Visita Encydia-Wikilingue.com

Séculos Escuros

séculos escuros - Wikilingue - Encydia

História da Galiza
GaliziadescriptioI.jpg

Prehistoria

Idade Antiga

Antigüidade tardia

Idade Média

Idade Moderna

  • Antigo Regime
  • A Ilustração

Idade Contempóranea

Veja-se também:

Cronologia do reino da Galiza

Denominam-se Séculos escuros os séculos XVI, XVII e XVIII, durante os que a literatura galega entra num período de decadência e a língua perde o seu uso nos registros oficiais.

Índice

Decaemento da língua

Diversos foram os factores que provocaram o progressivo decaemento da língua galega, entre os que cabe salientar:

Todos estes factores conflúen e são compreendidos, à vez, por outra chave decisiva: apesar de que durante toda a Idade Média Galiza viveu num estado de prática semi-independência, o verdadeiro é que quando se achega o solpor medieval, o país galego carecia de um monarca privativo -depois da definitiva união da Galiza-León e Castela em 1230- e de instituições de seu. É dizer, Galiza aparece nessa altura como um reino mais dos que conformam a coroa de Castela. Nesse momento a monarquia avançava para o absolutismo ao tempo que se centralizaba no território castelhano, e a ausência de um poder central galego organizado que pudesse servir de contrapeso determinou o afastamento dos lugares de decisão e, portanto, uma decisiva perda na capacidade de influência. Galiza ficava assim como um reino cada vez mais afastado e decididamente marxinal nos projectos de uma monarquia que, centrada em Castela, vive momentos de expansão imperial.

Usos da língua galega

A língua galega, durante o comprido período de três séculos -XVI, XVII e XVIII- esteve ausente dos usos escritos, frente ao castelhano e o português, que entram num processo de afixação e codificación, o qual lhes confire a categoria de línguas de cultura. O exclusivo uso oral da língua galega levou à sua consideração como língua aliteraria, incapacitada para a ciência e a cultura. Porém, segue a ser a via normal de comunicação oral de 95% da população, aproximadamente. Nem a ideologia dominante, nem os meios dos que dispunha o poder central, determinaram a unificação linguística dos diversos reinos da monarquia hispânica.

Em realidade, a uniformización só se dirigiu para as camadas sociais dominantes; mas no século XIX e no XX, dentro do estado liberal e nos seus processos de universalización -justiça, administração, escola, meios de comunicação...- assistiremos a um processo decidido de atingir a unidade linguística do nacente Estado Espanhol.

De todos os modos, a consciência -na própria Galiza- de "castelhano como língua dos poderosos" /vs/ "galego língua das camadas populares" e essa outra de "castelhano como língua escrita" /vs/ "galego como língua de exclusivo uso oral" nasce justamente durante esta comprida etapa e vai ser determinante para compreendermos os processos diglósicos que chegam até os nossos dias.

O estudoso Xosé Ramón Freixeiro Mato, apesar dos poucos dados existentes, fala de três grupos sociais na Galiza quanto ao seu comportamento linguístico: um reduzido grupo monolingüe em castelhano na cimeira do poder político-religioso, um grupo bilingue autóctono integrado no aparato do poder e uma maioria monolingüe em galego. Henrique Monteagudo assinala que o primeiro grupo atrairá ao castelhano as camadas sociais que procuram a ascensão, e esta extensão horizontal continuará até o século XVIII, convertendo-se em descendente só a partir de XIX e ainda mais no XX.

A nossa literatura fica assim à margem do Renacemento e do Barroco, coincidindo esta sua etapa mais escura com o Século de Ouro da literatura castelhana. Assim e tudo possuem-se, em galego, algumas cartas, documentos e escassas amostras literárias que nos deixam ver a língua da época. De fins do século XVI e primeiros do XVII conhecem-se várias cartas dirigidas a Diego Sarmiento de Acuña, conde de Gondomar , como por exemplo a que lhe enviou dom Diego Sarmiento de Sotomayor, dizendo-lhe em 1605: e que fizesse ysto nesta lingoaxe pois é de v. m. tão estimada. E também através da observação das cartas, sabemos que uma parte da aristocracia galega conhecia mal o castelhano e vivia instalada no galego como língua familiar e habitual.

Paralelamente a este esvazio de literatura erudita, pervive a veia da lírica popular em forma de cantigas de berço, de cego, carnavais, adivinhas, lendas, romances, contos, farsas, etc. Muitos deles chegaram até hoje por transmissão oral. No século XVIII surgem as vozes de denúncia dos chamados "ilustrados", que demonstram a sua inquietação pelo subdesenvolvemento da Galiza e oferecem propostas renovadoras da vida económica, social e cultural. Acreditem-se organismos como as Sociedades Económicas de Amigos do País e a Academia de Agricultura do Reino da Galiza.

Entre este minoritário grupo de intelectuais despunta com força a figura do padre Frei Martín Sarmiento, personagem polifacético –naturalista, lingüista, bibliófilo...—, que defendeu o uso do galego no ensino, na administração e na Igreja, isto é, a oficialización como língua própria dos galegos. Participam também o Padre Feijoo, o primeiro em rejeitar a condição de dialecto para o galego, e o padre Sobreira, continuador do labor lexicográfico de Sarmiento. A sua obra constituiu o primeiro telefonema de atenção de uma problemática linguística que se haver manifestar em toda a sua extensão na segunda metade do XIX.

Bibliografía

Veja-se também

Your Ad Here