VOLG
VOLG (habitualmente pronunciado /bolga/) é o acrónimo do Vocabulario ortográfico da língua galega. Se as NOMIG são as prescricións ortográficas e morfolóxico da RAG e do ILG, assumidas por lei, o VOLG consiste na sua aplicação. Malia circular em cópias privadas durante anos, no ano 2004 por fim apareceu publicado oficialmente em papel por estas duas instituições baixo a coordenação de Manuel González González e de Antón Santamarina Fernández, com o qual se criou a base normativa de facto (não de iure) para qualquer obra lexicográfica geral do galego.
Correcções ao VOLG
Devido a que o VOLG é simplesmente um listado ortográfico com a categoria gramatical, convém clarificar as formas flexionadas, derivadas e conjugadas que apresentem dúvidas.
Esclarecimentos necessários na aplicação das NOMIG e do VOLG
As NOMIG e a sua reforma de 2003 , das cales o VOLG não é mais que uma plasmación prática, são um passo importante para a normalização do galego, mas:
- 1: há que ter em conta que existem outras orientações normativas para o galego (lusistas, reintegracionista, etc.), ainda que as NOMIG e o VOLG são as que se ensinam maioritariamente no ensino formal e as esixibles por parte da administração autonómica e estatal;
- 2: considerando que o VOLG é uma extensão prática no âmbito da ortografía das NOMIG, e que estas (como indica o seu título) são normas no campo da ortografía e da morfoloxía, deduze-se que:
- 2.1: tanto um coma a outra não são prescritivas no campo da fala nem do nível fónico, e portanto da fonética e fonoloxía, e portanto em rigor não proscrevem nenhum fenômeno linguístico diatópico, diafásico ou diastrático do galego (ieísmo, gheada, seseo, metafonía, despalatalización, etc.);
- 2.1a: a prescrición do VOLG a respeito da fala sim se dá para:
- o que nas regras de acentuación se estabeleça para as sílabas tónicas e a quantidade total delas;
- o que no uso dos diacríticos se estabeleça para o grau de abertura das vogal médias;
- o que no uso da diérese se promulgue para os encontros tautosilábicos ou heterosilábicos na conjugação de determinados verbos (ï para o copretérito de verbos rematados em aer, oer, air e oir);
- o que no uso prático das normas (é dizer, na sua aplicação, que é o VOLG) se estabeleça para a divisões silábica dos encontros vocálicos ato-nos das semiesdrúxulas ou esdrúxulas;
- 2.2: no relativo concretamente à pronúncia da contracção ao, as NOMIG especificam explicitamente que a sua pronúncia será de vogal velar semiaberta;
- 2.3: outro tanto pode-se aplicar à norma léxica: que uma palavra não apareça no VOLG não indica que seja incorrecta, simplesmente não está recolhida (esta ideia está muito estendida, tanto no que respeita à normativa do galego coma verbo do dicionário da RAE);
- 3: quando as NOMIG e o VOLG dão duas possibilidades e uma delas coma prefente há que tomá-lo coma tal: podem-se usar as duas alternativas mas dase uma preferência oficial (se se quer, recomendação) por uma delas. Em alguns casos a preferência da normativa anterior à reforma era a inversa da posterior, provavelmente coma método de integração de inovações à normativa e sistema de transição gradual a uma normativa futura diferente da anterior;
Fé de erros: as grallas do VOLG
- conserxe: no original consta coma substantivo masculino, quando deveria ser substantivo de duplo género;
- te a e te o: nas suas notas (não presentes na edição publicada) consta coma contracção de preposición + artigo, quando é contracção de pronome + pronome
Ordem segundo a característica anotada
Questões de ortografía.
Conjugação verbal e simplificación de grupos consonánticos
Nos verbos que, em algumas das suas formas ao longo da conjugação, possam apresentar ocasionalmente uma combinação que deveria simplificarse, o grupo consonántico manténse por analogia com a grafía do resto das formas da conjugação. Exemplo disto seria:
- reflectir, que nas pessoas do tempo presente é reflicto, reflectes, reflecte, ...;
Quando uma palavra composta é separada por guião, cada uma das suas partes recebe o til gráfico independentemente, e em coerência com isto:
- não levam acento gráfico os adverbios rematados em mente, mesmo se estão cortados dentro de uma enumeración de vários: drastica e definitivamente (não *drástica e definitivamente);
- no uso da segunda forma do artigo, consignar-se-á se lhe corresponde a cada palavra por separado: remata ra-loleite mas rematará-lo leite;
Um caso especial da primeira regra citada é o seguinte:
O acento gráfico poder-se-ia considerar anormal mas não diacrítico, pois consigna-se com a única função de obrigar à pronúncia oxítona do composto. Isto vem dado pela lógica de que na ausência de acentuación gráfica poderia haver duas pronúncias possíveis e normativas. Outros dois casos de acento gráfico com comportamento anormal mencionam-se mais adiante (os não prescritos -tén ou vem- e os não extrapolados ao plural -de asas e que os-)
Esta última circunstância não se dá no caso do encontro de vogal vogal débis e fortes em posição átona. A ortografía do galego (e de muitas línguas románicas, ainda que não do romanés) distingue com o acento agudo (no romanés com outro grafema) o número de sílabas átonas, por exemplo, distinguindo a palavra ... (trisílaba: --) da palavra mudança (que deve ser cam-bio). A estas últimas, as que apresentam um ditongo crescente postónico, se adopta chamar semiesdrúxulas, e no português são indistinguibles das anteriores. Devido a que no VOLG se consignam como semiesdrúxulas a maioria destas combinações, mas em realidade os galegos na fala fogem de realizar ditongos crescentes rompendo-os coma hiatos, a ortografía não sempre está ajustada ao que a gente diz: ainda assim, neste caso sim existe uma prescrición fónica coma excepção do ponto 2.1 dos Esclarecimentos iniciais.
Apesar de que não consta explicitamente nas NOMIG, existem certos acento gráficos que se podem consignar diacriticamente para distinguir o grau das vogal em duas palavras que do contrário seriam homógrafas, sempre marcando com acento agudo na palavra com vogal semiaberta:
- tén (3ª de indicativo) cf. tem (2ª de imperativo )
- chás (verbo ter) cf. tens (plural de (letra) T (ou com a sua forma))
- vem (3ª de indicativo) cf. vêem (2ª de imperativo )
- vens (verbo vir) cf. vês (verbo ver)
Outras simplificacións consonánticas
As NOMIG prescrevem que os grupos consonánticos simplifícanse sempre que não dê lugar a ambivalencias. Os casos nos que se dá esta são:
- adición ('soma'), adicción ('necessidade, vício')
Questões de número
Plurais regulares
- tutti (s.m.), pl. tuttis (inusual)
- nosopai (s.m.), pl. nosopais
Compostos com a partícula não-:
- não-aliñado (...), pl. não-aliñado (inusual)
- não-adesão (...), pl. não-adesão (inusual)
- não-intervenção (...), pl. não-intervenções (inusual)
Compostos e estranxeirismos
- fox-trot (s.m.), pl. fox-trots
- walkie-talkie (s.m.), pl. walkie-talkies
- wáter-pelo (s.m.), pl. wáter-pólos (inusual)
- ye-yé (...), pl. ye-yés
Plurais irregulares de palavras compostas
Compostos de pé:
- cempés (s.m.), pl. cempés
- repousapés (s.m.), pl. repousapés
- trespés (s.m.), pl. trespés
Compostos de cú:
- lavacús (s.m.), pl. lavacús
- rapacús (s.m.), pl. rapacús
- tapacús (s.m.), pl. tapacús
Também é o caso de:
- matacandís (s.m.), pl. matacandís
- chascarraschás (s.m.), pl. chascarraschás (inusual)
Plurais especiais
- às (s.m.), pl. ases (sem acento diacrítico)
- que os (s.m.), pl. coses (sem acento diacrítico)
Questões de género
Questões de categoria gramatical
- daca (contr., de dá + cá): é paroxítona e amalgámase com o pronome átono numa só palavra: dácame
- celibato, -a
- KO
- SÓS
- TNT
- homónimo
- milenario
Pendente de solução
- cuscús (s.m.), pl. ? (inusual por incontable)
- KO coma adjectivo
Veja-se também
Ligazóns externas