| Vazia | |
|---|---|
| | |
| Situação | |
| Xentilicio[1]: | Baleirense (não oficial) |
| Geografia | |
| Província: | Província de Lugo |
| Comarca: | Fonsagrada |
| População: | 1.584 hab. (2009) |
| Área: | 168,8 km² |
| Densidade: | 9,72 hab./km² |
| Entidades de população: | 12 freguesias |
| Capital da câmara municipal: | O Cadavo |
| Política (2007) | |
| Presidente da Câmara: | Francisco Acal Eirós (PP) |
| Vereadores: | BNG: 1 PPde G: 6 PSde G-PSOE: 2 Outros: - |
| Eleições autárquicas em Vazia | |
| Uso do galego[2] (2001) | |
| Galegofalantes: | 99,72 % |
| Sitio web oficial | |
| www.concellodebaleira.com | |
Vazia é uma câmara municipal da província de Lugo, pertencente à comarca da Fonsagrada. Segundo o IGE no 2009 tinha 1.584 habitantes (1.684 no 2006, 1.729 no 2005, 1.778 no 2004, 1.800 no 2003).
| Evolução da população de Vazia entre 1860 e 2004 - | ||||||||||||
| 1860 | 1900 | 1930 | 1940 | 1950 | 1960 | 1981 | 1991 | 1995 | 2001 | 2002 | 2003 | 2004 |
| 5.423 | 4.768 | 4.667 | 5.401 | 4.703 | 4.202 | 2.610 | 2.024 | 2.130 | 1.888 | 1.845 | 1.800 | 1.778 |
| Fontes: INE e IGE
(Os critérios de registro censal variaram entre 1860 e 2004, e os dados do INE e do IGE podem não coincidir.) | ||||||||||||
| Censo Total | 1.584 |
| Menores de 15 anos | 103 (6.50%) |
| Entre 15 e 64 anos | 891 (56.25%) |
| Maiores de 65 anos | 590 (37.24%) |
Índice |
A comarca da Fonsagrada encrávase nas Serras Orientais galegas, integrada por um releve muito acidentado e montanhoso. A sucessão de montanhas que conforma toda a comarca serve de fronteira natural entre Astúrias e a meseta lucense. Limita com as serras de Cuias e de Uría no lês-te, no oeste com as do Miradoiro, Vaqueiriza e Puñago, e pólo sul com as de Foncuberta e Llouxas. Estas serras, junto com as de Lastra, Follabal e Invernal, situadas na parte central da comarca, conformam as cabeceiras dos principais contentores hidrográficos: os rios Neira, Eo e Navia. As elevacions mais importantes encontram-se na serra do Poço, com altitudes máximas no alto do Padornelo (958 m), Penas de Pasadama (1.049 m) e o Monte Panda (833 m). Na serra da Lastra a altitude média é de 736 m, destacando os montes de Candón (923 m), O Chao (790 m), Candán (849 m) e Cordeiro (858 m).
Outras cimeiras de importância são o monte Lagúa (942 m), Bieira (1.001 m), A Matança (815 m), O Ramallo (913 m), Mermella (904 m), O Pradoiro (1.029 m), Pena Corista (1.000 m), Poço da Lagoa (1.000 m), Penas de Colina (823 m) e os montes Zarra e Teixeiro (758 m).
Ademais dos três rios principais, o Navia, o Eo e o Neira, outros afluente destes são o Córneas, Muíños, Fonte das Veigas, Trabeiro, Candal, Castiñeira, Veiga, Leñeiro, Os Mosquitos, Rego de Martín, rio Pousada, rio Vilares e rio Cabana.
Toda a comarca por ser uma zona interior de montanha, de elevadas altitudes e, relativamente afastada do mar, o que não permite uma grande influxo oceánico, determina um clima de montanha, de temperaturas extremas, com Invernos frios e Verões curtos e moderados. Também há, numerosos factores locais que possibilitam a existência de microclimas mais benignos, sobretudo nas zonas de escassa altitude ou nos pequenos vales bem orientados. Os microclimas ocasionam grande diversidade de biotopos que incrementam o valor ecológico da zona.
A precipitações aproximam-se dos 1.754 mm. Dentro de um ano o promedio de dias de chuva e de 120/130 dias. As temperaturas oscilam entre 8 ºC e 10 ºC, chegando a inclusive os 14 ºC.
Há variedade de interesse excepcional, tanto pelos endemismos coma pelas comunidades vexetais existentes. Nas diferentes altitudes distribuense carballos, meloxos, bidueiros, teixos, fá-las, abrairas, abruñeiros e xardóns... que possibilitam a sobrevivência invernal das espécies animais, as que oferecem alimento e refúgio. O matorral, formado pelas uces, xenistas, carqueixas citisos e carpazas, ocupa uma ampla superfície das serras, protegendo o chão das ladeiras e cimeiras da erosión. Na parte setentrional do município encontra-se a floresta da Marronda, espaço natural protegido pela sua riqueza florestal e ecológica.
Os primeiros vestígios arqueológicos datam da cultura castrexa: São o castro de Degolada, castro de Esperela, castro de Albarelo, castro de Vilar dos Adrios ou Quintá, castro de Cubilledo e castro de Antiguallas.
Arredor do ano 813, reinando Afonso II o Casto, livrou-se uma batalha com os mouros nas proximidades de Esperela, no lugar do Campo da Matança. Segundo a lenda, onde chegou o sangue costa abaixo, edificou-se uma igreja. Neste último lugar descobriram-se a princípios de século várias sepulturas com restos humanos e anacos de armaduras e esporas. Recordando este facto existia na fachada da câmara municipal um escudo que representava a um soldado cristão atacando uns árabes.
Em 1809 arrasaram o município os exércitos napoleónicos que perseguiam, mandados por Soult , o general inglês Sir John Moore. Incendiaram A Fontaneira, mas os vizinhos de Vazia, dirigidos por Xosé María Pára-mo e Montenegro junto com os vizinhos de Neira de Xusá e Castroverde, fixeronlles frente o exército francês sem esquadra perseguidos pelos ter-mos do município e seguindo uma linha paralela com algumas populações como Puñago, Pradeda e o Cádavo, pela cima da Serra da Vaqueriza, deixando traçada uma pequena corredoira no caminho que, tempo depois conhecer-se-ia como caminho francês e que, coincide com o de peregrinação a Santiago desde A Fonsagrada (outro nome que também se lhe dá e o de Caminho Primitivo).
Durante a Idade Média e o antigo Regime as freguesias repartiam-se estre as xurisdicións de Vazia, Castroverde, Neira de Rei e Pena Maior, sem contar o couto de Córneas. Em 1813 formou-se a câmara municipal de Vazia.
A câmara municipal manteve a sua população relativamente estável entre 1860 e 1950; mas na década de 1960 começou a declinar a população, acentuando-se este descenso nos últimos tempos (ver quadro). É uma das zonas da província que mas emigración teve, apresentando hoje em dia uma densidade de população muito baixa (9'5 hab/km²). A adversidade climática, uma estrutura da terra muito fragmentado, a fá-la de ajudas e a aspiração a melhorar o nível de vida adverso, foram as causas principais que motivaram o deslocamento rural.
Vazia possui uma economia de carácter rural, baseada no sector primário, onde a principal actividade é a ganadeira e a florestal. No que se refere a agricultura, pode-se falar de uma economia de autoconsumo, com pouco espaço cultivado e na sua maior parte dedicado a horta, patacas ou millo para o gando, com a excepção de alguns viñedos que cultívanse aproveitando os microclimas mais quentes da região. Nos vales do Eo e do Neira, as explorações estão dedicadas na sua maior parte a produção de carne. Isto faz com que abunden os prados e pastizais. O sector ganadeiro é a base económica do município, ocupando o 73,9 % da população activa. Caracterizasse por um claro predominio das explorações de gando bovino. Sobretudo das raças rubia galega e asturiana dos vales, de aptidão cárnica, aproximadamente o 5,8 % são explorações de produção láctea. No que se refere a estrutura das mesmas são de pequeno tamanho, entre 8 e 10 cabeças. O gando porcino e ovino completam a exploração ganadeira, que case sempre esta o serviço do autoconsumo. Dentro da exploração madereira há que destacar o importante valor do sub-sector (é escasso, destacar a existência de fábricas transformadoras da madeira, ferro e aluminio; há documentadas a existência de algumas minas de ferro, zinc e de ouro localizada em Mendreiras, freguesia de Martín). O sector secundário é praticamente nulo, sendo o seu principal expoñente a construção que quase não está representada. O sector terciario experimentou nos derradeiros 20 anos um importante desenvolvimento, que se reflexa no aumento de serviços administrativos, financeiros e comerciais, todos eles concentrados na capitalidade autárquica. A posta em marcha da Fundação para o Desenvolvimento da Comarca, dentro do Plano de Desenvolvimento Comarcal da Galiza, está supondo um apoio eficaz para a revalorización dos recursos naturais destas zonas de montanha.
Em todo o termo autárquico sucedem-se as amostras de vestígios pertencentes à cultura castrexa: castros de Antiguallas, Vilar dos Adrios o Quintá, entre outros.
Entre o arte sacro destaca a igreja de São Miguel da Braña do século XI.
A igreja de São Pedro da Esperela foi reconstruída sobre restos románicos no século XVIII. Da primitiva fábrica conservasse o presbiterio e um arco de médio ponto. No interior destacam dois retablos barrocos e dois cálices de prata cincelada, datados no século XVIII. Da sua estrutura externa sobresae a torre de sillería de granito; Santiago de Córneas, construída no século XVIII e com retablo barroco de dois corpos e três ruas no seu interior.
A igreja de Santa Maria Madalena de Reizós data de finais do século XVII ou principias do século XVIII. No seu interior destacam um retablo maior barroco e várias esculturas, alguma das quais estão datadas no século XVIII.
Outras igrejas são a de Santiago de Cubilledo (s. XVIII), Fontaneira (s. XVIII), Esperela (s. XVIII) e Santa María de Retizós (s. XVII-XVIII). O património religioso completa-se com várias capelas como as de Castro, Vilarín, Cabreira, Castelo e Santa Bárbara.
Ademais, dentro do património civil destacam a casa-pazo de Albaredo, em Córneas, e a casa de Luaces em Vilarelle. Entre a arquitectura popular destacam as pallozas, cabozos e trobos espalhados por todo o município, assim como os hórreos de Córneas, Martín e Vilar de Adrios.
A feira do Cádavo celebra-se o dia 12 de cada mês.
Através do Plano Leader de desenvolvimento rural da União Européia, está-se habilitando uma rota turística na floresta da Marronda, um das florestas de fá-las mais importantes da Europa, sem contar um bom número de outras espécies. A rota iniciasse no Cádavo e vai até Sampaio, passando por Fonteo onde se localiza o nascimento do rio Eo. O percurso visita vários lugares: Cortevella, Martín e Mendreiras e pode-se fazer com um recorrido meio de 18 km a 25 km segundo convenha.
Ademais, como rota cultural-turística, passa por esta câmara municipal o Caminho de Santiago (a Rota do Caminho Primitivo), o mais utilizado pelos peregrinos durante a Alta Idade Média. Merece a pena também deter-se nas numerosas amostras de arquitectura rural da zona: cabozos e pallozas.
Na gastronomia, o cocho e os seus derivados, o mel, a caça e a pesca estão representados nos pratos típicos do lugar, sempre acompanhados de molhos a base de balocas e cogumelos, recolectados nos espaços naturais de grande riqueza florestal e ecológica.
No apartado etnografico, durante as compridas noites de Inverno, em torno da lareira criava-se o ambiente propício para transmitir o rico património que a literatura popular da zona possui. Os vizinhos reuniam à queda do serão para contar histórias de casa em casa ou ir de "polavila", como se conhece a esta tradição que transmite verbalmente a cultura ancestral destas terras.
O cego dos Vilares, também conhecido como o cego da Fontaneira (ou Florencio da Fontaneira) foi um homem muito querido pelos lugareños e recordado desde a sua morte. Marchava pelas aldeias onde o requeriam cantando romances e lendarias histórias.
Também era conhecida um casal que aparecia às vezes nas festas com uma menina, que era a encarregado de contar os contos ao são da musica que tocavam os maiores; case sempre eram conhecido pelo nome da "Ramboia", pois era com essa cantinela com a que case sempre começavam.
Albergue de peregrinos do Cádavo na freguesia da Esperela |
Para uma lista completa de todos os lugares da câmara municipal de Vazia veja: Lugares de Vazia.
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