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Raxó, Poio

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São Gregorio de Raxó
Raxó.jpg
igreja parroquial
Câmara municipal:Poio
Área: 1,8 km²
População: (Ano 2008) 1.137 hab.
Densidade: 631,6 hab./km²
Entidades de população: 2

São Gregorio de Raxó é uma freguesia da câmara municipal de Poio , na comarca do Salnés. Segundo o INE, no ano 2008 tinha 1.137 habitantes (562 homens e 575 mulheres), 23 mais que no ano anterior.

Com 1.8 km², é a freguesia mais pequena da câmara municipal. Conta com onze entidades de população: A Igreja, Caneliñas, Espedregada, Lameiriña, Colina, Praia, Portería, O Rego, A Serpe, Terradepedra e Valdemós. Dista 8.5 km da capitalía da câmara municipal. Devido ao desenvolvimento urbano, o INE, só conta dois núcleos: Raxó vila e Serpe, Raxó, Poio (Serpe)


Índice

Geografia

Ao igual que as demais freguesias da câmara municipal, se bem em menor medida, caracteriza-se por ter um relevo forte, com uma notável pendente. Em menos de 3 km. passa da faixa litoral aos 171 m. de altitude. Os seus principias acidentes costeiros são a ponta de Sinás, e as praias de Fonte Maior, de Sinás, e a de Xiorto, ademais das praias da Granja de Dorrón (Sanxenxo), lugar influenciado por Raxó, cujos limites se confundem no núcleo urbano principal.

Por outro lado, Raxó carece de cursos fluviais importantes, talmente como sucede com as demais freguesias da câmara municipal, que contam tão só com quatro regos de curso e caudal muito reduzido.

Vista geral

Clima

O clima de Raxó, é o próprio das Rias Baixas, determinado pela influência das correntes cálidas (Gulf Stream), que lhe confire um verdadeiro carácter mediterráneo dentro do tipo oceánico. A temperatura é relativamente elevada para a sua latitude (42º 26’ norte), oscila entre os valores médios compreendidos entre os 12.5º e os 20.5º. Em Inverno, valores médios de 10º, em vê-lo-ão algo superiores os 20º. A sua precipitação alcança os 1.500 mm. anuais, mas nos meses de Verão a penas chega os 50 mm.

Vexetación

A sua vexetación é o resultado da actividade dos serviços florestais e de interesses particulares, com extensões de pinheiro e eucalipto. Devido a esta acção antrópica a associação arbórea natural, o carballo, encontra-se praticamente ausente, excepto em algumas valgadas, mas sendo sempre pouco extenso. Também existem toxos, silveiras e fentos, próprios do monte sob galego.

História

Origens

A freguesia de Raxó está vencellada ao mosteiro de Armenteira, que segundo a tradição, foi fundado por Ero de Armenteira no século XII. Durante o mandato do abade nº 21, Domingo (1308-1338), existe a primeira referência documentário de Raxó. Segundo o P. Duarte acontece o milagre da curación de "Gonzalo Pérez de Rajó, escribán que foi deste mosteiro".

Na referência que faz do abade nº 28, Juan de Castro (1449-1477), aporta uma descrição dos limites da freguesia dizendo que "dita herdai formava coto, e os seus confíns eram desde Fontemaior, junto o mar, até a Colina da Pedreira, e de ali o marco de Tabuelas e o marco das Colinas de Dorrón, e de ali o marco da Torre, e o marco dos Bandos e o couto da vinha de Juan Minez, clérigo, e de ali o muro abaixo ao mar, tornando mar arriba até onde começou, entrando também no mar, como dizem os marcos".

Em 1404, Frei Juan García, abade nº 29 do mosteiro de São Xoán de Poio afora a Juan de Rajoo o jovem e a sua mulher Inés Yanes, vizinhos de São Pedro de Tenorio.

Em meados do século XV, época de grande esplendor para Pontevedra, o mercador Ares García de Rajó, rexedor perpétuo da Vila, casado com María do Rio, fizeram as bases do que passado o tempo chegou a ser uma das famílias burguesas mais sobranceiras de Pontevedra pois, detentaron aos seus descendentes cargos vitalicios na vila e dotaram-se das prerrogativas próprias do seu status social. Em 1536, edificou-lhe a casa o pedreiro mestre Diego Gil. Dita casa situa no nº 11 da rua dos soportais da Ferrería, e tem uma inscrição em caracteres góticos na imposta da fachada e sobre os arcos, que diz Esta obra mandou fazer o muito nobre senhor Ares García de Rajóo, regidor desta Villa. Era de mil e quinientos e trinta e seis anos.

Em 1581 Antonio García de Rajó, fundou o vínculo e morgado dos Rajó. Este mesmo senhor fixo construir em 1590 a denominada capela da Anunciación no convento de São Francisco de Pontevedra. Ainda hoje pode ler-se a inscrição que diz Antonio García de Rajóo fundó y dotó esta capilla com obligación de três missas em cada semana.

Outra família que colaborou com o convento de São Francisco foi a de Manuel Domínguez de Rajóo. Baixo a advocación de São Lourenzo, em 1673 fez-se uma fundação com licencia de Juan García de Rajóo e María da Veiga, os seus pais, e cedeu-lhes as sepulturas que estão o pé do altar e no nicho da direita, com a obriga de "fazer e pintar o retablo".

Também são desta época, 1583, as notícias que sobre preitos entre a Confraria do Corpo Santo e os marinheiros de Raxó pela pesca com tiradas. Nesta zona o emprego das diferentes artes estava dividida por mares. O Mar de Raxó estava compreendido entre ponta Sinás e a ponta de Festiñanza. Em 1594, os mareantes da Moureira prenderam em Raxó por faenar com redes de modo durante a temporada dos cercos ao barco com redes e peixe que a vizinha de Portonovo , Maior García, lhe alugara ao pontevedrés Juan González. Olló decir que abían llegado al te diz puerto de Rajó.

Ao abade nº 40 de Armenteira, Eugenio Gerrero (1560-1563), tocou-lhe clarificar um assunto que preocupava as consciências de muitos fiéis de Raxó e de outros cotos do mosteiro, os quais tinham a obriga de acudir a igreja do mosteiro para receber os sacramentos. Em 1561, o abade compadecido deles e para facilitar-lhes o cumprimento dos seus deveres religiosos, autorizou-lhes a que puderam ouvir missa e recebê-los sacramentos na ermida que o mosteiro tinha dentro da granja de Raxó excepto por pascua de resurrección.

O abade nº 68, Felix de Barcena (1632-1635), fixo a cerca de Raxó e o lugar e edifícios da Granja.

Em tempos do abade nº 81, Baltasar de Zamora (1665-1668), suscitar-se-ão graves polémicas a causa da fazenda do partido de Raxó. Neste processo faz-se referência a D. de la Rua Freire, reitor de Bueu ..."

Com o abade nº 83, Manuel Guerrero (1671-1674), voltou o problema da Vaqueriza.

Bernabé Cano (1683-1686), abade nº 87, aforoulle a Domínguez Rodríguez de Raxó, para sim e por três vidas de reis ou rainhas, a herdai telefonema de Rabo do Porco, por um ferrado de centeo, posto a sua cata na granja de Raxó.

O abade nº 91, Manuel Conde (1695-1698), arranjou a igreja de Raxó, pôs nela o Santísimo e todo o necessário para o culto, assim como a casa do cura.

Momento histórico destacado foi o governo do abade nº 105, Jerónimo Villanueva (1738-1741). Em 1747 visitou a igreja de Raxó o arcebispo de Santiago, Cayetano Gil Taboada, quem vendo nela todo o necessário para atender os fiéis elevou-a a freguesia.

Opôs-se o mosteiro em virtude dos privilégios de Ordem e particulares, obtendo a revogación do mandado.

Em similar processo interveio no ano 1749 o abade nº 109, Nivardo Pérez (1747-1750), onde obtém mais uma vez a razão para o mosteiro pois “a igreja de Raxó é mera ajuda de freguesia”.

No ano de 1753 produz-se um facto transcendental para o conhecimento da realidade socioeconómica de Raxó, já que através do Interrogatório, o denominado cadastro de Ensenada, transcenderon respostas que não existem nos registros dos Abades.

A freguesia de São Gregorio de Raxó pertencente a xurisdición da Atirada. Contava com 25 naturais e com 97 forasteiros. Estava composta por dois únicos lugares, o de Raxó e o de Bacariza. As casas eram terreñas e com telhado ou colmado, alpendres, cabalerías e currais. Os forasteiros eram case todos de Dorrón e Samieira. As profissões de aprendiz de sangrador, estanquilleira de tabaco, costureira e sobretudo xornaleiros.

A casa do Priorado era alta e tellada, com duas salas, bodega e lagar. Um pallar e uma cabalariza também tellada, curral e eira. Rodeada de terra própria, dezasseis ferrados e três quartos, destes doce ferrados são de vinha de por metade de 1ª e 2ª categoria. Dois ferrados de devesa de carballos de 2ª categoria. Um quarto de hortalizas de regadío de 2ª, outro quarto canaveral também de 2ª. Um ferrado souto de castiñeiros de 1ª, médio ferrado souto de castaños de 2ª e outro meio também souto de castaños de 3ª o quarto restante de vimbieira de 3ª categoria.

Século XIX e XX

Com a desamortización de Mendizábal , em 1835 rematou o vencello de Raxó com o mosteiro de Armenteira. Porém, Raxó não foi freguesia independente até 1850. O templo actual passou por três etapas de ampliação, partindo da ermida primitiva, em 1724, 1778 e 1890.

O primeiro cemitério parroquial data de 1833, e surge em consequência da Real Ordem do 1832, que proibia enterrar dentro do templo. Uma primeira ampliação teve lugar em 1903 e a segunda em 1948.

A pegada deixada por quase 700 anos de dependência do mosteiro de Armenteira é ainda hoje perceptible em verdadeiros comportamentos sociais. A patroa da freguesia é a Virxe da Saleta e o patrão São Gregorio Magno, que não adoptam ser as devocións próprias das vilas da ribeira do mar.

O facto definitivo que confirmou a nova dependência de Raxó a respeito de Poio foi quando o 30 de Novembro de 1836 publicou no Boletim Oficial da Província de Pontevedra a "Nova Planta" da província de Pontevedra, e por ende a da câmara municipal de Poio , figurando São Gregorio de Rajó com 50 vizinhos e 190 almas, correspondendo-lhe 3 eleitores.

A população de Raxó experimentou no século XIX um crescimento lento mas continuado, em sintonia com o que acontece no resto da Galiza. Entre 1833 e 1855 este incremento de população foi superior mesmo ao das zonas rurais do resto de Espanha. As causas que adoptam oferecer-se para explicar este facto são a maior benevolência das epidemias, que as economias camponesas e marinheiras enfocadas para o autoconsumo não se viro afectadas pela grande depressão económica que se produziu entre os anos 1817 e 1856, e a plena consolidação do cultivo da pataca, que atingiu neste tempo uma difusão acelerada depois da sua introdução a finais do século XVIII e princípios do XIX. A pataca assume neste tempo o papel que outrora desempenhara o millo, permitindo um policultivo de subsistencia nos âmbitos da freguesia e completando na dieta ao peixe, outro dos alimentos básicos nesta zona.

A emigración que se produziu nos séculos XIX e XX é um rasgo estrutural da sociedade galega que também afecta de modo importante à freguesia de Raxó. É preciso ter em conta que o fenômeno da emigración afectou não só à evolução absoluta do número de habitantes, senão também ao processo de envelhecimento, à queda das taxas de natalidade, à distribuição por sexos e idades, etc.

Os países de acolhida dos emigrantes de Raxó coincidem, a grandes linhas, com os que podemos assinalar para o conjunto da Galiza: América do Norte Latina entre meados do século XIX até aproximadamente 1930, e Europa ocidental a partir da década de 1960. As causas que provocam este éxodo foram fundamentalmente de tipo económico, relacionadas sempre com o desequilíbrio entre a população e os recursos: atraso da indústria, falta de capitais, peso excessivo dos tributos, impostos e rendas, ou muito especialmente no caso de Raxó o carácter artesanal da pesca orientada para o autoconsumo. Diversos estudios assinalam como factor desencadeante da emigración maciça a partir da metade do século XIX os contínuos temporais e chuvas dos anos 1852-53 que asolagaron Galiza, ocasionando a perda das colheitas e dificultando quando não impedindo as faenas no mar. Ainda que esta crise de subsistencia pontual não é mais que um factor somado à uma péssima situação estrutural da economia. A emigración foi uma via de saída, dirigindo-se nestes primeiros tempos cara países como Cuba, Argentina, Uruguai ou Brasil.

Esta situação manteve-se até princípios do século XX, quando começaram a surgir as primeiras experiências industriais a partir das pesquerías realizadas em Raxó. Ademais da pesca propriamente dita, que neste tempo começa a gerar excedentes que dão lugar primeiro a uma economia de troca e depois de mercado, é preciso falar das primeiras fábricas de salgadura. Mantêm-se ainda em pé os restos de duas fábricas de salgadura, uma face à praia da Maceiriña, no limite das câmaras municipais de Poio e Sanxenxo, e outra na Granja de Abaixo, já na câmara municipal de Sanxenxo. Ambas as duas indústrias contavam com um pequena doca onde atracaban as chalanas e os barcos com o peixe. São os precedentes mais directos da posterior fábrica de conservas Camping, propriedade de Rafael Casaponsa em funcionamento na actualidade, que se instalará em Fontemaior, se bem estas primeiras indústrias trabalharam mais como oficinas artesanais que como fábricas modernas

A guerra civil espanhola submeteu de novo aos habitantes de Raxó a uma penúria económica, provocando um novo éxodo migratorio e o trabalho dos homens na navegação de grande altura. Em efeito, grande número dos marinheiros que não emigram, embarcam-se tanto em mercantes (transmediterranea, etc.). como em pesqueiros de altura, ou em petroleiros da CAMPSA, e em menor medida em barcos de companhias estrangeiras. Na década dos setenta e princípios dois oitenta, há também trabalhadores de Raxó nas plataformas petrolíferas holandesas do Mar do Norte, entre outras.

A melhora das condições económicas do país, unida ao bem-estar das famílias que têm o cabeça de família na emigración, na pesca de grande altura, na navegação ou nas plataformas, vai dar lugar a uma melhora económica apreciable. É a época na que se acreditem pequenos negócios na vila, diversificando as tradicionais tabernas e bares existentes.

Também o turismo contribui a partir dos anos 60 do século XX a melhorar a economia do povo. Raxó tem nas suas praias e na sua natureza um grande atractivo para o turismo interior, que chegará ao povo residindo primeiro em casas particulares e posteriormente em explorações hoteleiras. Sem ser o sector principal na economia do povo, o turismo contribui a completar a riqueza do mesmo, aportando de acordo com a for-me estacionalidade que o caracteriza importantes ingressos para muitas famílias do povo.

Este facto é importante também para explicar o enorme e não sempre bem ordenado crescimento urbanístico de Raxó. A estrutura de povo marinheiro, com construções baixas de pedra, que se conserva até os anos cinquenta do século XX vai desaparecer bem em seguida engolido por uma urbanização rápida e pouco planificada, pensada para alugar pisos e apartamentos aos turistas. De modo que, a tradicional orientação de construir uma habitação para dar cumprido acomodo a um novo núcleo familiar, há que acrescentar um número muito alto de habitações construídas para o turismo e que permanecem vazias fora da época estival.

Entidades Locais

As associações organizadas são fundamentalmente a Associação de Vizinhos "A Laxe", que tem uma escassa actividade mas que se mantém vigente no plano legal, e a Sociedade Cultural e Desportiva Raxó, fundada em 1982. Arredor da igreja criou-se recentemente o Conselho parroquial, para organizar as actividades religiosas e o culto.


Lugares de Raxó

Lugares da freguesia de Raxó na câmara municipal pontevedrés de Poio.

Caneliñas | Espedregada | A Igreja | A Lameiriña | A Colina | Portería | A Praia | O Rego | Serpe | Terra da Pedra | Valdemós

Freguesias de Poio

Galiza | Província de Pontevedra | Freguesias de Poio.

Combarro (São Roque) | Poio (São Salvador) | Poio (São Xoán) | Raxó (São Gregorio) | Samieira (Santa María)

Veja-se também

Outros artigos

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