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Zanfona

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Zanfona galega

A zanfona é um instrumento musical de origem medieval pertencente a família dos cordófonos, que está estendido na música popular européia, com numerosas variantes em diferentes regiões e épocas. O som está produzido pelo roce de uma roda contra as cordas. As notas produzem-se mediante um teclado, e coma em muitos outros instrumentos acúsiticos de corda, dispõe de uma caixa de resonancia.

Não deve ser confundida com a zampoña, que é um instrumento de vento, nem com a zanfona brasileira, uma variedade de acordeón .

Índice

Características

Mecanismo interno de uma zanfona.

Externamente destaca a sua caixa de resonancia, da que sai um manubrio que se faz girar que mão direita, o que a sua vez faz rotar um disco de madeira barrada de resina que frota uma o mais cordas apoiadas no disco. Algumas destas cordas são cantor ou melódicas, enquanto que outras fã de bordóns. A mão esquerda actua sobre de um teclado cromático de duas filas de teclas superpostas, uma fila é de notas naturais e a outra de notas sustidas, cobrindo entre duas ou três oitavas. Cada uma das teclas tem várias espadillas, de modo que ao clicar uma das teclas as espadillas acortan o comprimento de cadansúa corda melódica, produzindo a nota desejada. Todas as cordas soam ao mesmo tempo, pelo que dão umas harmonias "muito cheias". Pode-se tocar de pé, pendurando o instrumento com uma correa, ou bem sentado, pousándoo nas pernas do músico, mas sempre ligeiramente inclinado, de modo que as teclas volten pelo seu próprio peso a posição inicial ao soltá-las.

Detalhes de zanfona francesa

Em ocasião inclui um cão ou trombeta (chien em francês, ou recsegõ em húngaro ), uma ponte asimétrica que se levanta ao mover o manubrio a mas velocidade, e que roza um bordón provocando um som característico. Este som permite produzir ritmos ao tempo que se toca a melodia, pelo que é útil no acompañamento de danças. Em algumas zanfonas de estilo francês uma peça chamada tirant permite também ajustar a sensibilidade da trombeta.

Outras variantes incluem cordas simpáticas, que vibran por resonancia quando se tocam certas notas, sem necessidade de fricción. A sua vibración perdura um certo tempo depois de que a nota que a activou deixe de soar, produzindo um efeito de reverberación.

Há duas formas principais nos instrumentos contemporâneos: a forma de guitarra ou de oito, e a de laúde . Ambas as duas mas for encontram na tradição construtiva francesa, enquanto que a forma de oito é a mais empregada fora desse país. A forma quadrada é exclusiva de instrumentistas de música antiga.

A configuração do instrumento na Galiza é de três cordas cantores e dois bordóns. A afinación é pelo geral em tom de de o, ou bem em tom de sol, sendo a primeira a mais estendida. Nela as três cordas cantoras afínanse em de o as duas primeiras, e do grave a terceira. O bordoncillo (o bordón mais afastado do corpo) afínase em de o grave, enquanto o outro bordón afínase em intervalo de quintas, é dizer, em sol grave.

O fungar dos bordóns é similar a ronco das gaitas, pelo que em verdadeiras culturas musicais é substituto ou acompanhante das gaitas. Por esta razão também em Zamora chama-se gaita de pobre. Não obstante, é um instrumento caro, já que são poucos os luthiers que o fã, e a sua construção é muito laboriosa.

História

A zanfona apareceu na Europa Ocidental contra o século IX. Nas suas formas mais antigas usava na música religiosa medieval, precisava de dois intérpretes e recebia o nome de organistrum . Tinha uma só corda cantora e dois bordóns, e sua caixa de resonancia assemelhava-se a da guitarra. O instrumento tocava-se girado, e as teclas ficavam na parte superior. Para tocar havia que em tirar delas, o que limitava o seu uso a melodias lentas. O tom grave das largas cordas que possuía a faziam útil como acompañamento de coros. Podem-se contemplar representações deste instrumento no pórtico da Catedral de Santiago, no capitel da abadia de St. Georges em Saint Martinde-Boscherville na França e noutras talhas románicas. A partir deste motivo, Castelao desenhou um ex-libris para Antón Iglesias Vilarelle, músico santiagués [1].

A primeira referência escrita é a do abade Odo de Cluny na sua obra Quomodo organistrum construatur (Como construir um organistrum), ainda que a sua autenticidade é dubidosa. Também menciona-se um instrumento semelhante num compendio musical do árabe Al Zirikli, ou no Livro dele Buen Amor, do Arcipreste de Hita.

O organistrum evoluiu até ser possível que o tocasse uma só pessoa (solo organistrum), mas foi reemplazado pela sinfonía, de teclado cromático e caixa quadrada. O teclado estava na parte inferior o que permitia que as teclas fossem pulsadas, atingindo assim a possibilidade de tocar melodias mais rápidas. Nas representações da época a sinfonía aparece tanto que velha configuração do teclado na parte superior como na parte inferior. A sua presencia não se limitava a música religiosa, senão que serviu para interpretar canções de xesta, ou as Cantigas de Santa María de Afonso X "O Sábio" do século XIII, onde se emprega como instrumento de ministril.

Durante o Renacemento a zanfona perfecciónase, adquirindo a caixa a característica forma redondeada, e o aparecimento do cão anteriormente descrito. O modelo mais estendido na música folclórica procede desse momento, e considera-se que é um instrumento resultado da união da sinfonía e a viola medieval realizados a partir da caixa de resonancia de um laúde ou uma viola. O uso destas caixas foi provocado pela reutilización por parte dos artesãos das caixas desses instrumentos, em crescente desuso nessa época.

A finais do século XVII o instrumento passou a mãos de trobadores , xograres e esmoleiros, já que na música culta impõem-se outros instrumentos de corda de maior presencia e capacidade polifónica(como os violíns, as violas, os violoncellos ou os contrabaixos). Deste modo estende-se a outros países como Eslovaquia, Roménia, Hungria, Holanda, Alemanha, mas o seu uso esmorece com o passo de tempo. Como resultado adquiriu nomes como o alemão Bauernleier (lira camponesa) ou Bettlerleier (lira de esmoleiro).

Mas os gustos pelas diversões rústicas do Rococó fizeram com que no século XVIII fosse adoptada como instrumento de moda pelos nobres e cortesáns franceses. Durante esta época atingiu carácter de instrumento de câmara e orquestra; reconhecidos compositores escreveram obras para zanfona, sendo a mais famosa Il pastor Fido, de Nicolas Chédeville (mas atribuída inicialmente a Vivaldi). Em meados do século XVIII também apareceu na França a zanfona-órgão conhecida como vielle organisée, que desapareceu em seguida, a pesares de que compositores como Haydn escreveram especificamente para ela.

A partir do século XVIII volta a mãos populares. Em Espanha conservou-se sobretudo da mão dos cegos, que a empregavam para a interpretação de romances e melodias. Posto que não havia sempre muita qualidade interpretativa e o instrumento não se cuidava, durante a sua decadência chegou a associar-se com o vulgar e malsoante. A maior parte das variantes de zanfona desapareceram quando começa o século XX, exceptuando a francesa, a húngara e a espanhola. Na Ucrânia, a variante chamada lira era empregada por músicos cegos, mas a maioria morreram nas purgas de Stalin na década de 1930.

Recuperação da zanfona na Galiza

Perfeito Feijoo em 1919.

Na Galiza, a começos do século XX Perfeito Feijoo adícaríase a recolher melodias tradicionais, chegando a realizar a primeira gravação no disco Ares d'a terra, no 1904. Mas sem dúvida, o seu principal valedor na península foi Faustino Santalices, que escreveu o primeiro livro sobre a zanfona em Espanha em 1956 e gravou o primeiro disco dedicado totalmente ao instrumento em 1945 . Santalices também criou um obradoiro de instrumentos tradicionais, onde aprenderiam as técnicas de construção gente coma Antón Corral, que posteriormente trabalhou na Universidade Popular de Vigo, onde se continua a potenciar a construcción e uso do instrumento.

A zanfona no lês-te da Europa

A zanfona possui uma ampla tradição no este da Europa, salientando Hungria, Polónia, Bielorrusia e Ucraniana. Na Ucrânia conhece-se como lira ou relia e ainda a interpretam nas ruas músicos profissionais chamados lirnyky. Têm um repertório pararelixioso, ainda que também inclui danças folclóricas e relatos épicos. Os instrumentistas foram considerados como esmoleiros pelas autoridades russas, e foram submetidos a repressões se tocavam nas ruas das principais cidades até 1902, quando os etnógrafos da XII Conferência Arqueológica Russa solicitaram as autoridades que deixassem de perseguí-los. Nos anos 30 a tradição foi praticamente erradicada pelas autoridades soviéticas quando uns 250 ou 300 músicos foram reunidos para uma conferência etnográfico e executados como elementos indesexables pela sociedade soviética contemporânea.

A zanfona na actualidade

A música folk e outros estilos musicais modernos que num princípio não se associam com o instrumento, adoptaram a zanfona, explorando a multidão de recursos de tem, fazendo assim um grande contributo a recuperação e popularización do instrumento. Hoje em dia está presente a multidão de países, onde recebe diversos nomes. Na Itália chama-se-lhe ghironda, na França vielle à roue, em Catalunha viola de roda, no País Basco zabarrete, no Reino Unido hurdy-gurdy, Occitania sonsaina, em Portugal sanfona, na Holanda draailier, na Alemanha drehelier, em Hungria tekero e na Suécia e Roménia lira .

Zanfonistas de renome, ademais dos citados Feijoo e Santalices, são Anjo Pintos, Amancio Prada e Carlos Beceiro na Galiza, Germán Díaz ou Rafa Martín em Espanha, ou Pascal Lefevre na França, junto com grupos como Milladoiro ou Os cempés.

Galería de imagens

Veja-se também

Bibliografía

Ligazóns externas

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