de 1936 , no cárcere do Pazo de Raxoi.